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Maioria dos adolescentes não encontra dificuldade para comprar álcool

Pesquisa realizada pela Unifesp revela que os bares são o principal meio de acesso dos adolescentes para o consumo de bebidas alcoólicas

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1 de 1 Imagem colorida mostra diferentes tipos de drink - Ingestão de carvão ativado reduz efeitos do álcool? Médicos explicam - Metrópoles - Foto: Getty Images

Um levantamento abrangente mostrou que 74,7% dos adolescentes brasileiros não enfrentam qualquer dificuldade na hora de comprar bebidas alcóolicas. A venda para eles, no entanto, é crime no Brasil, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena de dois a quatro anos de detenção e multa. Mas, no dia a dia, a realidade é bem diferente.

Os dados inéditos são da terceira edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e financiado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A pesquisa é considerada o principal inquérito sobre álcool e drogas do Brasil. Ao todo, foram entrevistados mais de 16 mil brasileiros com 14 anos ou mais por todo o país. As informações foram colhidas em 2023.

De acordo com o levantamento, os bares são o principal meio de acesso para consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes, sendo apontado por 76,1%. Em seguida, são mencionadas a intermediação de adultos (44,9%) e compras com vendedores ambulantes (34,4%) ou aplicativos de entrega (16,4%).

Os dados também revelam que 30,9% dos adolescentes afirmam frequentar festas “open bar” – eventos com bebida alcoólica liberada e proibida para menores de 18 anos. Esses locais estão frequentemente ligados ao consumo excessivo de álcool, intoxicação e violência.

Aproximadamente um quarto deles (23,5%) também relatou ter adquirido bebidas por preços muito abaixo dos praticados no mercado, elevando o risco de consumir produtos contrabandeados ou adulterados.

Entre as bebidas mais consumidas pelos jovens, estão a cerveja (40,5%); “ice” (31,9%) – bebida alcoólica gaseificada feita com destilados e aromatizante de frutas; vinho (14,4%); coquetéis (7,3%); cachaça (2,9%) e bebidas alcoólicas em pequenas embalagens (1,5%).

Segundo a coordenadora do Lenad, Clarice Madruga, a falta de regulação das bebidas alcoólicas no país sempre foi um dos maiores desafios para a saúde pública.

“Nossos resultados mostram que a disponibilidade irrestrita, a desarticulação de estratégias de fiscalização mais efetivas e o baixo preço das bebidas formam o ambiente perfeito para o abuso. Políticas regulatórias fortes são fundamentais para proteger a saúde pública e reduzir desigualdades”, ressalta a professora da Unifesp, em comunicado.

Os pesquisadores recomendam a adoção de cinco eixos estratégicos para combater o problema, cada vez mais alarmante entre os jovens brasileiros:

  • Eixo 1: redução da disponibilidade e controle do acesso por menores;
  • Eixo 2: controle de qualidade e autenticidade das bebidas;
  • Eixo 3: regulação da publicidade e comunicação responsável;
  • Eixo 4: intervenção precoce e tratamento;
  • Eixo 5: integridade científica, transparência e produção de evidências.

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