Delegado recém-empossado atira em jovens durante abordagem a moto em SP.
Delegado disse ter tido braço puxado por rapaz durante abordagem a moto em Guarulhos e que tiro foi acidental. Ele foi empossado mês passado

São Paulo — Um delegado recém-empossado na Polícia Civil de paulista atirou contra dois jovens durante abordagem a uma motocicleta em Guarulhos, na região metropolitana da São Paulo, na manhã do último domingo (18/10). Segundo ele, o tiro foi acidental e ocorreu após ter tido o braço puxado pelo condutor da moto.
O agente foi empossado no mês passado, como mostra publicação do Diário Oficial.
Parte da ação foi flagrada por câmeras de segurança. Veja o vídeo:
Segundo o boletim de ocorrência, o delegado estava junto de um investigador em uma viatura da Polícia Civil transitando pela rua Tapajós em diligências para apurar um homicídio. Os agentes flagraram duas motocicletas emparelhadas com os condutores se comunicando entre si, o que levantou a suspeita de roubo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPOs policiais deram ordem de parada, que teria sido ignorada. Na Avenida Tiradentes, uma das motocicletas reduziu a velocidade e a viatura se aproximou. Quando os veículos estavam lado a lado, o condutor da moto teria puxado o braço do delegado Carlos Eduardo Martins Filho, de 33 anos.
Na tentativa de se desvencilhar, e com medo de perder a arma funcional, o delegado causou o disparo, que atingiu Luan Gomes Santos Cardoso, 22, e Gabriely Gonçalves Zaneli, 18. A dupla seguiu alguns metros adiante até cair ao chão e ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Nenhum item ilícito foi encontrado com os dois. O condutor da outra moto, que havia escapado da abordagem inicial, foi abordado posteriormente. Nada ilícito foi encontrado com ele também.
Até esta quarta-feira (21/10), os jovens baleados seguiam internados em hospitais de Guarulhos. Segundo informações, Luan está em estado grave. Gabriely foi baleada na perna esquerda e sofreu uma fratura no fêmur direito. Ela deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sente dores de cabeça por conta da colisão gerada na queda, como informou o pai dela ao Metrópoles.
O caso foi registrado como localização/apreensão de veículo, desobediência, resistência e disparo de arma de fogo no 1º Distrito Policial de Guarulhos.
Polícia reforça que disparo foi acidental
Ao registrar o caso, o delegado Pedro Barbosa de Medeiros Lima, do 1º DP de Guarulhos, apontou que a abordagem e a medida adotada pelos policiais foram legítimas, pois estavam amparadas em suspeita fundamentada da prática de roubo. O boletim de ocorrência destaca que a viatura emitiu sinais sonoros e luminosos, o que não é possível ver nas imagens captadas por câmeras de segurança (veja vídeo acima).
“Há indícios do descumprimento de ordem legal de parada, emanada de funcionário público no exercício da função, e, em relação a um dos ocupantes da motocicleta, do emprego de violência contra o delegado de polícia, ao puxar seu braço pela camisa, para impedir a execução do ato legal”, destacou a autoridade.
O delegado acrescentou que, embora a conduta policial tenha sido legítima, “o disparo de arma de fogo, por ter atingido duas pessoas, deve constar da natureza da ocorrência, para que o fato seja devidamente apurado e documentado”.
Lima destacou que as versões do delegado e do investigador coincidem, e que o disparo ocorreu “em ato reflexo”. “Essa circunstância é compatível com a ausência de intenção de atingir quem quer que fosse, até porque o projétil atingiu ambos em suas pernas, região não letal, e será esclarecida pelos exames periciais requisitados”, afirmou a autoridade policial.

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Ver todasPai de jovem baleada pede respostas
Egner Zaneli, pai de Gabriely, disse ao Metrópoles que lhe causa revolta “a quantidade de perguntas que ainda precisam ser respondidas” e que, indignado, vai lutar até conseguir respostas. “Como esse disparo aconteceu? Por que minha filha foi atingida? E o que as imagens e as perícias vão revelar?”, questionou.
“Minha filha precisou passar por uma cirurgia, está sofrendo e a nossa família está vivendo momentos de angústia. Não consigo aceitar que tudo isso fique resumido a uma versão no papel, sem que cada detalhe seja rigorosamente investigado”, destacou.
Zaneli disse exigir que exigir “que a verdade apareça, que as provas sejam preservadas e que haja uma investigação transparente, independentemente de quem esteja envolvido. Porque a vida da minha filha não pode valer menos por estar envolvido um agente da lei. Quem tem o dever de proteger também precisa responder pelos seus atos”, afirmou.








