Salto sem corda: União tinha pedido bloqueio de ponte após outra morte
Local de tragédia com jovem no rope jump no sábado, Ponte do Esqueleto já registrou morte de ciclista em 2024

A Superintendência do Patrimônio da União do Estado de São Paulo já havia solicitado à Prefeitura de Limeira o bloqueio do acesso à Ponte do Esqueleto, após a morte de uma ciclista no local, em abril de 2024. O pedido veio durante a gestão do ex-prefeito Mario Botion (PSD). No sábado (13/6), a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu depois de ser arremessada da estrutura sem corda de proteção enquanto praticava rope jump.
A informação foi confirmada ao Metrópoles pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Após a morte de Maria Eduarda, a administração municipal publicou uma nota afirmando que processaria o governo federal, que é responsável pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à área.
A prefeitura acusou a União de omissão sobre a Ponte do Esqueleto e disse ter encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança ainda no início de 2025, mas que nenhuma providência concreta havia sido adotada até o momento.
Mas, um ano antes, o bloqueio do acesso à ponte já havia sido pauta de reunião na Comissão de Saúde, Lazer, Esporte e Turismo da Câmara dos Vereadores de Limeira. No dia 28 de abril de 2024, a ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 39 anos, de Rio Claro (SP), morreu enquanto pedalava com o marido e amigos no local. Ela caiu após se desequilibrar ao encostar na mureta da estrutura.
Na reunião, realizada após a morte de Kelly, os parlamentares sinalizaram que a Ponte do Esqueleto seria reaberta após a prefeitura instalar a sinalização indicativa de perigo no local. Essa placa, inclusive, aparece em um registro publicado por Maria Eduarda nas redes sociais, momentos antes do acidente.
Nos stories do Instagram, a jovem postou uma foto mostrando que já estava no local para o passeio de rope jump. Na imagem, é possível ver a sinalização “Perigo: Risco de Morte”.
Ainda na assembleia, o então presidente da Comissão de Turismo da Câmara de Limeira, Júlio César Pereira dos Santos, destacou que era importante fomentar o turismo na cidade e que os esportes radicais desempenhariam esse papel. Ele também questionou o antigo secretário de Turismo do município, Tito Almirall, sobre se seria possível conferir uma autorização para que essas empresas continuem utilizando a Ponte do Esqueleto para desenvolver suas atividades na cidade.
Almirall respondeu que o município não poderia impedir o exercício da atividade, mas que não haveria como emitir uma autorização específica para que essas empresas exerçam a atividade no local, porque a ponte é de propriedade da União.
Em nota enviada ao Metrópoles, a SPU afirmou que a Ponte do Esqueleto fazia parte do patrimônio imobiliário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi classificada como bem não operacional a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo a pasta, a estrutura pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares. A transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo teria sido finalizada em março de 2026.
“Mesmo assim, desde 2024, em diferentes momentos, a SPU pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte. Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”, dizia a nota. Leia o texto na íntegra:
“A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamenta a morte trágica da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto. A SPU se solidariza com a família e amigos da Maria Eduarda.
A Ponte do Esqueleto pertencia a trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares. A SPU nunca autorizou qualquer atividade esportiva ou de outra natureza na Ponte do Esqueleto.
O processo de incorporação da ponte ao patrimônio da SPU só foi autorizado em 2026. Mesmo assim, desde 2024, em diferentes momentos, a SPU pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte. Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira.
Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da Ponte do Esqueleto de forma conjunta”.
Quem era a jovem jogada sem corda em salto de rope jump
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos e morava em Jandira, na região metropolitana de São Paulo. Em seu perfil do Instagram, dizia possuir formação em Educação Física e gestão esportiva. Na plataforma, a jovem costumava compartilhar a rotina de treinos.
Ela trabalhava em uma academia de musculação no município. A empresa publicou uma mensagem de luto, lamentando a perda da colaboradora.
A jovem compartilhou fotos e vídeos pouco antes do salto de rope jump. Em uma das publicações, feita por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.
De acordo com o boletim de ocorrência, no momento do salto, Maria Eduarda portava uma câmera GoPro, usada para captar imagens em movimento. O equipamento não foi localizado após a queda.
Entenda o caso
- Uma jovem de 21 anos morreu após cair de uma altura de 40 metros durante prática conhecida como rope jump.
- Vídeos mostram três instrutores levantando a vítima e, em seguida, a jogando da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.
- Praticantes da modalidade percebem que a jovem estava sem cordas. A queda assusta os presentes.
- Um amigo da jovem que perdeu a vida na queda ficou em estado de choque ao presenciar o ocorrido e precisou ser internado.
- Três instrutores que aparecem nos vídeos foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morrer, mesmo que sem intenção de matar.
- A Justiça decidiu que os três permaneceriam presos. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva.

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