“Super El Niño” pode afetar ainda mais abastecimento de água em SP

Chance de que ocorra um “Super El Niño”, mais forte que o comum e com seca, aumenta a preocupação sobre o abastecimento de água em SP

atualizado

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1 de 1 Imagem mostra Sistema Cantareira - Metrópoles - Foto: Divulgação/Sabesp

A possibilidade de um El Niño muito mais intenso que o comum ao longo do segundo semestre deste ano acende mais um alerta em relação ao abastecimento de água na Grande São Paulo, em especial sobre o Sistema Cantareira.

Tudo porque a ocorrência de veranicos e períodos maiores de estiagem passam a ser mais frequentes no estado de São Paulo, quando o fenômeno está ativo. Entretanto, antes mesmo de um El Niño, o atual trimestre já desperta a atenção das autoridades, por previsão de que chova praticamente metade do que ocorre normalmente entre abril e junho. A região metropolitana já passa por uma redução de pressão no fornecimento de água das 19h às 5h.

De forma geral, o El Niño provoca o aquecimento incomum das águas superficiais do Oceano Pacífico na região equatorial, com alteração nos ventos e na circulação atmosférica, entre outros. No Brasil, Norte e Norte passam a ter secas mais severas, o Centro-Sul (onde fica o Sudeste) tem estiagens prolongadas e o Sul encara chuvas mais intensas.

Estiagens e veranico entre o fim do período seco e início das chuvas podem afetar diretamente a recuperação dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, sobretudo do Cantareira, que passa novamente por um período crítico.

O Cantareira tinha 43,7% de sua capacidade nessa segunda-feira (13/3), muito aquém dos 58,6% registrados há exato um ano. A diferença representa aproximadamente 147 bilhões de litros, água suficiente para abastecer toda a região metropolitana de São Paulo por cerca de 40 dias, já considerando as perdas durante a distribuição.

A situação só não é pior porque o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) está apenas 3,5 pontos percentuais abaixo do registrado no ano passado. Mesmo com o seu principal manancial em crise, a Grande SP consegue se socorrer de outras fontes por enquanto, como o Guarapiranga e Alto Tietê, em melhores condições que na mesma época de 2025. A interligação dos sistemas dá mais resiliência agora, na comparação com a grande crise hídrica de 2014 e 2015.

Previsão de El Niño

Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Melk Duarte afirma que El Niño costuma ter efeito indireto em São Paulo. Mesmo assim, em anos que registram o fenômeno, há um aumento na quantidade de bloqueios atmosféricos no estado, diminuindo a ocorrência das chuvas.

Segundo Duarte, ainda não há prognóstico que possa mensurar o quanto de chuva São Paulo deverá receber, mas já se estima a força do próximo El Niño. “Ainda é um pouco cedo para falarmos da intensidade, mas a expectativa é de que seja no mínimo forte, podendo chegar a muito forte”, afirma.

Um El Niño normal é aquele em que a temperatura das águas superficiais do Pacífico na região equatorial fica a partir de 0,5°C mais elevada. Quando as temperaturas estão acima de 1,5°C a 2°C, é caracterizado como forte. Mais do que 2°C, é muito forte.

Duarte diz que as consequências do aquecimento das águas começam a surgir após dois meses do início do fenômeno. A previsão é que isso se dá por volta de setembro.

Professor da Unicamp e especialista em gestão de recursos hídricos, Antônio Carlos Zuffo diz que, no momento, seria um “exercício de futurologia” tentar prever a força e o consequente impacto do El Niño no abastecimento da Grande SP. Entretanto, aponta um cenário.

“Como o Sol está saindo de seu máximo (maior número de manchas solares), ainda deveríamos esperar chuvas abaixo da média, mas ambas são informações qualitativas. Só saberemos mesmo no final do próximo verão”, diz.

SP Águas

A SP Águas, do governo estadual, diz que monitora continuamente as condições do El Niño Oscilação Sul (ENOS). “Conforme o relatório de abril de 2026 da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o cenário atual é de transição de condições de La Niña para uma fase de neutralidade, que deve persistir com cerca de 55% de probabilidade no trimestre entre maio e julho”, diz.

Segundo a SP Águas, de junho a agosto, as projeções indicam uma probabilidade de 62% para o estabelecimento do fenômeno El Niño, com tendência de permanência até o final do ano.

“É importante ressaltar, contudo, que a ocorrência de um evento de forte intensidade ainda não é garantida pelos modelos do Centro de Previsão Climática da NOAA”, afirma.

Antes mesmo de um eventual El Niño, já existe uma preocupação mais imediata. A agência do governo estadual diz que modelos meteorológicos do CPTEC/Inpe e do Inmet apontam para um trimestre, de abril a junho, com probabilidade de 40% a 45% de redução nas chuvas, com déficits que podem chegar a 50 mm.

“Somado a isso, há uma previsão de aumento na temperatura do ar entre 0,4°C e 0,6°C acima da média histórica. Este aquecimento é acompanhado de perto, pois pode intensificar a evaporação nos reservatórios e elevar a demanda de consumo na Grande São Paulo”, afirma.

A SP Águas diz que atua de forma preventiva e que protocolos e modelos de projeção incorporam cenários hidrológicos de “maior severidade e variabilidade climática”.

“Dessa forma, as estratégias de retirada de água e o manejo operacional do sistema já consideram as condições adversas projetadas, visando garantir a segurança hídrica da região sem a necessidade de alterações extraordinárias nos protocolos vigentes neste momento”, diz, em nota.

Já a Sabesp não trata especificamente sobre a possibilidade de El Niño, mas cita uma série de obras para aumentar a resiliência hídrica na Grande São Paulo.

Responsável por estabelecer os limites de retirada de água do Cantareira, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) recomendou que a reportagem procurasse o Inpe, o Inmet e o Cemaden para tratar a respeito do El Niño.

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