Banco Master: procurado por lavagem de dinheiro é preso em SP. Vídeo
Procurado por crimes financeiros supostamente ligados ao Banco Master foi preso após ação conjunta da PM e PF, nesta quinta (26/3)
atualizado
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Um homem procurado pela Justiça por suspeita de envolvimento em crimes financeiros, incluindo relação com esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligada ao Banco Master, foi preso pela Polícia Militar (PM), nesta quinta-feira (26/3), na zona sul de São Paulo. A ação ocorreu após troca de informações com a Polícia Federal (PF), que auxiliou na identificação do suspeito.
De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, o suspeito foi localizado dentro de um apartamento na Rua Luiz Migliano, região da Vila Andrade. O indivíduo já era considerado foragido da Justiça e teria participação em supostos esquemas de crimes financeiros.
A PM informou que a abordagem foi realizada por equipes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M). Ainda segundo os agentes, o mesmo indivíduo teria também envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme vídeo divulgado no perfil do batalhão nas redes sociais. Veja:
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Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à sede da PF, na Lapa, na zona oeste da capital paulista. Procurada, a Polícia Federal informou que não comenta ações realizadas por outras forças policiais, mesmo quando as ocorrências são posteriormente encaminhadas à corporação para formalização.
Ainda conforme apuração da reportagem, o suspeito foi identificado como Edmilson Souza de Oliveira, de 50 anos. Contra ele havia um mandado de prisão temporária expedido pela Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por meio da 5ª Vara Federal de Santos, que atua em casos criminais, do júri, execuções penais e crimes contra o sistema financeiro.
A decisão judicial determinou a prisão pelo prazo inicial de 30 dias, no âmbito de uma investigação que apura crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional. O mandado também autorizou a apreensão de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos dos investigados para análise pericial.
Entenda a situação do Banco Master
- O Banco Master enfrentou grave crise de liquidez ao longo do ano passado, que tornou o cumprimento de suas obrigações financeiras diárias impraticável e colocou em risco os depósitos e compromissos com investidores.
- A instituição dependia de aportes do FGC para manter operações mínimas, mas a situação se deteriorou rapidamente devido ao acúmulo de passivos e à fragilidade da governança interna. Diante desse cenário, o BC decretou a liquidação extrajudicial em novembro de 2025, encerrando a atividade da instituição.
- Antes da liquidação, houve tentativa de venda do banco ao BRB como forma de reorganização financeira e transferência de controle. A operação, no entanto, envolvia passivos superiores a R$ 50 bilhões e não conseguiu avançar devido à complexidade dos riscos e à falta de garantias suficientes.
- A liquidação pelo Banco Central marcou o encerramento dessas negociações e a intervenção direta na administração do banco.
- Além da crise financeira, o caso do Banco Master se tornou um escândalo político de grande repercussão. Investigações indicaram a existência de irregularidades na gestão da instituição e a participação de agentes ligados à esfera política, incluindo tentativas de facilitar operações de alto risco e influenciar decisões sobre a transferência de controle do banco.
- O episódio provocou grande repercussão no Congresso Nacional e gerou questionamentos públicos sobre a condução das operações e a atuação do Banco Central.
Trajetória de Vorcaro na cadeia
Vorcaro foi preso, no dia 4 de março pela Polícia Federal (PF), na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades na gestão do Master e um suposto rombo de até R$ 40 bilhões no sistema financeiro.
Ele foi detido na casa onde mora, nos Jardins, um dos bairros mais caros de São Paulo, e levado para a Superintendência da PF, na zona oeste da capital, onde o cunhado dele, o pastor Fabiano Zettel, entregou-se no fim da manhã. Zettel é considerado o número 2 no esquema.
Os dois deixaram as instalações da corporação em uma viatura descaracterizada e foram levados ao Fórum da Justiça Federal para audiência de custódia.
Na audiência, foi mantida a prisão preventiva pedida pela PF e autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O magistrado assumiu a relatoria do caso após ser identificada relação próxima entre o ministro Dias Toffoli e os alvos da investigação. Do fórum, Vorcaro e Zettel foram levados para o Complexo Penal II de Guarulhos, pouco antes das 17h de quarta-feira, em um carro funcional da PF, com grades nas janelas. Para evitar registros pela imprensa, os acusados chegaram “encapuzados”, cobrindo os rostos com camisetas.
No dia seguinte, na quinta-feira (5/3), Vorcaro e Zettel foram transferidos para a Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba. E, na sexta-feira (6/3), o dono do Master deixou, sozinho, o sistema penitenciário paulista e foi encaminhado para um presídio federal em Brasília.














