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São Paulo

Tragédia no rope jump: nova investigação vai apontar conduta de presos

Investigação da polícia busca individualizar conduta das três pessoas presas, nesse sábado (20/6), por envolvimento na tragédia

24/06/2026 13:05
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Divulgação.
Montagem colorida com a foto dos três novos presos por suspeita de envolvimento na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, no último dia 13, em Limeira, interior de São Paulo.

Uma nova investigação aberta pela Polícia Civil busca entender a conduta de cada um dos “novos” presos (fotos dos presos em destaque) no caso da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que perdeu a vida após se lançada sem cordas durante salto de rope jump, no último dia 13, na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.

Os alvos são: Evelyne dos Santos Gonçalves, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins.

A polícia prendeu Evelyne, João e Gabriel no sábado (20/6) após cumprimento de mandados de prisão temporária em Limeira, Indaiatuba e no Rio de Janeiro. A Polícia Civil enviou nessa terça-feira (23/6) um pedido à Justiça para estender as prisões para 30 dias, até o término do novo inquérito aberto.

Os três instrutores presos em flagrante no dia da tragédia, e que tiveram a prisão convertida para preventiva, permanecem presos no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos. São eles: Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. A Justiça negou pedido de liberdade deles.

GoPro

João Antônio foi o responsável por retirar a câmera GoPro, segundo a polícia, acoplada do braço de Maria Eduarda. Testemunhas o viram pegando o equipamento logo depois da queda, quando a jovem nem tinha recebido os primeiros socorros. A investigação descobriu que a função dele era ficar na parte inferior da ponte para auxiliar na retirada dos equipamentos de segurança e liberar os praticantes após os saltos.

Apesar de ter sido identificado como a pessoa que retirou a GoPro do braço de Maria Eduarda, João não teve, ao menos conforme relatório da investigação policial obtido pela reportagem, a participação no sumiço da câmera. Além do mandado de prisão, a polícia cumpriu buscas no endereço ligado ao suspeito em Limeira, município onde ocorreu a tragédia.

Gabriel Barros, contudo, foi apontado pela Polícia Civil como o responsável por pegar a câmera, na parte superior da ponte, e colocá-la em uma sacola plástica. Ele e João fugiram do local após o acidente. A nova investigação aberta busca entender se o ato foi premeditado ou intencional.

Perfil apagado

Ao contrário dos homens presos, de forma temporária, a fundamentação para a prisão de Evelyne está relacionada à exclusão do perfil do grupo “Entre Cordas”, responsável pelo evento. Nas redes sociais, a mulher se identificava como CEO do grupo – o perfil também foi excluído, conforme apurado pela reportagem.

Para a polícia, a prática de Evelyne configura uma “possível obstrução de provas” por haver indícios de que conteúdos digitais “potencialmente relevantes à elucidação do caso” foram excluídos. Ela era responsável por cadastrar as pessoas que participariam dos saltos, além de editar e publicar vídeos para “viralizar” nas redes sociais.

“Ouviu barulho”

Evelyne dos Santos Gonçalves afirmou em depoimento à polícia no dia da tragédia, que “ouviu o barulho” da queda. Ela contou não ter visto o momento do salto, mas percebeu as reações do espanto do público e dos instrutores. Veja:

Em depoimento à delegada Andrea Dantas Levy, Evelyne classificou a morte como “fatalidade” e disse não ter ouvido alertas do público sobre a ausência de cordas no salto de Maria Eduarda. Ela disse que, do local onde fazia o cadastro dos próximos participantes, não tinha contato visual com a plataforma de saltos.

“Eu ouvi a plateia. Quando eu ouvi ‘Meu Deus’, eu levantei. Eu tava sentada preenchendo alguma coisa, recebendo alguém. Quando eu levantei, eu olhei as meninas em choque. (…) Então eu ouvi o barulho também. Eu ouvi o ‘Meu Deus’ e ouvi o barulho”, disse.

“Eu fico em choque, eu não saio dali. Acho que um tempo depois, meia hora depois [eu ouço] os gritos do acompanhante [de Maria Eduarda]. Sabe quando você acha que vai desmaiar? Aqueles gritos que estavam entrando. Eu chamo no rádio e falo, ‘por favor, estou sozinha aqui, me ajuda, manda um apoio aqui para mim, eu só quero entender o que aconteceu’. Os meninos chegaram, todos eles”, disse.

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