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São Paulo

Salto sem corda: União tinha pedido bloqueio de ponte após outra morte

Local de tragédia com jovem no rope jump no sábado, Ponte do Esqueleto já registrou morte de ciclista em 2024

Repórter de São Paulo14/06/2026 18:32, atualizado 14/06/2026 18:43
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Reprodução/Redes sociais
Montagem colorida de vídeo onde mostra o momento da queda de jovem sem corda em Limeira, interior de São Paulo.

A Superintendência do Patrimônio da União do Estado de São Paulo já havia solicitado à Prefeitura de Limeira o bloqueio do acesso à Ponte do Esqueleto, após a morte de uma ciclista no local, em abril de 2024. O pedido veio durante a gestão do ex-prefeito Mario Botion (PSD). No sábado (13/6), a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu depois de ser arremessada da estrutura sem corda de proteção enquanto praticava rope jump.

A informação foi confirmada ao Metrópoles pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Após a morte de Maria Eduarda, a administração municipal publicou uma nota afirmando que processaria o governo federal, que é responsável pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à área.

A prefeitura acusou a União de omissão sobre a Ponte do Esqueleto e disse ter encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança ainda no início de 2025, mas que nenhuma providência concreta havia sido adotada até o momento.

Mas, um ano antes, o bloqueio do acesso à ponte já havia sido pauta de reunião na Comissão de Saúde, Lazer, Esporte e Turismo da Câmara dos Vereadores de Limeira. No dia 28 de abril de 2024, a ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 39 anos, de Rio Claro (SP), morreu enquanto pedalava com o marido e amigos no local. Ela caiu após se desequilibrar ao encostar na mureta da estrutura.

Na reunião, realizada após a morte de Kelly, os parlamentares sinalizaram que a Ponte do Esqueleto seria reaberta após a prefeitura instalar a sinalização indicativa de perigo no local. Essa placa, inclusive, aparece em um registro publicado por Maria Eduarda nas redes sociais, momentos antes do acidente.

Nos stories do Instagram, a jovem postou uma foto mostrando que já estava no local para o passeio de rope jump. Na imagem, é possível ver a sinalização “Perigo: Risco de Morte”.

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Maria Eduarda foi velada na manhã deste domingo (14/6) na Grande SP
Em outro post, feito por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e brincou: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.
Maria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Academia em que a jovem trabalhava lamentou a morte
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser jogada sem corda da Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, durante a prática de rope jump, fez registros do passeio nas redes sociais pouco antes do acidente
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Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após ser jogada sem corda da Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, durante a prática de rope jump, fez registros do passeio nas redes sociais pouco antes do acidente

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Maria Eduarda foi velada na manhã deste domingo (14/6) na Grande SP
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Maria Eduarda foi velada na manhã deste domingo (14/6) na Grande SP

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Em outro post, feito por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e brincou: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.
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Em outro post, feito por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e brincou: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.

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Maria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
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Maria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

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Academia em que a jovem trabalhava lamentou a morte
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Academia em que a jovem trabalhava lamentou a morte

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Ainda na assembleia, o então presidente da Comissão de Turismo da Câmara de Limeira, Júlio César Pereira dos Santos, destacou que era importante fomentar o turismo na cidade e que os esportes radicais desempenhariam esse papel. Ele também questionou o antigo secretário de Turismo do município, Tito Almirall, sobre se seria possível conferir uma autorização para que essas empresas continuem utilizando a Ponte do Esqueleto para desenvolver suas atividades na cidade.

Almirall respondeu que o município não poderia impedir o exercício da atividade, mas que não haveria como emitir uma autorização específica para que essas empresas exerçam a atividade no local, porque a ponte é de propriedade da União.

Em nota enviada ao Metrópoles, a SPU afirmou que a Ponte do Esqueleto fazia parte do patrimônio imobiliário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi classificada como bem não operacional a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo a pasta, a estrutura pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares. A transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo teria sido finalizada em março de 2026.

“Mesmo assim, desde 2024, em diferentes momentos, a SPU pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte. Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”, dizia a nota. Leia o texto na íntegra:

“A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamenta a morte trágica da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto. A SPU se solidariza com a família e amigos da Maria Eduarda.

A Ponte do Esqueleto pertencia a trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no interior de propriedades particulares. A SPU nunca autorizou qualquer atividade esportiva ou de outra natureza na Ponte do Esqueleto.

O processo de incorporação da ponte ao patrimônio da SPU só foi autorizado em 2026. Mesmo assim, desde 2024, em diferentes momentos, a SPU pediu apoio às prefeituras locais para bloquear o acesso à referida ponte. Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira.

Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da Ponte do Esqueleto de forma conjunta”.

Quem era a jovem jogada sem corda em salto de rope jump

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos e morava em Jandira, na região metropolitana de São Paulo. Em seu perfil do Instagram, dizia possuir formação em Educação Física e gestão esportiva. Na plataforma, a jovem costumava compartilhar a rotina de treinos.

Ela trabalhava em uma academia de musculação no município. A empresa publicou uma mensagem de luto, lamentando a perda da colaboradora.

A jovem compartilhou fotos e vídeos pouco antes do salto de rope jump. Em uma das publicações, feita por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.

De acordo com o boletim de ocorrência, no momento do salto, Maria Eduarda portava uma câmera GoPro, usada para captar imagens em movimento. O equipamento não foi localizado após a queda.

Entenda o caso

  • Uma jovem de 21 anos morreu após cair de uma altura de 40 metros durante prática conhecida como rope jump.
  • Vídeos mostram três instrutores levantando a vítima e, em seguida, a jogando da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.
  • Praticantes da modalidade percebem que a jovem estava sem cordas. A queda assusta os presentes.
  • Um amigo da jovem que perdeu a vida na queda ficou em estado de choque ao presenciar o ocorrido e precisou ser internado.
  • Três instrutores que aparecem nos vídeos foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morrer, mesmo que sem intenção de matar.
  • A Justiça decidiu que os três permaneceriam presos. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva.

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