Um dos atiradores que matou ex-delegado em SP está preso, diz Derrite
Segundo o secretário, indícios apontam que Rafael Marcell Dias Simões, vulgo Jaguar, é um dos atiradores que executaram o ex-delegado
atualizado
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Rafael Marcell Dias Simões, de 42 anos, conhecido como Jaguar, foi apontado como um dos atiradores que executou o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes no dia 15 de setembro, em Praia Grande, litoral de São Paulo. A informação foi dada à imprensa pelo secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite.
Segundo Derrite, informações apreendidas no celular de outro preso, Luiz Henrique Santos Batista, o Fofão, deram indícios para que a polícia acredite que Jaguar tenha sido um dos atiradores. Fofão teria sido responsável por ajudar na fuga do suposto atirador. Além das mensagens, o depoimento de Fofão também ajudou a reforçar a tese.
Prisão de Jaguar
Jaguar se entregou à polícia na madrugada do dia 20 de setembro, cinco dias após o crime. Ele nega participação no assassinato do ex-delegado e diz que tinha ido buscar a filha na escola no momento da emboscada.
Ele tem duas condenações por sequestro, mas o advogado dele, Adonirã Correia, conta que Jaguar já pagou pelos crimes cometidos no passado e que se ressocializou, trabalhando atualmente com carteira assinada para a Prefeitura de Santos, cidade onde mora.
“Um ponto muito crucial é que ele, no momento do crime lá em Praia Grande, estava trabalhando. O trabalho dele requer o cartão de ponto, o que pode ser demonstrado pela máquina. E também ele busca a filha no colégio no período da noite”, afirma Correia. “É inviável ele estar em dois lugares ao mesmo tempo”, disse.
Presos
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), quatro pessoas foram presas e outras quatro são procuradas até o momento. As autoridades ainda aguardam resultados de laudos periciais e prosseguem com as investigações.
William Silva Marques, dono da casa usada como QG do crime; Rafael Marcell Dias Simões, que se entregou no último sábado (20/9); Dahesley Oliveira Pires, acusada de ser a pessoa que buscou o fuzil no litoral paulista; e Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como Fofão, que teria sido responsável por dar carona para um dos criminosos fugir da cena do crime são os quatro presos até agora.
Os quatro foragidos são Felipe Avelino da Silva, conhecido como Mascherano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza, que tiveram material genético encontrado em um dos carros usados no crime; Luis Antônio Rodrigues de Miranda, procurado por ter pedido à Dahesley para ir buscar um dos fuzis utilizados na execução e, agora, Humberto Alberto Gomes.
O que se sabe sobre a execução
A polícia usa imagens de câmeras de segurança para entender a dinâmica do crime que vitimou o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, no dia 15 de setembro, no litoral paulista.
Um vídeo obtido pelo Metrópoles mostra o momento em que os criminosos dera início à emboscada. Eles estacionaram um carro em uma rua próxima da Prefeitura de Praia Grande, onde a vítima trabalhava como titular da Secretaria de Administração, às 18h02.
Após 14 minutos, o veículo de Ruy Fontes aparece na gravação, passa ao lado dos criminosos e é alvo de tiros. Ruy tenta fugir, mas é perseguido, bate o carro em um ônibus após cerca de 2,5 quilômetros e é executado.
Nenhuma linha de investigação descartada
Autoridades da SSP não descartam a participação de agentes públicos na execução de Ferraz. Além de ter sido inimigo número 1 do PCC quando atuava como delegado, Ruy Ferraz tinha inimizades dentro da polícia e trabalhava como secretário de Administração em Praia Grande, onde pode ter contrariado interesses locais. Oficialmente, nenhuma hipótese é descartada pela cúpula da SSP.
Internamente na Polícia Civil, a ação tem sido comparada à execução do corretor de imóveis Vinícius Gritzbach, inimigo do PCC morto com 10 tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. De acordo com as investigações, três PMs teriam sido contratados pela facção para executar o crime.
Entre as linhas de investigação sobre o mando do crime, a força-tarefa acredita em uma possível vingança do PCC. Ruy Ferraz foi o primeiro delegado a investigar a facção no estado, no começo dos anos 2000, e atuou na transferência algumas das principais lideranças para presídios federais de segurança máxima, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Quem era Ruy Ferraz
- Ruy Ferraz Fontes atuou por mais mais de 40 anos Polícia Civil de São Paulo era especialista na facção criminosa PCC.
- Ele iniciou a carreira como delegado de polícia titular da Delegacia de Polícia do Município de Taguaí, do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter) 7.
- Durante a vida profissional, foi delegado de Polícia Assistente da Equipe da Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
- Também atuou como delegado de Polícia Titular da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
- Além disso, Ferraz foi delegado de Polícia Titular da 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandou outras delegacias e divisões na Capital.
- O então secretário de Administração de Praia Grande também esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo e foi Diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP).
- Ele ainda foi professor Assistente de Criminologia e Direito Processual Penal da Universidade Anhanguera e atou como Professor de Investigação Policial pela Academia da Polícia Civil do Estado de São Paulo (Acadepol).
- Ruy assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025, até ser morto nessa segunda-feira.
- O policial também foi o primeiro delegado a investigar a atuação do PCC no estado, enquanto chefiava a Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), no início dos anos 2000.
- Ele foi jurado de morte por Marco William Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC, em 2019, após o criminoso ser transferido para o sistema penitenciário federal.













































