Muralha Paulista: TCE cobra governo sobre compra sem licitação de câmeras

Prodesp negou irregularidades apontadas pelo TCE, enquanto SSP apontou produtividade do Muralha Paulista no combate ao crime

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação / Governo de São Paulo
Homem, acumulava mandados por tráfico de drogas, homicídio e falsidade ideológica antes de ser localizado por sistema de conhecimento facial. TCE suspeita de compra de câmeras para programa -Metrópoles
1 de 1 Homem, acumulava mandados por tráfico de drogas, homicídio e falsidade ideológica antes de ser localizado por sistema de conhecimento facial. TCE suspeita de compra de câmeras para programa -Metrópoles - Foto: Divulgação / Governo de São Paulo

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) cobrou esclarecimentos da Secretaria da Segurança Pública (SSP) após denúncias de irregularidades na compra sem licitação de câmeras e outras tecnologias para o programa de monitoramento Muralha Paulista, uma das bandeiras da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O contrato foi firmado entre a pasta e a empresa privada Paladium Corp com triangulação da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), o que tornou dispensável um processo de licitação.

A investigação do tribunal foi iniciada a partir de denúncias do advogado Dorival Assi Júnior e do deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), que chamou a Prodesp de “cavalo de troia” para a contratação direta da Paladium Corp.

Triangulação contratual

Com vigência de 60 meses, o contrato contrato entre a Prodesp e a Paladium foi firmado em março deste ano na modalidade “parceria em oportunidade de negócio”. Por ter natureza associativa, o acordo não não gerou obrigações financeiras imediatas. Com isso, a remuneração das partes seria definida caso a caso, dependendo da formalização de propostas secundárias a outros órgãos públicos.

No mês seguinte, em abril, a Prodesp e a SSP firmaram um contrato administrativo com dispensa de licitação para ampliar e manter o parque de sensores audiovisuais do programa Muralha Paulista. O acordo ficou fixado em R$ 475.819.725,90, também para o prazo de 60 meses.

A tecnologia adquirida pela empresa pública junto à Paladium foi repassada à pasta da gestão Tarcísio, em uma espécie de triangulação contratual. O contrato contempla a aquisição de uma infraestrutura fixa (com câmeras, sensores e torres de monitoramento) e de software de inteligência.

TCE suspeita de contrato

O conselheiro Dimas Ramalho do TCE reconheceu a materialidade das críticas formuladas pelos denunciantes e notificou a Prodesp, a Paladium Corp e a SSP para que apresentem justificativas e esclarecimentos sobre os contratos firmados no prazo de três dias úteis.

Ramalho apontou que o plano de negócios da parceria é genérico, além de não estabelecer parâmetros mínimos de equilíbrio remuneratório ou critérios técnicos proporcionais de divisão de receitas.

O TCE também não identificou, com clareza, uma contribuição técnica da Prodesp para a negociação, o que indica que a empresa pública pode ter atuado como uma mera intermediária. A suspeita é que a companhia tenha dado vantagens indevidas à Paladium.

O conselheiro destacou ainda que a Prodesp tem justamente a prerrogativa de anular ou revogar o contrato caso identifique irregularidades. Entre as atribuições da companhia, está o dever de encaminhar parecer fundamentado ao TCE apontando as anormalidades.

Em nota, a Prodesp informou que já prestou esclarecimentos ao TCE e permanece à disposição do órgão de controle. “A parceria de negócios está em conformidade com a Lei das Estatais, em procedimento adotado por empresas públicas desde a publicação da norma federal”, disse.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que contrata a Prodesp para serviços de tecnologia do programa Muralha Paulista com base no Decreto 67.799/2023. “O tratamento e a gestão de dados são de responsabilidade da Prodesp, nos termos das obrigações contratuais. O Muralha Paulista coíbe a mobilidade criminal e amplia a eficácia das ações policiais com integração de tecnologias de monitoramento e inteligência.”

O Metrópoles também solicitou manifestação sobre o caso à Paladium, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?