
Tarcísio adapta caravanas para facilitar contato com prefeitos
Tarcísio passou a promover almoços e jantares com prefeitos como forma de reduzir desgaste com mandatários locais às vésperas de eleição

Após ser alvo de constantes reclamações de prefeitos ao longo do mandato, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), alterou nos últimos meses o formato dos encontros com os mandatários municipais durante caravanas pelo interior do Estado.
Desde que Roberto Carneiro, atual secretário de Governo, assumiu a dianteira da articulação política estadual, Tarcísio passou a promover almoços e jantares com prefeitos e parlamentares nas cidades onde visita para realizar entregas. De acordo com seu entorno, o objetivo é demonstrar mais proximidade e disponibilidade junto às lideranças regionais.
Antes, esses encontros eram feitos de forma mais “distante”, em anfiteatros ou espaços em que o governador recepcionava os prefeitos em cima de palanques, sem espaço para conversas mais longas e descontraídas. Até o final do ano passado, as caravanas tinham o então secretário de Governo Gilberto Kassab (PSD) como um dos principais coordenadores.
De abril para cá, já sob a gestão de Carneiro, que acumula o cargo de presidente estadual do Republicanos, partido de Tarcísio, o governador realizou ao menos nove almoços ou jantares com prefeitos.
As cidades que receberam os encontros foram Santos, São Carlos, Franca, Registro, Bauru, São Caetano do Sul, Ribeirão Preto, Campinas e Campos do Jordão. Em um deles, segundo relatos, a conversa se estendeu até o início da madrugada.
Relação com prefeitos
A relação com os prefeitos é um dos pontos sensíveis para Tarcísio na campanha eleitoral. Os mandatários locais reclamam da falta de repasses de convênios e da dificuldade em agendar reuniões com o governador. O desgaste entrou na mira do PT e do pré-candidato do partido ao governo, Fernando Haddad, como forma de sustentar que, embora com alta aprovação, Tarcísio não é “imbatível” no estado.
Nos bastidores, no entanto, o governador e seu núcleo central alegam não ter grandes preocupações com o mal-estar, pois os prefeitos saberiam reconhecer a realização de obras estruturais, como a retomada do trecho norte do Rodoanel e a realização de melhorias em rodovias, seja por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou de concessões e parcerias público-privadas.
Além disso, no entendimento de membros da pré-campanha de Tarcísio, os prefeitos que costumam vocalizar insatisfação com o governo não irão apoiar o PT quando chegar a eleição. A leitura é de que a campanha petista tem encontrado “portas fechadas” nas prefeituras onde busca apoio.

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