"Trabalhadores têm direito à greve", diz representante de metroviários
Presidente do Sindicato dos Metroviários diz que cobrança de R$ 7,1 milhões pelo Metrô em ação na Justiça atenta contra direito à greve

São Paulo — A presidente do Sindicato dos Metroviários, Camila Lisboa, afirmou, nesta quarta-feira (18/10), que a ação civil por danos morais e materiais movida pelo Metrô contra a entidade, por causa da greve do último dia 3, atenta contra o direito de greve e é um ato antissindical. “Vamos responder oficialmente assim que notificados”, disse.
Na terça-feira (17/10), a Justiça deu prazo de 30 dias para que o sindicato apresente sua defesa, caso contrário terá que pagar R$ 7,1 milhões — o valor pedido pelo Metrô. A ação transita na 3ª Vara da Fazenda Pública e não tem relação com o julgamento do mérito da paralisação, que corre no Tribunal Regional do Trabalho.
“Primeiro, trata-se de um ato antissindical, que atenta contra o direito democrático de greve. O artigo 9º da Constituição prevê o direito de greve dos trabalhadores nos momentos e pelos motivos que julgarem necessários”, afirmou a presidente do sindicato.
Camila disse que não existe delimitação de que só se pode fazer greve por salário. “Além disso, a luta contra a privatização também tem uma motivação trabalhista, porque os empregos são extremamente ameaçados”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP
Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasSegundo a presidente do Sindicato dos Metroviários, existe um objetivo claro de inviabilizar financeiramente a entidade por meio da ação por danos morais e materiais. “Entendemos, nessa ação civil, a prática de má-fé, porque já há um processo na justiça trabalhista, que é a esfera competente para julgar as greves e lutas dos trabalhadores”, disse.
Camila também afirmou que o que causa prejuízo para a sociedade são os contratos de concessão, “que permitem a retirada de dinheiro público das empresas públicas de metrô e trem para ser entregue às linhas de metrô e trem privadas”.
A presidente dos Metroviários também lamentou o fato de o governo estadual não aceitar a proposta de liberação das catracas, algo que evitaria prejuízos para a população.









