Menina é xingada de “macaca” e irmã leva soco ao defendê-la em escola
Pai da menina diz que responsáveis pela criança agressora adotaram postura hostil com novas ameaças às irmãs ao serem chamados em escola
atualizado
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Uma manhã comum de recreio na Escola Municipal Forte dos Reis Magos, em São Mateus, na zona leste de São Paulo, terminou em violência e racismo. Uma menina de 11 anos foi chamada de “macaca” por um colega da mesma idade. Ao tentar defendê-la, a irmã mais velha foi agredida com um soco na boca, que provocou ferimento e sangramento.
O caso ocorreu na última quarta-feira (11/3). Em conversa com o Metrópoles, o pai das meninas, Carlos Ferreira, relatou como foi informado sobre o episódio e detalhou a sequência de agressões.
“Ela só queria proteger a irmã. Chegou chorando e disse: ‘pai, eu nunca apanhei em casa, mas apanhei na escola’”, relatou.
Segundo ele, o episódio provocou um cenário de desordem dentro da escola. Funcionários foram acionados, a direção interveio e os responsáveis pelos alunos envolvidos foram chamados com urgência.
De acordo o pai, os responsáveis pelo menino que teria feito a ofensa racista adotaram uma postura hostil, com ameaças direcionadas às meninas. “Disseram que iam matar minha filha. Foi um momento de desespero”, afirmou.
Diante da falta de diálogo com os responsáveis pelo menino e da ausência de um pedido de desculpas, os pais das meninas decidiram procurar a delegacia para registrar um boletim de ocorrência.
Educação antiracista
- A educação antirracista busca combater o racismo dentro e fora das escolas, valorizando a história, a cultura e as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros na formação do país.
- No Brasil, essa abordagem é garantida pela Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira em todas as escolas, públicas e privadas.
- A legislação foi ampliada pela Lei nº 11.645/2008, que também incluiu a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena.
- Em São Paulo, tanto a rede municipal quanto a estadual afirmam manter acervos de livros didáticos e literários voltados à educação antirracista, em cumprimento às leis federais.
- Na rede municipal, as escolas também contam com o documento “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros”, que orienta práticas pedagógicas e o trabalho cotidiano voltado à valorização das culturas afro-brasileiras, africanas, indígenas e de populações migrantes.
- Apesar dos avanços legais, a aplicação efetiva da educação antirracista ainda enfrenta desafios no dia a dia das escolas.
“Criança não nasce racista”
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado como ato infracional de lesão corporal, preconceito de raça ou de cor e ameaça no 55º Distrito Policial, em São Rafael, onde segue sob investigação. Por envolver menores de idade, os detalhes estão sendo preservados. Segundo o boletim de ocorrência, a apuração considera tanto a agressão física quanto a ofensa de cunho racista, além das ameaças relatadas pela família.
“Criança não nasce racista. Racismo machuca, marca e fica para a vida toda. A família precisa ensinar respeito. Não podemos nos calar diante disso”, afirmou o pai das meninas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que a escola acolheu as estudantes envolvidas e promoveu uma reunião com as famílias, com acompanhamento de psicólogos e psicopedagogos do Núcleo de Apoio e Acompanhamento à Aprendizagem (NAAPA). A SME afirmou ainda que a direção registrou boletim de ocorrência e está à disposição.
