“Fico” de Tarcísio intensifica disputa entre PSD e PL por vice em SP
Aliados afirmam que Tarcísio teria preferência por manter atual vice, Felício Ramuth (PSD), apesar de desejo de Kassab e André do Prado (PL)
atualizado
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Com a provável permanência de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo para tentar a reeleição, reafirmada nessa quinta-feira (29/1), após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, em Brasília, as movimentações pela vice na chapa do governador voltaram a se intensificar.
De acordo com aliados do chefe do Palácio dos Bandeirantes, a tendência é que o PSD mantenha a vaga, firmada na coligação eleitoral feita em 2022, embora o PL pressione pelo posto por ser o partido oficial do bolsonarismo e por ter a maior bancada na Assembleia Legislativa paulista (Alesp).
Fontes ligadas ao governador e também membros do PSD afirmam que Tarcísio prefere manter seu atual vice, Felício Ramuth, na vaga. No entanto, o presidente nacional da legenda e secretário de Governo, Gilberto Kassab, não esconde que deseja o posto, visando alcançar o governo paulista em 2030, quando Tarcísio poderá disputar a Presidência da República.
Na cadeira, Kassab enxerga que teria chances de se eleger governador. Ele já foi prefeito da capital entre 2006 e 2011 e sonha em comandar o estado um dia. Na avaliação de aliados, a escolha de Felício daria menos “dor de cabeça” para Tarcísio. Já com Kassab, ele teria que comprar briga com outros partidos da base aliada, como PL, PP e MDB.
Ao longo do mandato, no qual Kassab ocupou o cargo de secretário de Governo, a atuação do cacique, marcada por uma postura agressiva nos bastidores para atrair prefeitos paulistas ao PSD — a maioria egressa do PSDB —, incomodou outras legendas da base de Tarcísio, além do próprio governador.
Em entrevistas nos últimos dias, após surpreender o mundo político ao filiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD — o que fez o partido concentrar três pré-candidatos ao Planalto —, Kassab tem reafirmado que a legenda vai seguir no projeto de Tarcísio em São Paulo.
Ele diz também que o partido só não terá candidato próprio à Presidência caso Tarcísio seja o postulante, o que é descartado pelo próprio governador, como nessa quinta-feira em Brasília.
Diante disso, interlocutores de Tarcísio afirmam que o governador pode se ver em saia justa durante a campanha, já que será obrigado a subir no palanque de Flávio Bolsonaro (PL) e não no do candidato do PSD, mesmo com o partido compondo sua chapa — além de Caiado, a legenda de Kassab tem como pré-candidatos ao Planalto os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Já pelo lado do PL, o principal interessado em ser o vice de Tarcísio é o atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, aliado de primeira hora do governador e presente na maioria das agendas de Tarcísio ao longo do mandato. A favor de Prado, conta o fato de ele ser próximo do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o que dá peso ao seu nome.
Membros do PL, no entanto, ponderam que o presidente da Alesp não teria muita proximidade com a família Bolsonaro, o que dificultaria a indicação para a vice. Além disso, o partido deve ter um candidato ao Senado em São Paulo, o que já preencheria o espaço da legenda na montagem da chapa.
Apesar disso, deputados estaduais do PL argumentam que o partido é quem garantiu a governabilidade de Tarcísio, com 19 cadeiras na Alesp, o que daria o “direito” da legenda de pleitear a indicação do vice.
“O PL é o maior partido do Brasil e tem a maior bancada na Alesp. Sem o PL, o Tarcísio não governa. O partido já iria indicar (o vice) na primeira eleição de Tarcísio. Foi uma outra composição e assumimos a Alesp. Agora, acho difícil não ser o André”, disse reservadamente um deputado do PL.
