Eleição 2026

Tarcísio aposta em “nova política” para driblar crise com prefeitos

Em evento para prefeitos, Tarcísio fala em novo modelo de relação com gestores municipais após desgaste explorado pela campanha de Haddad

atualizado

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Pablo Jacob/Governo Estado SP
Tarcísio aposta em "nova política" para driblar crise com prefeitos
1 de 1 Tarcísio aposta em "nova política" para driblar crise com prefeitos - Foto: Pablo Jacob/Governo Estado SP

Alvo de críticas de prefeitos ao longo do mandato, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seus aliados passaram a adotar nas últimas semanas o discurso de que a atual gestão implementa um novo modelo na relação e nos repasses feitos aos municípios. A novidade, a quase oito meses do fim do mandato, seria a prioridade a obras estruturantes em vez de pequenos convênios.

A tese fala em traçar um contraste com as gestões anteriores, dominadas pelo PSDB ao longo de quase três décadas antes da ascensão de Tarcísio na última eleição. O desgaste entre prefeitos e o atual governador entrou na mira do PT e do pré-candidato do partido ao governo, Fernando Haddad, como forma de sustentar que, embora com alta aprovação, Tarcísio não é “imbatível” no estado.

Nos bastidores, o governador e seu núcleo central alegam não ter grandes preocupações com o mal-estar, pois os prefeitos saberiam reconhecer a realização de obras estruturais, como a retomada do trecho norte do Rodoanel e a realização de melhorias em rodovias, seja por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) ou de concessões e parcerias público-privadas.

“A gente já entregou 886 obras em rodovias. Significa praticamente R$ 16 bilhões que já foram investidos. É um governo que dá resultado. (…) Nada mais típico na política antiga do que assinar convênio, fazer anúncio. Principalmente quando chega em ano eleitoral. E várias vezes a estrada foi prometida e não saiu do papel. A gente não está assinando convênios, a gente está aqui assinando ordens de serviços”, afirmou Tarcísio, durante evento com prefeitos nessa terça-feira (5/5) a uma plateia cheia de prefeitos.

Efeito Garcia

Outro argumento dentro da pré-campanha de Tarcísio é de que apoio massivo de prefeitos não asseguraria vitórias nas eleições. Como exemplo, aliados do atual governador costumam citar o caso do ex-governador Rodrigo Garcia, que em 2022 perdeu o pleito ainda no primeiro turno, mesmo com a máquina estadual na mão e gozando de amplo apoio de mandatários municipais no interior paulista.

No entendimento de membros da pré-campanha de Tarcísio, os prefeitos que costumam vocalizar insatisfação com o governo não irão apoiar o PT quando chegar a eleição. A leitura é de que a campanha petista tem encontrado “portas fechadas” nas prefeituras onde busca apoio, especialmente em relação àquelas comandadas pelo PSD, cujo partido e seu presidente, Gilberto Kassab, tiveram nos últimos meses a relação com Tarcísio estremecida.

Investimento em asfalto

Enquanto demonstra tranquilidade nas conversas sobre reclamação de prefeitos, o governo Tarcísio anunciou nesta semana cerca de R$ 2 bilhões em novos investimentos em obras de rodovias. O valor engloba tanto empreendimentos diretos do estado quanto os tocados por concessões. O pacote foi embrulhado em um programa do governo batizado de SP pra toda obra.

Lançado no ano passado, a iniciativa previa inicialmente R$ 30 bilhões em cerca de 1,5 mil obras – ou 22 mil quilômetros de rodovias, de acordo com o gestão estadual. Agora, o governo Tarcísio anunciou que, no período, o pacote saltou para R$ 145 bilhões de investimentos, sendo 4,3 mil obras em 62 mil quilômetros de estrada.

Segundo a gestão, as obras variam entre pavimentação, recuperação, manutenção, duplicação e implementação de terceira faixa, entre outras melhorias.

“Não estamos mais sendo enrolados”

Para anunciar os repasses, foi realizado um evento no Palácio dos Bandeirantes (foto em destaque), sede do governo paulista, marcado por discursos que justificariam a nova política estadual em relação aos repasses aos municípios.

O prefeito de Balbinos, cidade de cerca de 4 mil habitantes, na região de Bauru, e com orçamento aprovado de R$ 32 milhões para 2026, foi convidado a falar na cerimônia e dar um “testemunho” aos presentes. Disse que os prefeitos “não estão mais sendo enrolados”.

“Eu tenho uma história interessante para contar aqui hoje, por isso fui convidado. [Sobre] essa estrada que Balbinos está assinando. É meu quinto mandato como prefeito e é a quarta vez que eu estou vindo aqui assinar convênio. (…) Só conversa fiada [sobre relações estremecidas de Tarcíso com prefeitos]. Hoje nós não estamos mais sendo enrolados. Pelo contrário, fiquei sabendo que a empresa já está lá fazendo a topografia. Não é conversa fiada”, afirmou o prefeito de Balbinos, Zé Márcio (MDB), em seu quinto mandato, aos outros prefeitos presentes.

Outra história ligada ao veterano de Balbinos vem do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em 2015, a Corte desaprovou as contas de sua então gestão. Dez anos depois, com Zé Márcio no comando, o TCE-SP mandou um alerta a seu gabinete ao identificar riscos fiscais nas contas do município.

Call center exclusivo

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, anunciou na ocasião uma linha de crédito de R$ 200 milhões voltada a obras de recapeamento e um call center para agilizar recursos aos municípios. Segundo o governo, o financiamento é emergencial e voltado a “municípios que precisam recuperar ruas e avenidas danificadas, especialmente após o período de chuvas”.

Em seu discurso, Lima alertou os prefeitos sobre a necessidade de acelerar o pedido para receber o empréstimo, para que o dinheiro possa ser liberado antes do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral.

“Peço bastante atenção aos prefeitos porque vai ser fundamental a velocidade. Por questões eleitorais, eu preciso fazer o primeiro pagamento de quem se interessar a fazer o recapeamento até 30 de junho, o primeiro pagamento, senão eu só consigo efetuar depois da eleição”, disse aos presentes.

“Para facilitar a vida de vocês, nós tiramos algumas das exigências anteriores que são possíveis, já que o recurso é do estado, não tem nada a ver com nada federal. Como esse recurso é estadual, nós facilitamos muitas documentações”, afirmou Lima.

O secretário ainda informou aos prefeitos que sua pasta criou um “call center” exclusivo para atender os gestores “nessa velocidade”. “Para poder sair até primeiro de junho, ou senão nós vamos fazer, mas aí vai virar outubro (depois da eleição). Atenção para isso”, cobrou.

Ainda de acordo com o governo, as prefeituras contempladas terão condições facilitadas de financiamento, com prazo de até 72 meses, carência de até 12 meses e suporte técnico especializado para estruturação dos projetos até a liberação dos recursos.

Além disso, outros R$ 200 milhões serão aplicados diretamente pelo governo no recapeamento de estradas, via convênios com 16 cidades.

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