Quem são os 6 aliados de Tarcísio de olho na cadeira dele em 2026
Com o vai e vem de especulações sobre candidatura presidencial de Tarcísio, aliados do governador se movimentam para assumir sua sucessão
atualizado
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A possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República tem alimentado as movimentações de aliados no bastidores que buscam se cacifar para sucedê-lo na cadeira no Palácio dos Bandeirantes.
Embora publicamente continue afirmando que disputará a reeleição ao governo paulista, nas últimas semanas voltou a crescer no mundo político a avaliação de que Tarcísio pode receber o apoio do padrinho político Jair Bolsonaro (PL) para buscar o Palácio do Planalto.
Além disso, com Bolsonaro inelegível até 2030, as especulações crescem a cada vez que o nome do governador aparece nas pesquisas como o nome mais competitivo da direita na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na mais recente pesquisa Quaest, por exemplo, divulgada em 5 de junho, Tarcísio subiu 2 pontos percentuais na simulação de 1º turno e empatou tecnicamente com o petista no segundo turno: 41% para Lula contra 40% do governador.
Com isso, aliados de Tarcísio se movimentam para tentar atrair o apoio do governador para sua sucessão. Entre eles, estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); o presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), André do Prado (PL); o presidente nacional do PSD e secretário de Governo de Tarcísio, Gilberto Kassab (PSD); o vice-governador Felício Ramuth (PSD); o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP); e o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos).
Veja o cenário para cada um deles:
Ricardo Nunes (MDB)

Reeleito para a prefeitura de São Paulo em 2024 com amplo apoio de Tarcísio, Ricardo Nunes tem seu nome especulado como possível candidato ao governo do Estado desde o início do ano.
Alguns movimentos do prefeito alimentaram essa possibilidade entre aliados do emedebista, como a nomeação de ex-prefeitos do ABC paulista e do interior no secretariado e a aposta na agenda da segurança pública, tendo o programa de câmeras inteligentes Smart Sampa como principal bandeira da gestão.
- Questionado em entrevistas, Nunes evita cravar que não deixará a prefeitura para a disputa, embora afirme que seu foco está na gestão municipal.
- Nos bastidores, é quase uma unanimidade entre auxiliares e aliados a avaliação de que o prefeito pode tentar se viabilizar para o Palácio dos Bandeirantes.
- Outro elemento que conta a favor do prefeito, segundo aliados, é o fato de que, caso ele saia para disputar o estado, quem sentaria na cadeira é o vice-prefeito Mello Araújo (PL), indicado por Bolsonaro para a chapa de Nunes e descrito dentro da prefeitura como um “homem do ex-presidente” na gestão municipal.
Gilberto Kassab (PSD)

Aliados do presidente nacional do PSD afirmam que a vontade de Gilberto Kassab é, um dia, ser governador de São Paulo. Para isso, uma das estratégia seria brigar pela vice da chapa em que Tarcísio disputaria a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Desta forma, em 2030, quando o governador naturalmente seria candidato à Presidência da República, Kassab assumiria o Governo de São Paulo e disputaria a reeleição já ocupando a cadeira, com a máquina mão.
- Com a chance de Tarcísio tentar o Palácio do Planalto já em 2026, no entanto, cresce a possibilidade de o cacique tentar se candidatar ao governo no próximo ano.
- Nas últimas semanas, Kassab, que é secretário de Governo do Estado e tido como um dos nomes fortes da gestão Tarcísio, tem feito acenos ao governador e a Bolsonaro.
- Segundo interlocutores, os gestos são uma tentativa de Kassab de ter o apoio da dupla em sua jornada rumo ao governo paulista.
- Em agenda em Presidente Prudente na última terça-feira (17/5), o ex-prefeito de São Paulo recebeu a medalha do “imbrochável, incomível e imorrível” de Bolsonaro, espécie de mimo com o qual o ex-presidente costuma presentear amigos e aliados. A cena foi postada pelo próprio Kassab em seu perfil no Instagram, o que chamou atenção de correligionários.
- Outro aceno que não passou despercebido foi o protagonismo de Tarcísio de Freitas nas peças institucionais do PSD que foram veiculadas na última semana em São Paulo.
André do Prado (PL)

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), se tornou um dos principais aliados de Tarcísio ao longo do mandato. No Legislativo paulista, pautou e articulou os principais projetos enviados pelo governador, como a privatização da Sabesp, a agenda de concessões de rodovias e a PEC que remanejou 5% do orçamento da Educação para a Saúde.
- Em agendas públicas de Tarcísio, Prado tem lugar de destaque, sempre sendo saudado pelo governador e fazendo discursos.
- Nos bastidores, alguns aliados afirmam que o presidente da Alesp teria a preferência de Tarcísio para ser seu sucessor e as articulações do presidente da Alesp para se viabilizar ao cargo não são segredo para ninguém nos corredores da Assembleia.
- No final de março, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se Jair Bolsonaro se tornaria réu no caso da trama golpista, André do Prado afirmou em entrevista que está “preparado” para ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes, “caso o grupo venha a me escolher”.
- Um dos entraves para a candidatura de André do Prado apontado por interlocutores é o arranjo partidário em torno da chapa para 2026. Isso porque o PL, seu partido, já teria garantida uma das candidaturas ao Senado, com o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, o que tornaria mais difícil para o partido de Valdemar Costa Neto pleitear uma cabeça de chapa ao Governo de São Paulo.
- “André é do Boy (apelido de Valdemar no meio político) e de mais ninguém, aí ele perde força”, afirmou um aliado ao Metrópoles.
Felício Ramuth (PSD)

O vice-governador é tido como um homem de confiança tanto de Tarcísio como do presidente do seu partido, Gilberto Kassab. Por isso, não costuma estar entre os mais cotados para a vaga, já almejada pelo chefe da sua legenda.
- O rito previsto pela Justiça Eleitoral, no entanto, pode favorecê-lo: caso Tarcísio decida pela candidatura à Presidência, quem assume a cadeira de governador a partir de abril de 2026 é Ramuth.
- Com a “caneta” e a máquina na mão, o pessedista pode tentar se viabilizar para a disputa.
Guilherme Derrite (PP)

A princípio, o secretário da Segurança Pública de São Paulo será candidato ao Senado. Uma candidatura ao governo paulista, no entanto, não é descartada por aliados.
Embora tenha sua gestão à frente da pasta marcada por polêmicas e desgastes ligados à violência policial e ao envolvimento de policiais em escândalos como o caso Gritzbach, Guilherme Derrite é um dos principais nomes do governo Tarcísio e costuma ser elogiado em público pelo chefe.
- O evento de filiação de Derrite ao PP, ocorrida em uma casa eventos na Vila Olímpia, bairro de luxo da capital, em 22 de maio, teve ares de lançamento de candidatura, reunido caciques e lideranças dos principais partidos de direita do País.
- Na cerimônia, o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira, defendeu em conversa com jornalistas o nome de Derrite para a disputa do Palácio dos Bandeirantes, caso Tarcísio saia para concorrer à Presidência.
- “Vamos defender legitimamente o nome do Derrite”, disse. ponderando que isso dependeria de uma construção conjunta com os outros partidos que integram o grupo político que se formou em torno de Tarcísio.
- Recentemente, Derrite deu entrevista ao programa Conversa Com Bial, da Rede Globo. A aparição do secretário no programa foi lida pelo meio político como uma tentativa de se tornar mais conhecido do grande público.
Rodrigo Manga (Republicanos)

Embora nunca tenha recebido alguma sinalização clara de apoio de Tarcísio, seu correligionário, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, tem declarado que pode ser candidato ao Governo de São Paulo em 2026.
O “prefeito tiktoker”, conhecido pela popularidade nas redes sociais, está no segundo mandato como prefeito na cidade do interior.
Além desses nomes, outros correm por fora, como o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) e os secretários de Tarcísio Artur Lima (Casa Civil) e Natália Resende (Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).
