
Quais vereadores de São Paulo não conseguiram se eleger deputados
Nomes como Janaína Paschoal, Rubinho Nunes, Nabil Bonduki e Zoe Martínez não conseguiram uma cadeira na Câmara dos Deputados
05/10/2026 20:06

Se em 2018 Janaína Paschoal, então candidata do PSL, obteve 2.060.786 votos para deputada estadual por São Paulo e ainda hoje mantém o recorde de mais votada para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), em 2026, quando tentou se eleger deputada federal pelo PP, a professora de direito não chegou nem perto do feito.
Janaína obteve 46.773 votos no pleito deste ano e, assim, não conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ela ocupa uma vaga de suplente — ou seja, pode assumir o mandato caso haja algum afastamento, renúncia ou falecimento. Além dela, outros 14 vereadores do município de São Paulo também não conseguiram se eleger deputados federais.
Na direita, nomes como Rubinho Nunes (União Brasil), Zoe Martínez (PL) e o ex-BBB Adrilles Jorge (PL) seguem na Câmara Municipal de São Paulo até o fim de seus mandatos. Na esquerda, Nabil Bonduki (PT) também não obteve número de votos suficientes para se eleger.
Por outro lado, o também vereador Lucas Pavanato (PL) alcançou 3.038.438 votos e se tornou o deputado federal mais votado da história de São Paulo, superando o recorde que antes pertencia a Eduardo Bolsonaro (PL), que recebeu 1.843.735 votos em 2018.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNos casos de Janaína e Rubinho, a federação formada pelo PP, partido ao qual ela é filiada, e pelo União Brasil, sigla da qual ele faz parte, tinha cinco cadeiras para a Câmara dos Deputados. Três delas eram do PP e duas, do União. Assim, foram eleitos Sargento Nantes, Mauricio Neves e Coronel Telhada, do PP, e Sirlange Manga e Milton Leite Filho, do União Brasil — os candidatos que receberam mais votos de cada uma das legendas.
Já o PL, por exemplo, partido de Lucas Pavanato, garantiu 19 cadeiras somente por São Paulo. Oito delas foram “puxadas” pelo agora deputado federal eleito. Candidatos com votação expressiva conseguem ajudar na eleição de correligionários porque a eleição para a Câmara dos Deputados usa o sistema proporcional, que distribui as vagas com base em um cálculo matemático (entenda mais abaixo).
Veja os vereadores que não conseguiram se eleger deputados federais:
- André Santos (Republicanos) – 71.621 votos
- Pastora Sandra Alves (União Brasil) – 63.745 votos
- Danilo do Posto de Saúde (Podemos) – 51.807 votos
- Janaina Paschoal (PP) – 46.773 votos
- Nabil Bonduki (PT) – 46.075 votos
- Gilberto Nascimento (PL) – 43.977 votos
- Rubinho Nunes (União Brasil) – 41.883 votos
- Cris Monteiro (Novo) – 40.404 votos
- Major Palumbo (PP) – 31.270 votos
- Adrilles Jorge (União Brasil) – 26.694 votos
- Zoe Martínez (PL) – 25.356 votos
- Eliseu Gabriel (PSB) – 17.203 votos
George Hato (MDB), Sandra Santana (MDB) e Sonaira Fernandes (PL), que eram candidatos a deputados estaduais, também não conseguiram se eleger.
Veja os vereadores que conseguiram se eleger deputados federais:
- Lucas Pavanato (PL) – 3.038.438 votos
- Ana Carolina Oliveira (Podemos) – 246.741 votos
- Sargento Nantes (PP) – 333.401 votos
- Luna Zarattini (PT) – 233.733 votos
- Sidney Cruz (MDB) – 130.951 votos
- Dra. Sandra Tadeu (PL) – 106.471 votos
Marina Bragante (PSB), Thammy Miranda (PSD) e Keit Lima (PSOL) foram eleitos deputados estaduais.
Entenda como funcionam os “puxadores de votos”
A eleição para a Câmara dos Deputados é feita a partir do sistema proporcional, que usa um cálculo matemático para distribuir as vagas entre as legendas. Nesse sistema, o eleitor escolhe um candidato, mas seu voto também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação.
Um dos episódios da série Na Boca da Urna, do Metrópoles, explica com detalhes o funcionamento das eleições proporcionais. Veja a seguir:
“Vou dar um exemplo usando o PSDB, que tem a sigla 45. Quando eu coloco os dígitos 4 e 5, eu estou falando: ‘Eu voto no partido PSDB’. Quando eu coloco o restante dos números do candidato, quero dizer que, dentro do PSDB, prefiro que aquele candidato seja eleito. Mas estou votando no partido”, explicou o advogado eleitoralista Paulo Mello ao Metrópoles.
O sistema depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário.
Para calcular o quociente eleitoral, é preciso dividir o número total de votos válidos no estado pelo número de vagas em disputa. O estado de São Paulo registrou 23.674.188 votos válidos em 2026 e tem direito a 70 cadeiras na Câmara. Então, o quociente eleitoral é de 338.203.
Para ser eleito, além de o partido atingir esse quociente, o candidato precisa receber uma votação nominal mínima de, pelo menos, 10% do valor do quociente eleitoral. Nas eleições de 2026, esse número é de 33.820.

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Ver todasEm seguida, é calculado o quociente partidário, que define quantas cadeiras cada partido ou federação ganha de forma direta no Parlamento. É preciso dividir o total de votos válidos do partido pelo quociente eleitoral.
O cálculo ajuda a explicar o papel dos “puxadores de voto”, candidatos que costumam receber um número significativo de votos e ajudam a eleger outros que tenham sido menos votados. Com mais de 3 milhões de votos, Pavanato garantiu ao menos oito das 19 vagas do PL e garantiu a eleição de nomes que tiveram desempenho menor que os adversários (veja mais a seguir).
A escolha dos candidatos que vão ocupar as vagas do partido é feita pela ordem de votação nominal: os mais votados da legenda ou da federação ocupam as cadeiras conquistadas, desde que tenham atingido a cláusula individual correspondente a 10% do quociente eleitoral.
Depois da distribuição das vagas pelo quociente partidário, normalmente ainda restam cadeiras a serem preenchidas. Essas vagas são chamadas de sobras eleitorais e definidas com base em um cálculo novo.
Candidatos com boa votação não conseguiram vaga
Por causa do sistema proporcional e dos cálculos de quocientes, oito candidatos a deputado federal que estão entre os mais votados de São Paulo ficaram de fora da lista de eleitos.
Entre os mais prejudicados pelo sistema proporcional, está a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV —, que obteve 2.834.542 votos. Rui Falcão (49º mais votado), Paulo Teixeira (51º mais votado), Reis (66º mais votado) e Moises Selerges (67º mais votado), todos do PT, não estão entre os 70 eleitos.
Deputados federais mais votados que não estão entre os eleitos
- Rui Falcão (PT) – 106.471 votos
- Paulo Teixeira (PT) – 106.062
- Alex Manente (Cidadania) – 102.716 votos
- Orlando Morando (MDB) – 102.086 votos
- Reis (PT) – 90.224 votos
- Moises Selerges (PT) – 89.939 votos
- Vitor Lippi (PSD) – 88.462 votos
- Eleuses Paiva (PSD) – 88.195 votos
Deputados federais eleitos fora da lista de mais votados
- Sirlange Manga (União) – 87.820 votos
- Milton Leite Filho (União) – 71.631 votos
- Adriana Ventura (Novo) – 69.083 votos
- Eduardo Cury (PL) – 66.860 votos
- Wesley Cezar Lelinho (PL) – 66.673 votos
- Gil Diniz (PL) – 63.398 votos
- Edinho Araújo (PRD) – 54.443 votos
- Sônia Guajajara (PSol) – 54.207 votos
Por outro lado, o PL foi o mais beneficiado pelo cálculo. Com 6.431.217 e direito a 19 vagas, o partido conseguiu eleger Eduardo Cury, Wesley Cezar Lelinho e Gil Diniz, mesmo que eles tenham recebido menos votos que os adversários. Cury, por exemplo, obteve 66.860 votos, cerca de 40 mil a menos que o petista Rui Falcão, que recebeu 106.471 votos.



