Sócia de médica da maquiadora morta é ligada a vítima de PMMA

Sócia de Tábita Nunes realizou procedimento de correção glútea e celulite com PMMA em mãe de vereador que morreu após complicações em Goiás

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Maquiadora Roseli Fernandesde Oliveira Romeiro (esquerda) e Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga (direita)
1 de 1 Maquiadora Roseli Fernandesde Oliveira Romeiro (esquerda) e Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga (direita) - Foto: Reprodução / Redes Sociais

A sócia da médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, responsável pelo procedimento estético que levou à morte da maquiadora Roseli Fernandesde Oliveira Romeiro Vieira, já esteve envolvida em outro caso que terminou em óbito após aplicação de PMMA. A médica Eline Correa Bandeira foi apontada como responsável pelo procedimento realizado em Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga, mãe do vereador Júnior Gonzaga, que morreu em Goiânia.

O procedimento foi realizado em 2023 no Instituto de Longevidade, clínica que tem Eline e Tábita como sócias-administradoras. Isabel passou por uma correção glútea com aplicação de PMMA e também por uma subcisão — técnica utilizada para amenizar celulites e irregularidades na pele.

Em consulta ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Tábita aparece registrada com CRM de Goiás e tem autorização para atuar profissionalmente em São Paulo. Foi na capital paulista que ela alugou uma sala dentro de uma clínica — em um prédio comercial no Brooklin, zona sul da cidade — para realizar o procedimento na maquiadora. Assim como Eline, sua sócia Tábita possui pós-graduação em dermatologia, mas não tem residência médica na área.

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Médica Eline Correa Bandeira
Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga, mãe do vereador Júnior Gonzaga,
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Sintomas parecidos

Ao Metrópoles, o vereador Júnior Gonzaga afirmou que na época a mãe começou a apresentar sinais de complicações poucos dias após o procedimento em Goiânia. Segundo ele, Isabel reclamava de sangramentos constantes, falta de ar, palpitações e episódios de fraqueza, mas, mesmo assim, continuava sendo liberada pela clínica após atendimentos rápidos.

O relato lembra, em parte, o que aconteceu com Roseli em São Paulo, na última terça-feira (26/5). De acordo com o boletim de ocorrência, a maquiadora começou a apresentar dores intensas, fraqueza, chiado no peito, sensação de falta de ar e taquicardia horas após o procedimento estético realizado por Tábita. Em um dos momentos, segundo o boletim, Roseli chegou a dizer para a filha que achava que iria morrer.

 

O Metrópoles procurou as sócias Eline Correa Bandeira e Tábita Nunes Marcolino Jorge para esclarecer a relação profissional entre ambas e os casos envolvendo procedimentos com PMMA, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem — que também tentou contato com o Instituto de Longevidade. O espaço segue aberto para manifestações.


Morte em hall de prédio

  • A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu após passar mal depois de realizar um procedimento estético no Brooklin, zona sul de São Paulo.
  • Segundo a polícia, Roseli havia realizado uma remodelação corporal com aplicação de PMMA nos glúteos e na parte posterior das coxas.
  • O procedimento foi realizado pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, que possui pós-graduação em dermatologia, mas não residência médica na área.
  • Após apresentar complicações na manhã seguinte ao procedimento, a maquiadora foi orientada a retornar à clínica para uma nova avaliação.
  • Durante o trajeto até o prédio comercial onde funciona o consultório, Roseli perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo.A mulher chegou desacordada ao hall do empreendimento e sofreu uma parada cardiorrespiratória no local.
  • O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, e exames periciais devem apontar a causa da morte.

Uso de PMMA

Segundo o boletim de ocorrência, o procedimento realizado na maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira utilizou Polimetilmetacrilato (PMMA), substância conhecida por ser aplicada em procedimentos de preenchimento e remodelação corporal. De acordo com a investigação, foi usado o produto em formato de gel e concentração de 30%.

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A médica Tábita Nunes afirmou que o procedimento estético foi realizado na manhã de ontem (25) sem qualquer intercorrência
Maquiadora morreu após preenchimento nos glúteos com PMMA, diz B.O.
Tábita Nunes compartilhou nas redes sociais fotos do procedimento feito em Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira
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A médica Tábita Nunes afirmou que o procedimento estético foi realizado na manhã de ontem (25) sem qualquer intercorrência
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A médica Tábita Nunes afirmou que o procedimento estético foi realizado na manhã de ontem (25) sem qualquer intercorrência

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Maquiadora morreu após preenchimento nos glúteos com PMMA, diz B.O.
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Maquiadora morreu após preenchimento nos glúteos com PMMA, diz B.O.

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Ainda conforme o registro policial, cerca de 300 ml da substância foram aplicados em uma única sessão. O material foi distribuído entre os glúteos e a parte posterior das coxas da paciente, sendo 120 ml em cada glúteo e 30 ml em cada coxa. A aplicação teria sido feita diretamente na musculatura das regiões.

O boletim também aponta que foram utilizadas cerca de 100 seringas de 3 ml para realizar o procedimento. Em depoimento, a médica Tábita Nunes Marcolino Jorge afirmou que o volume aplicado estaria dentro do limite permitido por sessão e declarou considerar o PMMA um produto seguro.

Segundo a médica, o uso da substância não é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, embora exista recomendação contrária do Conselho Regional de Medicina para aplicações com finalidade estética. Ela também afirmou à polícia que o procedimento realizado seria considerado não invasivo e utilizado para “pequenas correções” corporais.

O que diz a Anvisa

O polimetilmetacrilato é um polímero plástico sintético derivado do petróleo. Como preenchedor, ele é usado em forma de gel, em que microesferas ficam suspensas em solução de colágeno bovino, carboximetilcelulose ou hidroxietilcelulose.

O uso do PMMA é autorizado pela Anvisa apenas para tratamento reparador, em casos de:

  • Correção volumétrica facial e corporal, para tratar alterações de volume provocadas por sequelas de doenças como a poliomielite.
  • Correção de lipodistrofia, situação em que há concentração anormal de gordura em algumas partes do corpo, provocada pelo uso de medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/Aids.

A agência reguladora determina que a aplicação deve ser feita por um médico ou odontólogo habilitado. O profissional é o responsável por determinar a quantidade necessária para cada paciente, conforme a Anvisa.

Em janeiro do ano passado, o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) enviou à Anvisa uma recomendação para proibir o uso do polimetilmetacrilato como substância preenchedora. No texto, a autarquia reforça que o uso da substância “pode causar edemas locais, processos inflamatórios, telangiectasias, cicatrizes hipertróficas, reações alérgicas e formação de granuloma. Estas reações podem ser imediatas, mediatas ou tardias”.

Também no documento, o CFBM disse reconhecer a importância do uso do PMMA para o tratamento da lipodistrofia relacionada ao HIV/Aids, mas que hoje existem outras substâncias mais modernas e com melhor perfil de segurança.

O que diz a médica

Em nota, a médica Tábita Nunes Marcolino Jorge afirmou que o procedimento realizado na maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira ocorreu “sem qualquer intercorrência” e que a paciente recebeu alta consciente, conversando e sem apresentar queixas após a aplicação estética.

Segundo o comunicado, Roseli teria permanecido bem durante o restante do dia e da noite após o procedimento realizado na segunda-feira (25/5). A defesa também afirmou que, na manhã seguinte, ao ser informada sobre um mal-estar, a médica orientou que a paciente retornasse imediatamente ao consultório para avaliação.

Ainda de acordo com a nota, Roseli teria desmaiado apenas durante o trajeto de carro por aplicativo até a clínica. A defesa afirma que, ao chegar desacordada ao prédio comercial, Tábita iniciou manobras de reanimação cardíaca e acionou o SAMU.

O comunicado também destaca que a investigação ainda está em estágio inicial e afirma que não há, até o momento, nenhum laudo que comprove relação entre o procedimento estético e a morte da maquiadora. A defesa informou ainda que a médica se apresentou voluntariamente à polícia, prestou depoimento e entregou documentos para auxiliar na

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