Desafio na internet é principal hipótese para onda de ataques a ônibus
Pelo menos 180 ataques a coletivos foram registrados na capital até agora. Polícia descarta, por ora, envolvimento de facções criminosas
atualizado
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O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, Ronaldo Sayeg, afirmou, nesta quinta-feira (3/7), que a onda de ataques a ônibus na capital e em cidades da região metropolitana e do litoral paulista pode estar sendo motivada por desafios da internet. A hipótese é a principal linha de investigação da polícia, que descartou, por ora, uma ação articulada pelo crime organizado.
“Descartamos, por ora, uma ação de facções criminosas. Isso em razão da ausência de um propósito. Esses ataques não revelaram um propósito, o que é típico de facções. Trabalhamos com outras hipóteses, que já foram ventiladas, como os desafios de internet”, disse Sayeg, durante coletiva de imprensa.
Sayeg afirmou ainda, que, com base nessa suspeita, está sendo feito um trabalho de monitoramento das plataformas digitais, mas até agora não há nada concreto em relação a essa linha de investigação.
A possibilidade de desafios na internet já havia sido ventilada pelo próprio vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que comentou sobre as ocorrências no litoral paulista.
Ao Metrópoles, Ramuth disse que conversou com o delegado Flávio Ruiz Gastaldi, diretor do Deinter 6, responsável pela Baixada Santista. “É uma das hipóteses que estão investigando”, afirmou o vice-governador.
Número de ataques a ônibus
De acordo com o delegado do Deic Fernando Santiago, até essa quarta-feira (2/7), houve cerca de 180 ataques somente na cidade de São Paulo, sendo 60% concentrados na zona sul da capital.
Os números divergem dos divulgados pela SPTrans. Desde o dia 12 de junho, de acordo com balanço da companhia, as empresas relataram que 197 ônibus do sistema municipal foram depredados.
O delegado Santiago explica que a divergência do número de ataques se dá pelas diferentes informações que são prestadas por algumas empresas de ônibus.
“A gente sabe que algumas empresas atacadas em certas ocasiões não registraram boletins de ocorrência, de modo que a Polícia Civil só pode atuar de acordo com aqueles eventos que formalmente foram registrados“, disse o delegado.
Em nota ao Metrópoles, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que, “nos meses de junho e julho (até 2/7), foram registrados 223 casos de vandalismo em ônibus que operam nas linhas intermunicipais da região metropolitana de São Paulo”. Disse, ainda, que orientou empresas e concessionárias sobre a importância do registro das ocorrências para as investigações. “A agência monitora a situação para evitar possíveis impactos na prestação de serviços à população.”
As investigações sobre os ataques têm sido feitas em conjunto com a Polícia Militar. O coronel Carlos Henrique Lucena, chefe do Centro de Operações da PM do Estado (Copom), que também participou da coletiva aos jornalistas, disse que nessa quarta-feira (2/7) foi montada a Operação Impacto, com o objetivo de proteger os coletivos e realizar um mapeamento estratégico dessas ocorrências. No total, 3.641 viaturas e 7.890 homens participam da operação.
Ocorrências na Baixada Santista
As ocorrências também tem preocupado autoridades de fora da capital. Na madrugada do último domingo (29/6), pelo menos 31 coletivos foram apedrejados na Baixada Santista, no litoral, de acordo com a Polícia Civil. Os ataques foram registrados nas cidades de Santos (16), São Vicente (11), e Cubatão (4).
A empresa de ônibus Piracicabana, uma dos alvos, registrou boletim de ocorrência na noite de segunda-feira (30/6). Os motoristas relataram à polícia que os autores dos ataques são adolescentes, em sua maioria. Eles usaram pedras para quebrar as janelas, seja arremessando ou até mesmo usando estilingue.
“A grande questão que se levanta é qual a motivação. O que se propaga é esse desafio pelas redes de internet. Tem investigações também transcorrendo na capital. A gente só vai poder afirmar ou negar esse fato na medida em que as investigações vão avançando”, afirmou o delegado Rubens Barazal, da Delegacia Seccional de Santos.
















