Atuação em secretaria é investigada como causa da morte de ex-delegado
Ruy Ferraz Fontes atuava na Secretaria de Administração de Praia Grande desde 2023 e foi o primeiro delegado a investigar o PCC em São Paulo
atualizado
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Autoridades responsáveis por investigar a execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros na noite de segunda-feira (15/9), não descartam que a atuação dele na Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, tenha relação com o crime. Ruy Ferraz Fontes assumiu a Secretaria de Administração do município em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025.
A cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) avalia que o ex-delegado pode ter contrariado interesses locais no comando da pasta e considera que agentes públicos podem ter participado da execução.
Outra linha de investigação trabalha com a possibilidade de envolvimento do crime organizado. O delegado foi o primeiro a investigar a atuação do PCC em São Paulo, enquanto chefiava a Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), no início dos anos 2000.
Além disso, Ruy Ferraz atuou na transferência de algumas das principais lideranças para presídios federais de segurança máxima, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que jurou o delegado de morte em 2019.
Nesta quarta-feira (17/9), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois suspeitos de envolvimento no homicídio. Um dos homens foi identificado a partir de impressões digitais e, segundo uma autoridade ligada às investigações, teve passagem por um presídio comandado pelo PCC.
Execução
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em um ataque com mais de 20 tiros de fuzil na Vila Mirim, na Praia Grande, na noite dessa segunda-feira (15/9). Câmeras de segurança registraram o carro do ex-delegado sendo perseguido até colidir contra um ônibus. Na sequência, os criminosos descem do veículo de trás e começam a atirar.
O carro usado na execução, uma Toyota Hilux SW4 preta, foi incendiado. Uma Renegade, que teria sido utilizada na fuga, foi encontrada intacta. Os dois veículos teriam sido roubados na capital paulista.
Assista:
Uma outra câmera de segurança captou o momento em que os criminosos deram início à emboscada que resultou na morte do ex-delegado. Eles estacionaram um carro em uma rua próxima da Prefeitura de Praia Grande , onde a vítima trabalhava como titular da Secretaria de Administração, às 18h02.
Após 14 minutos, o veículo de Ruy Fontes aparece na gravação, passa ao lado dos criminosos e é alvo de tiros. Ruy tenta fugir, mas é perseguido, bate o carro em um ônibus após cerca de 2,5 km e é executado. Outras duas pessoas que estavam próximas do local do ataque ficaram feridas durante a ocorrência.
Quem era Ruy Ferraz
- Ruy Ferraz Fontes atuou por mais de 40 anos Polícia Civil de São Paulo era especialista na facção criminosa PCC.
- Ele iniciou a carreira como delegado de polícia titular da Delegacia de Polícia do Município de Taguaí, do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter) 7.
- Durante a vida profissional, foi delegado de Polícia Assistente da Equipe da Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
- Também atuou como delegado de Polícia Titular da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
- Além disso, Ferraz foi delegado de Polícia Titular da 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandou outras delegacias e divisões na Capital.
- O então secretário de Administração de Praia Grande também esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo e foi Diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP).
- Ele ainda foi professor Assistente de Criminologia e Direito Processual Penal da Universidade Anhanguera e atou como Professor de Investigação Policial pela Academia da Polícia Civil do Estado de São Paulo (Acadepol).
- Ruy assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023, permanecendo na gestão que se iniciou em 2025, até ser morto nessa segunda-feira.
- O policial também foi o primeiro delegado a investigar a atuação do PCC no estado, enquanto chefiava a Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), no início dos anos 2000.
- Ele foi jurado de morte por Marco William Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC, em 2019, após o criminoso ser transferido para o sistema penitenciário federal.

































