São Paulo tem alta de 14,3% nos casos de violência doméstica em 2026
O número de casos de violência doméstica cresceu 14,3% no 1º trimestre deste ano no estado de SP, em comparação com igual período de 2025
atualizado
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O número de casos de violência doméstica cresceu 14,3% no primeiro trimestre deste ano no estado de São Paulo, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram mais de 85 mil registros de janeiro a março (ante cerca de 75 mil, no primeiro trimestre do ano passado), praticamente um a cada minuto e meio, em média.
Os números da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que a ameaça foi a principal natureza dos casos de violência doméstica, com mais de 26 mil casos registrados em três meses. De forma geral, pessoas que vivem em união estável foram aquelas que mais sofreram com esse tipo de crime, representando 30% dos casos.
Cresceram acima da média os descumprimentos de medidas protetivas no estado de São Paulo. Segundo os dados da própria SSP, foram 3.020 casos nos três primeiros meses do ano, ante 2.290 em igual período de 2025, aumento de 31,9%.
Natureza – 2026 – 2025 – %
- Ameaça – 26.599 – 23.570 – 12,9%
- Calúnia / Difamação / Injúria – 21.045 – 19.180 – 9,7%
- Lesão Corporal Dolosa – 18.032 – 16.853 – 7,0%
- Perseguir – 10.431 – 7.849 – 32,9%
- Dano – 3.429 – 2.968 – 15,5%
- Descumprimento de Medida Protetiva de Urgência – 3.020 – 2.290 – 31,9%
- Violência Psicológica contra a Mulher – 1.462 – 1.114 – 31,2%
- Invasão de Domicílio – 1.002 – 699 – 43,3%
- Outros crimes contra a dignidade sexual – 310 – 196 – 58,2%
- Maus tratos – 258 – 190 – 35,8%
- Divulgação de Fotos/Vídeos Íntimos – 239 – 168 – 42,3%
- Constrangimento ilegal – 55 – 36 – 52,8%
TOTAL – 85.882 – 75.113 – 14,3%
Embora quase a metade das vítimas de violência doméstica esteja na faixa etária dos 21 aos 35 anos (48%), até mesmo jovens de 0 a 20 anos são afetados, representando 9,8% do total.
Vale ressaltar que feminicídios e homicídios são registrados à parte, fora das estatísticas oficiais de violência doméstica, que passaram a ser agregadas e divulgadas publicamente a partir de 2024, o início da série histórica.
Na última semana, pela primeira vez na história da corporação, a Polícia Militar de São Paulo passou a ter como comandante-geral uma mulher, a coronel Glauce Anselmo Cavalli. Isso ocorre em um momento em que o governo estadual, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), se vê emparedado pela alta nos crimes de gênero.
Ao assumir o cargo, a coronel Glauce disse que o combate à violência doméstica e familiar será prioridade.
O que diz a SSP
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de feminicídio, “é prioridade do governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção”.
Segundo a pasta, o estado ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. “Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher”, diz, em nota.
A secretaria afirma que também possui o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva. “O pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores”, diz.
A SSP afirma que a Polícia Civil intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada na última quinta-feira (30). “Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres”, diz, em nota.
