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São Paulo

Quem é o vereador ligado a trama de lavagem, tráfico e monitoramento do PCC

Carlos de Eduardo de Oliveira Franco (MDB), o Duguaca, foi alvo de mandados de busca e apreensão no imóvel particular e na Câmara de Itatiba

15/09/2026 11:46, atualizado 15/09/2026 12:25
Câmara de Itatiba/Divulgação.
Foto colorida de vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Duguaca, apontado com elo em esquema do tráfico de drogas.

O vereador de Itatiba Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), o Duguaca, foi um dos alvos das ordens judiciais de busca e apreensão, no âmbito da Operação Nexus, deflagrada nesta terça-feira (15/9) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e o 1° Batalhão de Ações Especiais (Baep), para apurar esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas na cidade do interior de São Paulo.

Duguaca, como era conhecido, iniciou a carreira política em 2021. Eleito vereador na Câmara de Itatiba, o parlamentar foi reeleito, em 2024, com mais de 1 mil votos. Hoje, o vereador compõe a mesa diretora da Casa, como primeiro-secretário.

O hoje parlamentar do MDB também foi presidente da Associação de Moradores e Amigos do Parque San Francisco (AMASF), seu reduto, onde desempenhou papéis como líder comunitário. Atualmente, a noiva é quem ocupa a presidência da entidade.


Entenda o caso

  • Promotores do MPSP apuraram esquema voltado ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, em Itatiba, interior paulista.
  • Um traficante conhecido como Reginaldo Pereira da Silva, o Tim, é quem liderava o esquema dividido em cinco núcleos. Ele foi preso, em um condomínio de luxo, em Itatiba, interior paulista. A esposa do suspeito também foi presa.
  • O esquema era dividido em cinco núcleos: comando e lavagem de capitais, gerenciamento operacional, monitoramento e vigilância, abastecimento e distribuição, logística e suporte para o tráfico.
  • Além de Tim, considerado principal alvo, os mandados de busca e apreensão cumpridos foram contra um vereador da Câmara de Itatiba, um policial militar e o empresário Leandro Gabioneta.
  • As investigações apontam que Tim usou lojas de carros de luxo, que pertencem a Gabioneta, para lavagem de dinheiro.
  • O empresário do ramo de veículos de luxo, com mais de 1 milhão de seguidores, é, segundo as investigações do MPSP, o “banco particular” de Tim.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão vinculado ao MPSP, apontam que o vereador da Câmara de Itatiba integrava o núcleo de monitoramento do esquema liderado pelo traficante Tim.

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A investigação descobriu que o grupo instalou um verdadeiro sistema de monitoramento, 24 horas por dia, em favor do PCC. Relatórios apontam que, entre os núcleos do esquema, o parlamentar integrava este grupo, que tinha como principal atribuição a vigilância na movimentação de forças de segurança.

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Na prática, o seleto grupo vigiava com objetivo de permitir que traficantes ligados ao grupo pudessem ocultar drogas, dispensar vendedores e interromper, de forma temporária, a atuação de pontos de venda de drogas na cidade.

Em nota, a Câmara de Itatiba confirmou que o mandado de busca e apreensão foi cumprido no gabinete do parlamentar emedebista. O texto diz que, até o momento, a investigação não está “relacionada ao exercício da função parlamentar”, à atuação institucional ou a atos em nome da Casa de Leis.

“A Câmara Municipal de Itatiba reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e o princípio da publicidade, bem como com o pleno respeito à atuação das instituições responsáveis pela investigação”, finalizou.

Balanço

Seis pessoas foram presas durante a Operação Nexus, deflagrada na manhã desta terça-feira. Entre os itens apreendidos estão celulares, computadores e tablets, R$ 177 mil em espécie, talões de cheque, notas fiscais e livros contábeis, além de porções de entorpecentes.

Promotores e policiais do 1° Baep também apreenderam veículos de luxo, como uma Ferrari, Porsche Boxster, Land Rover, Toyota Hilux SW4 e uma moto Harley-Davidson Fat Boy. As estimativas indicam que os veículos estão avaliados em mais de R$ 5 milhões.