Guia lista frutas e verduras mais contaminadas por pesticidas. Confira

Levantamento do Environmental Working Group analisou mais de 54 mil amostras e acende alerta para exposição a pesticidas, incluindo PFAS

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Freepik
Espinafre, morango em cima de uma mesa
1 de 1 Espinafre, morango em cima de uma mesa - Foto: Freepik

Morango, espinafre, uva e folhas verdes são os alimentos com maior contaminação de pesticidas tóxicos em 2026. É o que aponta o relatório Shopper’s Guide to Pesticides in Produce, publicado pela Environmental Working Group em 24 de março. O estudo americano avaliou 54.344 amostras de 47 alimentos diferentes, e o resultado aponta que 75% dos produtos não orgânicos continham resíduos de agrotóxicos.

A substancia mais detectada é o fludioxonil, um fungicida de amplo espectro utilizado na agricultura para proteger os alimentos contra doenças fúngicas. A substância é classificada como PFAS, grupo de substâncias que persistem no ambiente e no organismo por longos períodos.

A nectarina e as amoras pretas também fazem parte dos alimentos com mais agrotóxicos — no caso das amoras, em média, mais de quatro agrotóxicos foram achados por amostra. Já as batatas chamam atenção pela presença de clorprofam, uma substancia proibida na União Europeia.

Como os pesticidas afetam o corpo

A exposição frequente a pesticidas tem sido associada, em estudos científicos, a alterações hormonais, danos ao sistema nervoso e problemas reprodutivos. Há ainda indícios de que o consumo de alimentos com altos níveis desses resíduos pode reduzir os benefícios cardiovasculares e metabólicos normalmente ligados à ingestão de frutas e vegetais.

Os PFAS, em especial, preocupam especialistas por serem altamente persistentes. Eles podem se acumular no organismo ao longo do tempo e estão sendo cada vez mais detectados na água, no solo e até em alimentos.

Outro ponto de atenção é o chamado “efeito combinado”: embora os pesticidas sejam avaliados individualmente, na prática as pessoas consomem misturas de diferentes substâncias, o que pode potencializar os riscos à saúde.

Crianças e gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis desse consumo, já que a exposição precoce pode impactar o desenvolvimento. Na infância, o acumulo de toxinas no organismo tem sido associada a problemas de atenção, dificuldades de aprendizagem e câncer.

” Crianças são mais vulneráveis porque consomem mais alimentos por quilo de peso corporal do que adultos, e o organismo delas ainda não elimina bem essas toxinas. Para gestantes, o risco é ainda mais direto. A exposição a agroquímicos está associada à maior incidência de malformações congênitas, prematuridade e abortos espontâneos”, explica a nutricionista Marina Gusmão.

A diferença entre um alimento orgânico ou convencional em termos de vitaminas e minerais, é pequena. A vantagem real dos orgânicos está em outro lugar: a redução da exposição a resíduos de pesticidas e antibióticos.

“Quem adota uma dieta predominantemente orgânica reduz de forma expressiva os níveis de pesticidas no organismo. Em alguns casos, em poucos dias de mudança já é possível perceber essa diferença nos exames”, explica a nutricionista.

O que o consumidor deve fazer

Apesar dos dados, o próprio relatório reforça que o objetivo não é reduzir o consumo de frutas e verduras, mas orientar escolhas mais seguras. Entre as recomendações estão:

  • Priorizar versões orgânicas dos alimentos com mais pesticidas, quando possível;
  • Optar por itens da lista com menor contaminação;
  • Lavar bem frutas e vegetais antes do consumo;
  • Considerar alimentos congelados como alternativa acessível.
 “Lavar em água corrente, com fricção adequada da superfície, reduz sujidades e parte dos resíduos superficiais. O uso de solução com bicarbonato de sódio pode aumentar a remoção de alguns pesticidas na superfície. Já o vinagre é eficaz principalmente para reduzir microrganismos, mas não tem o mesmo efeito consistente sobre pesticidas”, afirma a nutricionista Thays Pomini.

Nenhum método doméstico é capaz de eliminar completamente resíduos que já foram absorvidos pelo alimento. Do ponto de vista da saúde pública, o maior risco é o baixo consumo de frutas e verduras.

Os alimentos com menos pesticidas

O guia também traz a lista com os alimentos que apresentaram menor presença de resíduos. Entre os principais estão: abacaxi, milho doce, abacate, mamão e cebola.

Também aparecem na lista: ervilhas congeladas, aspargos, repolho, couve-flor, melancia, manga, banana, cenoura, cogumelos e kiwi. Segundo o estudo, quase 60% desses alimentos não apresentaram nenhum resíduo detectável, e apenas 16% tinham mais de um pesticida.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?