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SP adota bico oficial linha-dura e quer PM “visível” a todos no centro

Coronel exige permanência em ponto fixo, colete e mudança de postura para ter mais visibilidade e dar sensação de segurança nno centro

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William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra viatura da Polícia Militar, com giroflex acesso - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra viatura da Polícia Militar, com giroflex acesso - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

São Paul0 — O bico oficial da Polícia Militar, chamado oficialmente de Atividade Delegada, está passando por mudanças, após 14 anos de parceria com a Prefeitura de São Paulo e uma escalada de insegurança na região central da cidade, assolada pelos reflexos do que acontece na Cracolândia.

Um comando linha-dura em relação ao posicionamento da tropa e mais visibilidade policial em pontos de atenção são as medidas que vêm sendo implementadas desde o início deste mês. A transformação é encabeçada pelo coronel da reserva da PM Celso Luiz Pinheiro.

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Policiais agora devem montar guarda exatamente no ponto indicado pelo coronel, diferentemente do que acontecia até então. “O policial estava com toda a liberdade do mundo para atuar na área. E aí o que acontece, meu amigo, é que a gente precisa ter uma doutrina”, diz. “Na nossa visão, a população precisa saber pelo que está pagando. O dinheiro sai dos cofres públicos [da prefeitura] e tenho que saber onde está o efetivo”, completa.

A mudança implementada por Pinheiro não se restringe à necessidade de o policial seguir fixo no local indicado. “A gente está trabalhando numa questão postural, cuidados indispensáveis à segurança, como não atuar em inferioridade numérica, não se distrair com celular, não fazer rodinhas, enquanto as coisas estão acontecendo aqui ao lado”, afirma. Segundo o coronel, isso não é nada diferente do que é ensinado pela corporação.

Também é cobrado o uso de colete refletivo, para que o PM se torne mais visível e não “suma” em meio da multidão. “Já vieram algumas ideias, como colocar botom, braçal. Não, pô, o colete é padronizado, por que vou inventar moda?”, questiona.

Em 2023, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) passou a investir pesadamente na Atividade Delegada, dobrando o número de vagas disponíveis no bico oficial da PM — são 2.400 agentes atualmente, sendo 1.579 apenas na área da Subprefeitura da Sé, onde as mudanças estão sendo implementadas primeiramente.

A competência sobre o programa é da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, que cuida da parte administrativa, como planilhas de pagamento. Agora, existe também uma coordenadoria de governança da Atividade Delegada, sob o comando de Pinheiro, em uma sala de vidro no 12º andar da sede da Prefeitura, com janela virada para o Viaduto do Chá. É lá que está sendo desenvolvida a visão estratégica e operacional. Ou seja, onde e como atuar em campo.

A Atividade Delegada é responsável pela fiscalização do comércio ambulante, em complemento ao que é feito pela Guarda-Civil Metropolitana (GCM). Entretanto, a presença ostensiva de PMs acaba por ter efeito também no aumento da sensação de segurança da população, daí policiais terem sido pulverizados em 182 pontos, distribuídos por nove áreas de interesse de segurança pública do centro. Eles atuam, no mínimo, em dupla.

A mais recente das áreas estratégicas é a Avenida Paulista, que conta com 358 vagas de bico oficial disponíveis para policiais atuarem em 35 pontos.

A distribuição leva em conta a boa cobertura da área. Na Rua Santa Ifigênia, uma das assistidas, por exemplo, são oito pontos. A disposição também segue um critério. “Onde tem concentração de comércio ambulante e onde policial possa estar visível e acessível, tendo domínio pleno do que acontece num raio de 100, 150 metros”, diz Pinheiro.

Segundo Pinheiro, também haverá ajustes para que os PMs dispostos nos locais cobertos pela operação delegada não se sobreponham à presença de integrantes dos batalhões de área e da própria GCM.

Trabalho

Policiais ouvidos pela reportagem nas ruas da região central se dividem sobre a linha-dura. Alguns lamentam o fato de serem obrigados a ficar parados oito horas por dia em um único ponto, outros compreendem a importância de se tornarem mais visíveis para a população, aumentando a sensação de segurança.

Para o coronel, é preferível uma tropa engajada em relação às novas posturas, mesmo que isso signifique adesão menor à Atividade Delegada. “Sinceramente, se tiver 50 [PMs] efetivamente desempenhando o papel, estou mais feliz do que ter 100 sem apresentar resultados, sem serem ostensivos, sem ajudar o cidadão, sem prestar informação, sem acolher o ambulante”, afirma.

O coronel da reserva diz que o próximo passo é ir para as ruas ver como as coisas estão funcionando na prática. “Vou aqui no Triângulo Histórico, pegar o comandante da Atividade Delegada e falar: ‘filho, vamos passear, onde é que está o pessoal?’ Qual o grande impacto positivo que estou vendo? É o pessoal no terreno, o efetivo está distribuído. Até pouco tempo atrás, isso não era tão visível”, diz.

“Ficamos esses 14 anos muito engessados. O que faz a boca torta é o uso do cachimbo. A gente não tem o objetivo de estender a culpa para ninguém. É que, realmente, nesses 14 anos, a prefeitura, a PM e a GCM nunca tiveram esse viés de criar um setor para dizer ‘o efetivo aqui precisa ser mudado para lá'”, afirma o coronel.

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