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São Paulo

Suspeitos desviaram R$ 18 milhões em empréstimos do Banco do Brasil

Polícia Civil cumpre mandados contra gerente e consultor suspeitos de comandar esquema de créditos fraudulentos do Banco do Brasil

23/09/2025 08:24
Divulgação/Polícia Civil de São Paulo
Porta de entrada de edifício do Departamento de Polìcia de Proteção à Cidadania

A Polícia Civil de São Paulo realiza, na manhã desta terça-feira (23/9), uma operação contra suspeitos de desviar mais de R$ 18 milhões em empréstimos do Banco do Brasil. Segundo a investigação, 24 empresas foram beneficiadas com concessões de créditos.

A equipe do 3° Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) cumpre cinco mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens e valores dos investigados.

A investigação, iniciada a partir de uma auditoria realizada pelo próprio banco, aponta que um então gerente de relacionamento teria liberado 70 operações de crédito fraudulentas para empresas de fachada, somando mais de R$ 18 milhões. A auditoria interna revelou que as companhias beneficiadas não existiam de fato.

O gerente era o responsável pela aprovação e liberação dos empréstimos. Segundo a apuração, ele utilizou documentos e dados cadastrais inconsistentes, sem adotar os procedimentos de segurança exigidos pela instituição financeira.

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De acordo com o Banco do Brasil, as investigações iniciaram a partir de apuração interna que detectou irregularidades as quais foram comunicadas às autoridades policiais. “O BB possui processos estabelecidos para monitoramento e apuração de fraudes contra a instituição, adotou todas as providências no seu âmbito de atuação e colabora com as investigações do caso”, disse, em nota.

Gerente e esposa receberam R$ 1,5 milhão, aponta investigação

Quando questionado, o gerente alegou que as empresas foram indicadas por um “consultor financeiro” e que agiu sob pressão para cumprir metas. A investigação financeira, no entanto, revelou que o gerente recebeu transferências de valores que totalizaram quase R$ 1,5 milhão.

Parte do dinheiro foi enviada diretamente pelo consultor, e outra parte veio diretamente de ao menos duas das empresas que o próprio gerente beneficiou com os créditos fraudulentos.

O consultor financeiro apontado pelo gerente é considerado peça central do esquema, segundo o DPPC. A investigação mostrou que ele recebeu aproximadamente R$ 1,27 milhão de pelo menos 10 das 24 empresas listadas como suspeitas pelo banco. Posteriormente, o suposto consultor repassou a maior parte desses valores para o gerente e para a esposa dele.

Além de receber e repassar o dinheiro, a apuração indica que o suposto consultor também “capitalizava” outras empresas do esquema, garantindo a liquidez necessária para a continuidade das fraudes.

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A esposa do gerente também foi beneficiada com recursos do esquema. Ela recebeu R$ 325 mil diretamente do suposto consultor. Junto, o casal teria embolsado quase R$ 1,5 milhão.

Durante as investigações, os policiais descobriram que 16 das 24 empresas listadas pelo Banco do Brasil não estavam estabelecidas nos endereços registrados, apesar de 12 delas figurarem como ativas na Receita Federal.

Apenas na cidade de Santo André, no ABC, a investigação identificou quatro das empresas investigadas em endereços vizinhos na mesma rua — a Rosa de Siqueira, no bairro Campestre.