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São Paulo

R$ 1 milhão em puff: delegada já foi investigada por beneficiar Brennand

Em 2023, Maria Corsato foi alvo de investigação da Corregedoria da Polícia Civil por suposto beneficiamento ao empresário Thiago Brennand

25/10/2026 14:45
R$ 1 milhão em puff: delegada já foi investigada por beneficiar Brennand
R$ 1 milhão em puff: delegada já foi investigada por beneficiar Brennand

São Paulo — A delegada Maria Corsato (foto em destaque à esquerda), alvo da Corregedoria da Polícia Civil (veja nota completa abaixo) por pedir à irmã guardar um puff contendo R$ 1 milhão em espécie, já foi investigada por suposto favorecimento ao empresário Thiago Brennand, preso desde abril de 2023 por uma série de crimes sexuais. Ela era quem conduzia um dos inquéritos contra o empresário.

A irmã da delegada Maria Corsato, do 27° Distrito Policial (Campo Belo), afirmou ter encontrado mais de R$ 1 milhão em espécie escondido dentro de um móvel da agente. Equipes da Polícia Militar foram ao apartamento, em Santo André, no ABC Paulista, recolheram o item e entregaram na sede da Corregedoria.

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Delegada Maria Corsato, que foi candidata a deputada estadual em SP
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Brennand

Na época em que estava à frente do caso de Brennand, Maria Corsato foi alvo de investigação interna da corporação. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) chegou a recomendar o afastamento da delegada.

Promotores chegaram a pontuar que a autoridade, que era responsável por uma das investigações as quais Brenannd respondia, beneficiou o empresário no caso em que uma ex-aluna da mesma academia frequentada pela atriz Helena Gomes, uma das vítimas de Brennand.

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Conforme publicado pelo Metrópoles, à época, a delegada pediu que o caso fosse mantido em sigilo, e comparou o caso de Brennand ao da Escola Base, em que donos de uma escola e um motorista foram injustamente acusados de pedofilia em 1994.

Corsato, contudo, não chegou a ser afastada. A reportagem não obteve detalhes sobre a conclusão do procedimento contra a delegada.

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Regalias

Em fevereiro deste ano, o Metrópoles denunciou de que Brennand estaria recebendo supostas regalias concedidas dentro da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, onde o empresário estava preso desde novembro de 2025, condenado a mais de 20 anos por estupros e agressões contra mulheres.

Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que, entre essas vantagens, estão uma cela reformada, “segurança privada” feita por outros detentos, benefícios em um trabalho oferecido para remição de pena, e quase uma dezena de visitas diárias de advogados em todos os horários programados para visitas. A defesa de Brennand nega que ele tenha regalias no presídio.

Deolane

Em julho deste ano, Maria Corsato ficou no centro de outra polêmica. Desta vez, em relação a um caso ao qual não investiga.

Um relatório produzido pela defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa preventivamente, desde maio deste ano, no âmbito da Operação Vérnix, enviou à Justiça dizendo que Maria Corsato “ultrapassou os limites de discrição, impessoalidade e imparcialidade” exigidos pela legislação e pelos códigos de ética que regem a atuação da Polícia Civil.

No documento, que foi elaborado a partir da análise de mais de 70 fontes produzidas entre 2022 e 2026, entre as quais entrevistas concedidas pela delegada, participações em podcasts, publicações nas redes sociais e outras manifestações públicas relacionadas ao caso, o relatório sustenta que a conduta poderia caracterizar violação à Lei de Abuso de Autoridade.

Entre as acusações está a de que Maria Corsato manifestou, de forma reiterada, em relação a outros integrantes da família da influenciadora, em especial sua mãe Solange Bezerra. Peritos sustentaram que a delegada emitiu juízos de valor sobre a influenciadora e antecipado conclusões acerca de sua responsabilidade, o que, segundo o relatório, afrontaria o princípio constitucional da presunção de inocência.

Outro lado

Procurada pela reportagem, Maria Corsato não emitiu posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que a Corregedoria Geral instaurou procedimentos para investigar a origem de valores em moeda nacional e estrangeira apreendidos, no sábado (24/10), em uma residência em Santo André, e apurar eventual responsabilidade criminal e administrativa de uma delegada.

“A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da delegada, após encontrar o dinheiro no interior de um móvel. Uma equipe da Corregedoria compareceu ao local e adotou as providências de polícia judiciária. Os valores e as anotações encontrados foram apreendidos, e o dinheiro será encaminhado para depósito judicial”, disse nota.

A pasta afirmou que, entre os procedimentos adotados, está a “a oitiva da denunciante e a realização das perícias cabíveis. Até o registro da ocorrência, a delegada não havia sido localizada para prestar esclarecimentos”, finalizou.