Sistema Cantareira volta a ficar abaixo de 20% em meio à seca em SP

Com volume de água abaixo de 20%, Cantareira corre o risco de entrar no nível mais restritivo de operação e sobrecarregar outros mananciais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Sabesp
Imagem colorida mostra o Sistema Cantareira, em São Paulo. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra o Sistema Cantareira, em São Paulo. Metrópoles - Foto: Divulgação/Sabesp

O Sistema Cantareira voltou a ficar abaixo dos 20% de sua capacidade, nesta quinta-feira (8/1). O índice registrado esta manhã, de 19,9%, está no mesmo patamar verificado há um mês. Apesar do avanço do verão, a seca persiste e as represas têm recebido menos água do que o previsto para o período, o que aumenta o risco de desabastecimento.

Sistema Cantareira volta a ficar abaixo de 20% em meio à seca em SP - destaque galeria
6 imagens
Represa Billings, na área da zona sul de SP
Hidroavião cai na represa Jaguari (SP)
Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Grande SP
Sistema Cantareira abastece cerca de 7,3 milhões de pessoas por dia.
Sistema Cantareira, em SP
Volume de águas nas represas de São Paulo é o menor desde o auge da crise hídrica em 2015
1 de 6

Volume de águas nas represas de São Paulo é o menor desde o auge da crise hídrica em 2015

Reprodução/Wikimedia Commons
Represa Billings, na área da zona sul de SP
2 de 6

Represa Billings, na área da zona sul de SP

Omar Matsumoto, Gabriel Inamine, Luciana Nascimento e Nilson Sandré, PMSBC
Hidroavião cai na represa Jaguari (SP)
3 de 6

Hidroavião cai na represa Jaguari (SP)

Reprodução/Prefeitura de Bragança Paulista
Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Grande SP
4 de 6

Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Grande SP

Divulgação/Sabesp
Sistema Cantareira abastece cerca de 7,3 milhões de pessoas por dia.
5 de 6

Sistema Cantareira abastece cerca de 7,3 milhões de pessoas por dia.

Divulgação/Sabesp
Sistema Cantareira, em SP
6 de 6

Sistema Cantareira, em SP

Governo de São Paulo

Com a seca, o Cantareira tem recebido também água da transposição do Rio Paraíba do Sul. São pouco mais de 8 m³/s, que se somam ao limite estabelecido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em momentos críticos e permitem um aumento no volume retirado das represas para abastecer a Grande São Paulo.

Procurada pelo Metrópoles, a SP Águas (agência do governo de São Paulo) informou que monitora os mananciais em tempo integral e avalia a faixa de operação do Cantareira mensalmente em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

“Caso o Sistema Cantareira atinja a Faixa 5, a chamada faixa especial, passam a valer medidas mais rigorosas, como a redução adicional da vazão captada, definida diretamente pelos órgãos gestores, com o objetivo de preservar os reservatórios e aumentar a segurança hídrica do sistema”, disse a agência. “A definição sobre medidas como gestão de demanda noturna e rodízio não tem relação com a resolução específica do Cantareira, mas com a metodologia de gestão hídrica do Governo do Estado e cabe à Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp) determinar tais medidas.”

A SP Águas ainda ressaltou que a atuação contra a estiafem depende não apenas da gestão operacional dos mananciais, mas do apoio da população e uso consciente de água. “A colaboração dos cidadãos é fundamental para preservar os mananciais e garantir a segurança hídrica.”

Em nota, a ANA afimrou que a definição da faixa de operação do Sistema Cantareira para o mês seguinte acontece no último dia útil do mês vigente. “Portanto, o volume útil registrado em 30 de janeiro determinará a faixa de operação de fevereiro. A faixa de operação de janeiro foi determinada pelo volume útil do Sistema Cantareira em 31 de dezembro de 2025, o qual foi de 20,18%.”

Nível crítico em dezembro

Em 7 de dezembro, o nível do maior sistema de abastecimento da região metropolitana também desceu a 19,9%, o que despertou preocupação na ANA. A situação se agravou ainda mais nos dois dias seguintes, com 19,7%.

Quando o volume fica abaixo dos 20%, é ativada a Faixa 5 de operação, a mais restritiva, com limite de retirada de apenas 15,5 metros cúbicos (m³/s). Atualmente, o Cantareira opera na Faixa 4, com limite de 23 m³/s.


Faixas de operação conforme volume de água

  • Faixa 1 — Normal (volume útil igual ou maior que 60%): o limite de retirada é de 33 metros cúbicos por segundo (m³/s).
  • Faixa 2 — Atenção (volume entre 40% e 60%): limite de retirada de 31 m³/s.
  • Faixa 3 — Alerta (volume entre 30% e 40%): limite de retirada de 27 m³/s.
  • Faixa 4 — Restrição (volume entre 20% e 30%): limite de retirada de 23 m³/s.
  • Faixa 5 — Especial (volume abaixo de 20%): limite de retirada de 15,5 m³/s.

Se na virada do ano o volume do Cantareira seguisse abaixo dos 20%, seria acionada a Faixa 5 no mês de janeiro. Entretanto, houve uma tímida recuperação a partir do dia 11 de dezembro, quando voltou ao patamar enquadrado na Faixa 4, o que gerou alívio momentâneo nas autoridades.

Para não entrar na Faixa 5, o Cantareira deve chegar ao fim do mês com ao menos 20% de sua capacidade total. Portanto, é preciso que a vazão natural aumente consideravelmente até lá e o consumo diminua — situação oposta à registrada até o momento neste verão.

A adoção de um limite de retirada de 15,5 m³/s no Cantareira pode sobrecarregar os demais reservatórios, que também têm operado em baixa. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que é a soma de todas as represas, tinha, nessa quarta (7/1), apenas 26,9% da capacidade. Como comparação, em igual data do ano passado, contava com 49,9%.

Pouca água entrando

Além do baixo volume acumulado, chama a atenção o fato de que a vazão natural (quantidade de água que entra no reservatório) segue bastante abaixo do normal para esta época do ano. Já em plena estação chuvosa, o Cantareira não tem conseguido se recuperar.

As medições realizadas pela própria Sabesp mostram que o Cantareira recebeu apenas 14,53 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água nos primeiros sete dias do ano, segundo os registros coletados na manhã de quarta.

Mesmo com a ressalva de que se trata de um curto período de tempo, a análise mostra que o volume é quase um quinto da média histórica para janeiro, que é de 67,3 m³/s.

Mais que isso, o maior sistema fornecedor de água da Grande São Paulo teve a pior primeira semana de um ano desde 2015, quando recebeu 13,49 m³/s, no auge da crise hídrica, com o reservatório afundado no volume morto.

A quantidade de água recebida entre os dias 1º e 7 é ainda menor do que em igual período de janeiro de 2014 (17,56 m³/s), em um verão tão seco que foi determinante para empurrar a região metropolitana na década passada para a escassez e caos no abastecimento. Na ocasião, entretanto, o Cantareira ainda tinha 26,4% da sua capacidade total.

O ano hidrológico teve início em outubro, quando a previsão de chegada das primeiras chuvas, que serviriam para repor o que foi perdido ao longo do inverno. Entretanto, o Cantareira tem perdido água desde então.

Há três meses, o sistema tinha 26,8% da capacidade. No dia 7 de novembro, já tinha despencado para 23,5%.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?