Seis vias concentram casos de ataques a ônibus na capital. Veja mapa
De acordo com a Polícia Civil, 180 dos 223 ataques a ônibus registrados na Grande SP foram na capital, sendo 60% concentrado na zona sul
atualizado
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Seis vias da cidade de São Paulo concentram os cerca de 180 ataques a ônibus registrados até quarta-feira (2/7) na capital, de acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil. Segundo o delegado Fernando Santiago, 60% dos atos de vandalismo foram na zona sul da cidade.
Na zona sul, foram destacadas as avenidas Cupecê, Senador Teotônio Vilela, Vereador João de Luca e Washington Luís. Também são mencionadas a avenida Sapopemba, na zona leste, e a Rodovia Raposo Tavares, no oeste da cidade.
Veja o mapa:

Na Avenida Washington Luís, no Campo Belo, uma mulher de 31 anos ficou ferida após um ataque a um ônibus que operava na linha 607C/10 na noite da última sexta-feira (27/6). Ela foi atingida por vidros quebrados por uma pedra, jogada por um homem contra o coletivo (veja vídeo abaixo). O motorista chegou a descer do veículo para tentar identificar o envolvido, mas ele já havia fugido do local.
Quantos ônibus foram atacados
- Entre junho e julho (até 2/7), foram registrados 223 casos de vandalismo em ônibus que operam nas linhas intermunicipais da região metropolitana de São Paulo, segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
- Os 180 casos apenas na capital divulgados pelo Deic em coletiva de imprensa nessa quinta-feira (3/7) divergem dos divulgados pela SPTrans.
- Desde o dia 12 de junho, de acordo com balanço da companhia, as empresas relataram que 197 ônibus do sistema municipal foram depredados.
- O delegado Santiago explica que a divergência do número de ataques se dá pelas diferentes informações que são prestadas por algumas empresas de ônibus.
- “A gente sabe que algumas empresas atacadas em certas ocasiões não registraram boletins de ocorrência, de modo que a Polícia Civil só pode atuar de acordo com aqueles eventos que formalmente foram registrados”, disse Santiago.
- A Artesp informou, em nota, que orientou empresas e concessionárias sobre a importância do registro das ocorrências para as investigações. “A agência monitora a situação para evitar possíveis impactos na prestação de serviços à população.”
As investigações sobre os ataques têm sido feitas em conjunto com a Polícia Militar.
Polícia investiga desafios da internet
O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, Ronaldo Sayeg, afirmou, nessa quinta-feira (3/7), que a onda de vandalismo pode estar sendo motivada por desafios da internet. A hipótese é a principal linha de investigação da polícia, que descartou, por ora, uma ação articulada pelo crime organizado.
“Descartamos, por ora, uma ação de facções criminosas. Isso em razão da ausência de um propósito. Esses ataques não revelaram um propósito, o que é típico de facções. Trabalhamos com outras hipóteses, que já foram ventiladas, como os desafios de internet”, disse Sayeg, durante coletiva de imprensa.
Sayeg afirmou ainda, que, com base nessa suspeita, está sendo feito um trabalho de monitoramento das plataformas digitais, mas até agora não há nada concreto em relação a essa linha de investigação.
A possibilidade de desafios na internet já havia sido ventilada pelo próprio vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que comentou sobre as ocorrências no litoral paulista.
Ao Metrópoles, Ramuth disse que conversou com o delegado Flávio Ruiz Gastaldi, diretor do Deinter 6, responsável pela Baixada Santista. “É uma das hipóteses que estão investigando”, afirmou o vice-governador.
PM faz operação contra ataques a ônibus
O coronel Carlos Henrique Lucena, chefe do Centro de Operações da PM do Estado (Copom), que também participou da entrevista coletiva aos jornalistas, disse que na quarta-feira (2/7) foi montada a Operação Impacto, com o objetivo de proteger os coletivos e realizar um mapeamento estratégico dessas ocorrências. No total, 3.641 viaturas e 7.890 homens participam da operação.
Segundo o coronel, os agentes atuarão em conjunto com a Polícia Civil, para monitorar pontos de estacionamento de ônibus e também aumentar o efetivo de agentes em áreas estratégicas, como corredores e terminais de coletivos.
Nessa quinta, por volta das 15h, 673 agentes em motos se direcionaram para 12 pontos de bloqueio do policiamento de trânsito, também direcionados para operação, para patrulhar áreas previamente selecionadas através dos setores de inteligência da PM.
“Essa operação vem sendo desenvolvida já em áreas de incidência desse tipo de depredação e também em áreas de possível ação delituosa”, disse o coronel Lucena.
Ataques a ônibus na Baixada Santista
As ocorrências também têm preocupado autoridades de fora da capital. Na madrugada do último domingo (29/6), pelo menos 31 coletivos foram apedrejados na Baixada Santista, no litoral, de acordo com a Polícia Civil. Os ataques foram registrados nas cidades de Santos (16), São Vicente (11), e Cubatão (4).
A empresa de ônibus Piracicabana, uma das que foram alvo, registrou boletim de ocorrência na noite de segunda-feira (30/6). Os motoristas relataram à polícia que os autores dos ataques são adolescentes, em sua maioria. Eles usaram pedras para quebrar as janelas, seja arremessando ou até mesmo usando estilingue.
“A grande questão que se levanta é qual a motivação. O que se propaga é esse desafio pelas redes de internet. Tem investigações também transcorrendo na capital. A gente só vai poder afirmar ou negar esse fato na medida em que as investigações vão avançando”, afirmou o delegado Rubens Barazal, da Delegacia Seccional de Santos.














