TCE suspende pela 3ª vez licitação de pista de Vila Olímpica em SP
Em fevereiro, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu pela terceira vez obra de pista de atletismo parada desde abril de 2025
atualizado
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O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) suspendeu, mais uma vez, a licitação para a construção da pista de atletismo da Vila Olímpica Mário Covas, na zona oeste de São Paulo.
Em agosto de 2022, ainda sob a gestão do ex-governador Rodrigo Garcia, a Recoma venceu a licitação da pista de atletismo, por R$ 40,3 milhões. O governo de São Paulo rescindiu o contrato com a obra já em andamento, após a empresa pedir, pela quarta vez, um aditivo ao projeto – a construção está parada desde abril.
Depois da rescisão, o governo paulista tentou fazer três licitações para terminar a obra. Em outubro de 2025, o certame foi suspenso pelo TCE-SP após a representação de três empresas.
No dia 30 de dezembro de 2025, o governo publicou novamente o edital, mas suspendeu o certame em 21 de janeiro deste ano, por iniciativa própria, para reavaliação interna, após constatar que os vícios do processo não haviam sido sanados.
O governo paulista lançou um novo edital seis dias depois, logo após o Metrópoles mostrar que a obra estava parada desde abril de 2025, com acúmulo de sinais de desgaste nos materiais de construção armazenados sob o sol e a chuva. A reportagem constatou até a presença de morcegos na estrutura em que devem ficar os vestiários.
No último dia 19 de fevereiro, o TCE suspendeu pela terceira vez o processo licitatório. Segundo a decisão, a planilha orçamentária da nova licitação está defasada pois prevê valores com base em maio de 2025. O conselheiro Carlos Cezar, que assinou a decisão cautelar, afirmou que o prazo máximo, entre a publicação do edital e a previsão orçamentária, é de seis meses.
Em nota, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) afirmou que irá prestar os esclarecimentos solicitados pelo conselheiro relator “e, consequentemente, solicitar a liberação para continuidade do processo, com a revisão da liminar.”
Obra ficou R$ 12 milhões mais cara
A nova licitação da obra pode deixar a pista de atletismo R$ 11,8 milhões mais cara.
O governo já pagou R$ 37,1 milhões à Recoma pela obra e fez um novo convênio de R$ 24,7 milhões. Assim, para finalizar a obra que custaria R$ 50 milhões, considerando o valor dos R$ 40,3 milhões iniciais mais os aditivos pedidos pela empresa, o governo gastará R$ 61,8 milhões.
Segundo a Recoma, o contrato original ainda está sendo discutido na Justiça. A empresa disse ao Metrópoles, caso haja autorização para retomada, a conclusão poderia ocorrer com o valor remanescente do contrato, cerca de R$ 12 milhões, aproximadamente metade do previsto no novo edital.
