SP aprova tombamento de 4 terreiros de religiões de matriz africana
Terreiros reconhecidos pelo município preservam tradições afro-brasileiras há décadas e são considerados espaços de memória e resistência

Quatro terreiros de religiões de matriz africana da cidade de São Paulo passarão a integrar a lista de patrimônios protegidos pelo município. A decisão foi aprovada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP), que reconheceu o valor histórico, cultural, religioso e social desses espaços para a capital paulista.
A decisão foi aprovada durante uma reunião do conselho e garante proteção ao Ilê Dara Asè Òsún Eyin, em Sapopemba (zona leste); ao Ilê Asé Omo Igbo Omi, em Ermelino Matarazzo (zona leste); ao Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, no Cangaíba (zona leste); e ao Terreiro de Candomblé Santa Bárbara, na Brasilândia (zona norte). Segundo o CONPRESP, esses espaços são referências importantes para a preservação das tradições afro-brasileiras e têm papel fundamental na manutenção da memória, da identidade cultural e da religiosidade das comunidades negras em São Paulo.
Os processos foram elaborados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), que levou em consideração aspectos como a continuidade das práticas religiosas, a preservação dos elementos simbólicos e arquitetônicos dos terreiros, além da atuação social e comunitária desenvolvida por essas casas ao longo dos anos. O conselho também destacou a contribuição dos terreiros no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.
Patrimônios vivos da cidade
Entre os espaços reconhecidos, está o Ilê Dara Asè Òsún Eyin, fundado pelo babalorixá Pai Cido de Oxum, considerado uma das referências do candomblé queto na região de Sapopemba desde a década de 1980. Além da atuação religiosa, Pai Cido ficou conhecido pela divulgação da cultura afro-brasileira por meio de rádios, jornais, livros e registros sonoros de cânticos dedicados aos orixás.
Já o Ilê Asé Omo Igbo Omi, liderado por Mãe Izis de Logunedé, foi reconhecido pela preservação da tradição iorubá e pela arquitetura inspirada nos compounds africanos, além da integração entre práticas do candomblé e da umbanda. O Terreiro de Candomblé Abassá Oxum Oxóssi, fundado por Mãe Caçulinha e atualmente conduzido por Mãe Kátia, também teve sua relevância destacada por preservar a tradição angola e representar a trajetória histórica de mulheres negras na consolidação do candomblé paulista.
Com a aprovação do tombamento, os espaços passam a contar com proteção patrimonial, garantindo a preservação de seus elementos sagrados e reconhecendo os terreiros como patrimônios vivos da cidade. As resoluções aprovadas pelo CONPRESP também preveem que as adaptações necessárias para a continuidade das atividades religiosas e comunitárias sejam respeitadas, permitindo que os espaços mantenham suas tradições e funções sociais.

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