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Saúde

Parando de fumar? Abstinência de nicotina pode causar prisão de ventre

Cerca de 30% dos indivíduos que decidem parar de fumar experimentam prisão de ventre no primeiro mês sem o estímulo constante da nicotina

03/08/2026 02:00
Sasun Bughdaryan / Unsplash
Foto colorida de pessoa sentada no vaso sanitário enquanto segura um rolo de papel higiênico -Metrópoles

Parar de fumar é uma decisão essencial para a manutenção da saúde. Porém, largar o vício não é fácil e a abstinência de nicotina pode causar efeitos no corpo inteiro. Um deles é a prisão de ventre, experimentada por cerca de 30% dos indivíduos no processo de largar o cigarro.

O intestino e o pulmão não se comunicam diretamente, e a constipação está ligada principalmente à nicotina. A substância, que é absorvida principalmente pelos pulmões mas também pela deglutição da fumaça, estimula a ação da acetilcolina, um neurotransmissor associado ao funcionamento do intestino.

“Esse estímulo aumenta as contrações intestinais, favorece a secreção de líquidos e acelera o esvaziamento do cólon. Por isso, muitas pessoas costumam evacuar logo após o primeiro cigarro do dia”, explica a coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Maria Enedina Scuarcialupi.

Sem o estímulo constante da nicotina, o intestino, que estava habituado a receber a ordem de se contrair, pode ter uma redução temporária dos movimentos. A falta do ritual de fumar antes de ir ao banheiro também impacta o trânsito intestinal. Assim, o indivíduo acaba com prisão de ventre.

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“A abstinência também pode provocar mudanças no apetite, no nível de ansiedade, na alimentação e na rotina, fatores que contribuem para o aparecimento de fezes mais ressecadas, causam esforço para evacuar e sensação de esvaziamento incompleto”, afirma a coloproctologista Aline Amaro.

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As médicas afirmam que a situação é incômoda, mas passageira — na maioria das pessoas, o intestino volta a funcionar corretamente em cerca de quatro semanas.

Imagem mostra um cigarro quebrado e tabaco espalhado - Metrópoles
O hábito de fumar e o consumo de nicotinaestão diretamente ligados ao desenvolvimento de várias doenças, inclusive câncer

Como superar a prisão de ventre associada à nicotina

Aline conta que, para atravessar o período, a dica é aumentar gradualmente o consumo de fibras, beber água regularmente, manter a atividade física em dia e reservar um momento tranquilo pra ir ao banheiro, principalmente após as refeições.

“Algumas medicações utilizadas no tratamento do tabagismo também podem contribuir para a constipação em determinados pacientes, por isso o acompanhamento profissional é importante”, aponta.

Benefícios de parar de fumar superam os riscos

O tabagismo é reconhecido como um dos hábitos que mais causam câncer, doenças inflamatórias, úlcera e piora da saúde como um todo. No caso do intestino, a nicotina acaba prejudicando a circulação sanguínea, a proteção da mucosa e a resposta imunológica do aparelho digestivo.

Parar de fumar vem com uma série de sintomas de abstinência, que vão desde irritabilidade, insônia e pesadelos a tremores, sudorese e aumento do apetite. Apesar de incômodos, os sinais são passageiros e os benefícios de abandonar o cigarro superam, e muito, o desconforto.

Maria Enedina explica que, ao parar de fumar, o indivíduo já percebe rapidamente a melhora na saúde. Já na primeira semana, a pressão arterial se normaliza, a frequência cardíaca diminui e a circulação sanguínea melhora. Nos dias seguintes, o olfato e o paladar voltam a funcionar e a aparência da pele e o odor corporal se normalizam.

“Com o passar do tempo, os benefícios cardiovasculares continuam a aumentar: após um ano sem fumar, o risco de doença coronariana diminui significativamente e, após alguns anos, o risco de AVC também cai de forma importante, aproximando-se gradualmente ao de quem não fuma”, afirma a pneumologista.