De veleiro do pó a rifas do funk: como a PF chegou à prisão de MC Ryan

MC Ryan SP, Poze do Rodo e dono da Choquei foram presos em investigação iniciada há 3 anos, com apreensão de veleiro que carregava cocaína

atualizado

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Foto colorida de MC Ryan
1 de 1 Foto colorida de MC Ryan - Foto: Instagram/Reprodução

A operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã dessa quarta-feira (15/4), que resultou na prisão temporária de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, é desdobramento de uma investigação iniciada há mais de três anos, após a apreensão, em fevereiro de 2023, de um veleiro brasileiro que transportava três toneladas de cocaína.

Na ocasião, a embarcação Lobo IV estava em alto mar, entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias, quando foi apreendida pela Marinha dos Estados Unidos. À época, outros carregamentos também foram interceptados em águas internacionais.


Do veleiro a MC Ryan SP

  • Fev/2023 → apreensão do veleiro com drogas
  • Abr/2025 → Operação Narco Vela (tráfico/logística/lavagem de dinheiro)
  • Out/2025 → Operação Narco Bet (lavagem de dinheiro com “Bets”)
  • Abr/2026 → Operação Narco Fluxo (lavagem de dinheiro na indústria do entretenimento)

A apreensão da droga deu origem a uma investigação que avançou em diferentes frentes. Em abril de 2025, a PF deflagrou a operação Narco Vela, com foco na estrutura logística do tráfico internacional.

A ação buscou cumprir quatro mandados de prisão preventiva, 31 mandados de prisão temporária e 62 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos.

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Justiça determinou o bloqueio e apreensão de bens até o valor de R$ 1,32 bilhão
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços de Rodrigo Morgado
Arma encontrada em casa de suspeito
Operação Narco Vela cumpre mandados de busca e apreensão
Dinheiro apreendido em operação da PF
Foram apreendidos dois carros de luxo em nome do empresário
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Foram apreendidos dois carros de luxo em nome do empresário

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Justiça determinou o bloqueio e apreensão de bens até o valor de R$ 1,32 bilhão
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Justiça determinou o bloqueio e apreensão de bens até o valor de R$ 1,32 bilhão

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Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços de Rodrigo Morgado
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Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços de Rodrigo Morgado

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Arma encontrada em casa de suspeito
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Arma encontrada em casa de suspeito

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Operação Narco Vela cumpre mandados de busca e apreensão
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Operação Narco Vela cumpre mandados de busca e apreensão

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Dinheiro apreendido em operação da PF
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Dinheiro apreendido em operação da PF

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Polícia Federal cumpre mandados em SP, RJ, MA, PA e SC
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Polícia Federal cumpre mandados em SP, RJ, MA, PA e SC

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Embarcação apreendida em Belém (PA)
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Embarcação apreendida em Belém (PA)

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Operação investiga envio de drogas para a Europa via marítima
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Operação investiga envio de drogas para a Europa via marítima

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Houve ainda outros três mandados de prisão preventiva cumpridos nos Estados Unidos, Itália e Paraguai. A Justiça Federal também determinou o bloqueio e apreensão de bens que chegou a R$ 1,32 bilhão.

Com o avanço das apurações, o foco passou a ser o fluxo financeiro do grupo. Em outubro de 2025, a PF deflagrou a operação Narco Bet, voltada ao rastreamento e à lavagem dos recursos ilícitos.

Parte deles teria sido canalizada para empresas do setor de apostas eletrônicas, as chamadas “bets”, com o objetivo de mascarar os ganhos provenientes do tráfico e inserir o dinheiro no sistema financeiro com aparência de legalidade. Segundo a PF, o grupo agia de forma estruturada e transnacional, operando em múltiplas camadas financeiras para dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos.

Com mais de 15 milhões de seguidores, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, foi preso na época. Segundo a PF, ele recebeu R$ 19,7 milhões de um empresário investigado pelo envio das drogas apreendidas no veleiro. Ele permanece detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) IV de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, após ter diferentes pedidos de habeas corpus negados pela Justiça.

No total, foram cumpridos 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. As ordens judiciais incluiram ainda o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 630 milhões, em uma tentativa de descapitalizar a organização criminosa e reparar os danos causados pela lavagem internacional de capitais.

Com base nos elementos reunidos nas operações Narco Vela e Narco Bet, a PF deflagrou, na manhã dessa quarta-feira, a operação Narco Fluxo, também voltada à lavagem de dinheiro. A ação mirou, desta vez, na estrutura que utilizava a indústria fonográfica e o entretenimento digital para movimentar vultuosas quantias financeiras.

A polícia cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 33 dos 39 mandados de prisão temporária expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos.

Foram presos temporariamente: MC Ryan SP; Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze; Raphel Sousa Oliveira, dono da página Choquei; o influenciador Chrys Dias e a esposa dele, Débora Paixão.

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A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias
Investigações indicam que a movimentação era feita no Brasil e no exterior
Foram determinadas medidas de constrição patrimonial e o sequestro de bens
Polícia Federal acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão
Além dos itens de luxo, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos
PF prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação por lavagem de dinheiro
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PF prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação por lavagem de dinheiro

Material cedido ao Metrópoles
A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias
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A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias

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Investigações indicam que a movimentação era feita no Brasil e no exterior
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Investigações indicam que a movimentação era feita no Brasil e no exterior

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Foram determinadas medidas de constrição patrimonial e o sequestro de bens
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Foram determinadas medidas de constrição patrimonial e o sequestro de bens

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Polícia Federal acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão
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Polícia Federal acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão

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Além dos itens de luxo, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos
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Além dos itens de luxo, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos

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A ação acontece simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal
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A ação acontece simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal

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São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária
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São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária

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“O dinheiro era introduzido no sistema financeiro através do pagamento a essas figuras públicas, que adquiriam patrimônio, integrando valores ilícitos ao patrimônio deles. Hoje, chegamos nesse ponto e as investigações ainda vão prosseguir. Ainda temos muito a entender sobre a movimentação e destinação desse dinheiro”, explicou o delegado Marcelo Maceiras, da delegacia de Polícia Judiciária da PF.

A Justiça também determinou medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias. Cerca de R$ 1,6 bilhão foram bloqueados.

Segundo o apurado, o grupo ligado ao funkeiro paulista MC Ryan, considerado figura central no esquema de lavagem de dinheiro, tinha vários eixos operacionais. Um dos principais era usar a venda de ingressos de shows, além de ativos e produtos rifados para não deixar rastro.

Os integrantes da estrutura criminosa também utilizavam criptoativos, transportavam valores em espécie e realizavam múltiplas transações entre contas para dificultar o rastreamento financeiro. Para isso, usavam uma fintech que nunca recebeu autorização do Banco Central para funcionar.

Eles ainda empregavam operadores logísticos, familiares e “laranjas” com a finalidade de ocultar os reais beneficiários das operações.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam R$ 1,63 bilhão em movimentações suspeitas identificadas diretamente. Segundo a investigação, no entanto, o volume total operado pelo grupo pode ultrapassar R$ 260 bilhões.

Envolvidos se manifestam

Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento.

“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.

Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, afirmou que o vínculo dele com os fatos investigados “decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital”.

“Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos. Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.”

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