Testemunha acredita que Suzane mandou invadir casa de tio após morte
Objetos, como documentos pessoais, móveis, entre outros, foram levados da casa de Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane, em repetidas invasões
atualizado
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As invasões à casa do médico Miguel Abdalla Netto, em janeiro deste ano, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, podem ter ocorrido a mando de Suzane Von Richthofen. É o que acredita a empresária Silvia Magnani, prima e suposta ex-companheira do médico falecido.
A informação foi dada por um amigo dela, que a acompanhou em depoimento dado no 27ºDP (Campo Belo), na tarde dessa terça-feira (10/2).
A tese de que os crimes tenham sido encomendados se baseia na forma como o assaltante chegou ao imóvel: de boné e máscara.
Os primeiros itens a serem levados da casa teriam sido documentos pessoais e o documento detalhando a herança, segundo Silvia. O Metrópoles apurou que Miguel tinha hábitos de documentar qualquer tipo de movimentação, especialmente se o motivo era relacionado aos bens. Ele foi o responsável por auxiliar Andreas no testamento de Marísia e Manfred.
A empresária teria afirmado a interlocutores que “um ladrão jamais levaria primeiro documentos pessoais e desdenharia de objetos de valor, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos”.
O depoimento de Silvia, que começou por volta das 11h15, durou cerca de 2 horas. A empresária saiu da delegacia sem falar com a imprensa. A expectativa é a de que ela tenha repassado, além do que foi listado de itens furtados da casa de Miguel, objetos aos quais lhe pertenciam e estavam sob posse do suposto companheiro e primo.
Prima de tio procurou Andreas
Silvia foi pessoalmente a São Roque, interior paulista, para encontrar com Andreas e convencê-lo a pleitear a herança do tio materno. Andreas sequer foi localizado na região em que habitava, segundo um amigo da empresária que a levou até a delegacia nesta terça-feira (10/2), onde ela prestou depoimento.
A herança do médico está avaliada em R$ 5 milhões. A Justiça decidiu nomear Suzane como inventariante do tio. A decisão é da 1ª Vara da Família e Sucessões, que entendeu que o histórico criminal da condenada por matar os pais, em 2002, não impede a administração dos bens, pois ela era a única interessada formal no momento em que disputa com a prima e suposta ex-companheira do tio materno.
Disputa judicial e acusação de roubo
Em meio a uma disputa judicial pela herança de Miguel Abdalla Netto, a prima Carmem Silvia Magnani acusa Suzane von Richthofen de furto à casa do médico, encontrado morto aos 76 anos. O corpo dele foi achado em 9 de janeiro, na Vila Congonhas, zona sul de São Paulo.
Magnani denunciou, na terça-feira passada (3/2), suposta prática de conduta ilícita. “Conforme consta no processo judicial de abertura de inventário em trâmite, Suzane admitiu expressamente ter subtraído e estar na posse dos bens do espólio (carro e demais bens), sem qualquer autorização judicial para tanto”, diz trecho do relato oficial.
A Polícia Civil investiga um furto ocorrido na casa de Miguel Abdalla, em 20 de janeiro, logo após a morte dele. Na ocasião, policiais militares (PMs) foram acionados e constataram que o imóvel tinha sido invadido. Móveis, documentos e dinheiro foram levados do local.
Câmeras de segurança registraram a invasão de um homem à residência.
Disputa pela herança
Estimada em R$ 5 milhões, a herança de Miguel Abdalla Netto é alvo de briga judicial entre Suzane Silvia Magnani, que tenta o reconhecimento de uma suposta união estável na Justiça. O irmão de Suzane, Andreas, teria aberto mão dos bens deixados pelo tio. Abdalla, que não era casado e não tinha filhos, faleceu sem deixar um testamento.
Contudo, até o momento, nenhuma pessoa foi nomeada para administrar o espólio. Condenada pela morte dos pais, Suzane pode receber a herança, já que não há impedimento legal automático.
Furto na casa
Segundo Silvia Magnani, que afirma ter sido companheira do médico por mais de uma década, um veículo que faz parte do espólio foi retirado da casa de Miguel, “sem qualquer autorização judicial prévia”.
Por meio de nota enviada ao Metrópoles, assinada pelas advogadas Débora Cristina Vaccari e Marielli Helena Arruda, a prima do médico manifestou “grande preocupação diante dos episódios de saques, violações e invasões ocorridos“. “Os fatos reforçam a necessidade de que o inventário seja conduzido por uma pessoa idônea, responsável e comprometida com a legalidade, capaz de proteger o legado de Miguel, resguardar os bens do espólio e preservar a honra da família”, destacou.
“Silvia Magnani esclarece que foi a responsável por todos os trâmites do sepultamento de Miguel, observando rigorosamente os procedimentos legais, além de colaborar integralmente com as autoridades competentes, prestando todas as informações solicitadas tanto na investigação sobre a morte quanto nos fatos relacionados às invasões no imóvel”, completou o texto.
Morte suspeita
Apesar de não haver sinais de violência ou indícios de crime, o boletim de ocorrência sobre o falecimento de Miguel Aballa, na rua Baronesa de Bela Vista, em Vila Congonhas, foi registrado como morte suspeita, no 27º Distrito Policial (Campo Belo).
Inclusive, um inquérito foi aberto na delegacia, a mesma responsável pelo B.O. do assassinato dos pais de Suzane a mando dela, em outubro de 2002, crime executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.
Ao longo das investigações sobre o assassinato dos pais, Suzane chegou a prestar depoimento no 27º DP ao menos duas vezes, acompanhada do tio.
Após a morte de Miguel, Suzane von Richthofen reivindicou a liberação do corpo do tio. Segundo fonte policial ouvida pelo Metrópoles, a documentação havia sido iniciada por Silvia, prima dele. No entanto, Suzane tentou tomar a frente, sob o argumento de ter parentesco necessário para assumir os trâmites. Ainda conforme o relato, Suzane também foi ao Instituto Médico-Legal (IML) tentar liberar o corpo do tio.
Tio de Suzane von Richthofen encontrado morto
- Tio materno de Suzane von Richthofen, Miguel Abdalla foi encontrado morto em 9 de janeiro.
- O corpo do homem, de 76 anos, foi localizado em Vila Congonhas, na zona sul de São Paulo.
- Segundo a apuração do Metrópoles, um vizinho usou uma escada para olhar por cima do muro após Abdalla ficar dois dias sem dar notícias.
- A Polícia Militar (PM) informou que a causa da morte foi natural. Além disso, não havia sinais de arrombamento na porta.
- No sábado (10/1), o muro da casa amanheceu pichado com a frase: “Será que foi a Suzane?”.
O médico Miguel Abdalla era tutor de Andreas, irmão de Suzane, e ex-inventariante dos bens de Marísia e Manfred Richthofen, assassinados em 2002 pelos irmãos Cravinhos, a mando da própria filha.
Em julho de 2005, após completar 18 anos, Andreas assumiu o lugar de Abdalla como inventariante, depois de Suzane solicitar o afastamento dele. No processo, ela alegou que o tio estava sonegando bens do espólio.
Em 2006, Abdalla acionou a Justiça para dizer que Suzane foi vista “rondando” a casa em que ele vivia com a mãe e Andreas. A informação levou a um pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos e 6 meses de prisão por duplo homicídio triplamente qualificado. Atualmente, ela cumpre a pena em regime aberto – desde janeiro de 2023.






























