TJSP: 15% das medidas protetivas levam mais de 2 dias para sair
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostra que 76% das medidas no estado de São Paulo têm uma primeira decisão em até 24 horas

A maior parte dos pedidos de medidas protetivas que chegam ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) recebe uma primeira decisão em até dois dias. Ainda assim, 15% dos casos levam mais tempo para ter uma resposta da Justiça, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) referentes a 2026.
As medidas protetivas são uma das ferramentas previstas para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Pela Lei Maria da Penha, após receber o pedido, o juiz tem até 48 horas para decidir sobre as medidas de urgência.
Apesar da parcela que ultrapassa esse período, a maior parte dos pedidos no TJSP recebe uma resposta rápida: 26% são analisados no mesmo dia em que o processo começa e outros 50% têm uma primeira decisão no dia seguinte. Outros 9% levam até dois dias.
Na prática, isso significa que 76% dos pedidos têm uma primeira resposta em até 24 horas. O tempo médio registrado pelo TJSP é de quatro dias, indicador que considera o conjunto dos processos e não apenas os casos que resultaram em concessão da proteção.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPOs números fazem parte do painel de medidas protetivas do CNJ, com dados referentes a 2026 e disponíveis até 30 de junho.
O que acontece depois do pedido?
- Após chegar ao Judiciário, o caso é encaminhado para a decisão sobre as medidas de proteção.
- A medida pode determinar uma distância mínima da vítima e impedir contatos por telefone, mensagens ou redes sociais.
- Dependendo do caso, a Justiça pode determinar que o agressor deixe o lar ou outros locais frequentados pela vítima.
- A mulher pode procurar uma delegacia, incluindo uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ou outros serviços da rede de atendimento.
- A decisão funciona como uma forma de proteção e pode ser determinada mesmo antes do fim da investigação ou de um eventual processo criminal.

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Ver todasE quando a medida protetiva é descumprida?
Conseguir uma medida protetiva é apenas uma das etapas do processo de proteção. Quando a decisão da Justiça é descumprida, o caso pode dar origem a um novo processo criminal. Em São Paulo, esse tipo de processo tem aumentado nos últimos anos. Em 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou 6.107 casos relacionados ao descumprimento de medidas protetivas, o maior número da série.
No mesmo ano, porém, 7.287 novos processos chegaram à Justiça. Ou seja, entraram mais casos do que foram julgados, o que contribui para o acúmulo de processos que ainda aguardam uma decisão.
O crescimento vem sendo registrado desde 2021. Naquele ano, foram julgados 2.343 processos. Em 2022, o número subiu para 2.952. Já entre 2023 e 2024, foram mais de 4 mil julgamentos. E o ritmo continua em 2026. Somente no primeiro semestre, a Justiça paulista já havia julgado mais de 3 mil processos por descumprimento de medidas protetivas.
Em 2026, mais de 85 mil pedidos aparecem no painel
Até 30 de junho, o painel do CNJ registrava 85.192 medidas protetivas no recorte apresentado. O levantamento reúne diferentes tipos de decisões relacionadas às medidas. Entre elas, 49.707 foram concedidas, o equivalente a 84% dos casos classificados como concedidas ou negadas no painel. Outras 9.223 foram negadas, enquanto também aparecem registros de medidas revogadas e prorrogadas.



