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São Paulo

SP: delegada é investigada por suspeita de usar viatura para ir à academia

Delegada Gilmara Natália Batista dos Santos é alvo de investigação do Ministério Público (MPSP) e da Corregedoria da Polícia Civil

29/10/2026 02:30
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São Paulo — O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Corregedoria da Polícia Civil investigam a delegada Gilmara Natália Batista dos Santos (foto de destaque), atualmente à frente da Delegacia de Defesa da Mulher de Itapira, no interior do estado, por uma série de denúncias de irregularidades — entre elas, o suposto uso de viatura descaracterizada para fins particulares (as denúncias citam destinos como academia e aeroporto), o não comparecimento regular ao trabalho e a má distribuição de casos que teriam prejudicado o andamento de investigações.

A investigação do MPSP começou em julho deste ano, a partir da denúncia de um delegado que atua na região. O documento com as primeiras denúncias, ao qual o Metrópoles teve acesso, foi enviado simultaneamente ao MPSP e à Delegacia Seccional de Mogi Guaçu (responsável pela circunscrição de Itapira). Na época, a Seccional era comandada pela delegada Edna Elvira Salgado Martins, transferida em setembro para Campinas — até então, nenhuma medida em relação a Gilmara tinha sido tomada.

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Atualmente na DDM, Gilmara já acumulou o cargo com a função de titular da Delegacia Central de Itapira, município com cerca de 72 mil habitantes.

Uso irregular de viatura

As investigações apuram, entre outras coisas, os relatos de que a delegada estaria usando uma viatura descaracterizada da Polícia Civil para fins particulares, como trajetos até a academia e o deslocamento para aeroporto em viagem internacional fora dos interesses da corporação.

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O caso é acompanhado pela promotora de Justiça de Itapira, Fernanda Sumi Barbosa Klein Gunnewiek. O pedido de esclarecimentos à Seccional de Mogi Guaçu foi feito pelo MPSP em 4 de agosto. O documento questiona, entre outras coisas, por quais delegacias Gilmara respondia, se havia autorização para trabalhar em regime de home office e sua escala presencial do último ano.

Em nota ao Metrópoles, o MPSP confirmou que “foram solicitadas informações junto à Seccional de Mogi Guaçu”. O texto, contudo, não informa se os questionamentos foram respondidos.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que a Corregedoria instaurou “procedimento correcional” para apurar eventuais irregularidades em relação à conduta profissional da delegada Gilmara.

A pasta esclareceu, ainda, que a delegada já prestou depoimento e o caso segue sob investigação. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade, a integridade e a correta e necessária elucidação dos fatos”, destacou.

A reportagem enviou e aguarda retorno da delegada Gilmara. O espaço segue aberto para manifestação.

“Episódios excepcionais”

As ausências e atrasos da delegada, de acordo com as denúncias, teriam levado algumas operações e diligências a “episódios excepcionais”. Em um dos casos relatados, um suspeito de violência doméstica atentou contra a própria vida durante operação policial, deflagrada pela DDM e a Delegacia Central, em 12 de junho deste ano.

Segundo as denúncias, a chegada da delegada à cena do crime aconteceu apenas após 1h30 da comunicação do fato. Outros policiais civis, peritos e familiares do homem aguardavam Gilmara para acessar o local. Se a delegada tivesse chegado a tempo, acreditam os denunciantes, o crime poderia ter sido evitado.

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Dias depois desse episódio, a delegada teria acompanhado, apenas a distância, os relatos sobre a fuga de um adolescente de dentro do distrito policial. Na tentativa de capturá-lo, houve disparos de arma de fogo e perseguição a pé. Ela era a responsável pela delegacia na ocasião e não compareceu ao local, segundo as denúncias recebidas.

Em outra situação, o MPSP e a Prefeitura de Itapira teriam solicitado à polícia local a investigação sobre um grupo que realizava encontros ilegais que incluíam, segundo as denúncias, venda de drogas, bailes funk, álcool para menores, porte irregular de armas e disputa de rachas.

Uma operação para apurar as denúncias teria sido deflagrada por Gilmara apenas seis meses depois e, na ocasião, apenas dois veículos foram apreendidos. Ninguém foi preso.