"Ouvi o barulho": veja depoimento de presa após morte em rope jump. Vídeo
Evelyne Dos Santos Gonçalves prestou depoimento logo após morte de jovem de 21 anos que foi arremessada de rope jump sem cordas

Evelyne dos Santos Gonçalves (foto em destaque), presa dias após a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas em um salto de rope jump no último dia 13/6, na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, afirmou em depoimento à polícia no dia da tragédia, que “ouviu o barulho” da queda. Ela contou não ter visto o momento do salto, mas percebeu as reações do espanto do público e dos instrutores. Veja:
Evelyne foi presa no último sábado (20/6), por suspeita de obstrução de elementos considerados relevantes para a investigação. O Metrópoles teve acesso ao depoimento de Evelyne, colhido logo após a tragédia.
Ela era responsável por cadastrar as pessoas que participariam dos saltos, além de editar e publicar vídeos para “viralizar” nas redes sociais. Após a morte de Maria Eduarda, a organizadora apagou o perfil “Entre Cordas” da empresa que organizou o evento.
Em depoimento à delegada Andrea Dantas Levy, Evelyne classificou a morte como “fatalidade” e disse não ter ouvido alertas do público sobre a ausência de cordas no salto de Maria Eduarda. Ela disse que, do local onde fazia o cadastro dos próximos participantes, não tinha contato visual com a plataforma de saltos.
“Eu ouvi a plateia. Quando eu ouvi ‘Meu Deus’, eu levantei. Eu tava sentada preenchendo alguma coisa, recebendo alguém. Quando eu levantei, eu olhei as meninas em choque. (…) Então eu ouvi o barulho também. Eu ouvi o ‘Meu Deus’ e ouvi o barulho”, disse.
Logo depois, Evelyne conta ter permanecido sobre a Ponte do Esqueleto, em estado de choque. Ela nega que os colegas instrutores tenham fugido do local.
“Eu fico em choque, eu não saio dali. Acho que um tempo depois, meia hora depois [eu ouço] os gritos do acompanhante [de Maria Eduarda]. Sabe quando você acha que vai desmaiar? Aqueles gritos que estavam entrando. Eu chamo no rádio e falo, ‘por favor, estou sozinha aqui, me ajuda, manda um apoio aqui para mim, eu só quero entender o que aconteceu’. Os meninos chegaram, todos eles”, disse.
“E eu perguntei o que aconteceu. Ninguém sabia. Todos eles estavam em choque: Maicon em choque, Felipe em choque”, completou ela.
Polícia descobre quem tirou GoPro
Evelyne e outras cinco pessoas estão presas por envolvimento na morte de Maria Eduarda.
Inicialmente, no dia do salto (13/6), foram presos os instrutores que arremessaram a jovem estar amarrada a cordas. Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, Luís Felipe Feliciano Egoroff, de 32, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, respondem por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morrer, mesmo que sem intenção de matar.
No último sábado (20/6), outras três pessoas foram presas temporariamente: Evelyne, João Antônio, Gabriel Barros Martins e João Antônio Pivetta da Silva.
João Antônio foi, segundo a polícia, o responsável por retirar a câmera GoPro acoplada do braço da vítima. Segundo a investigação, ele e Gabriel Barros também faziam parte do grupo “Entre Cordas”, responsável pela realização do evento. Ambos fugiram do local após a morte de Maria Eduarda, aponta a polícia.
Além do crime de homicídio com dolo eventual, uma possível fraude processual dos envolvidos também é apurada. A investigação afirma que foram identificados indícios de que conteúdos digitais “potencialmente relevantes à elucidação do caso” foram excluídos pelos suspeitos, o que motivou os pedidos de prisão e busca e apreensão.

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