
Puxadores de voto: Pavanato e Erika Hilton ajudaram a eleger 12 deputados
Candidato mais votado, Lucas Pavanato obteve ao menos oito cadeiras para o PL. Quatro vagas da federação PSol/Rede vieram de votos em Erika
05/10/2026 14:49, atualizado 05/10/2026 15:21

Deputado federal mais votado da história de São Paulo, Lucas Pavanato (PL) conquistou ao menos oito vagas para o PL na Câmara. Já Erika Hilton, que terminou a apuração desse domingo (4/10) como a segunda candidata mais votada, obteve quatro cadeiras para a federação formada por PSol e Rede.
Chamados de “puxadores de votos”, os candidatos com votação expressiva conseguem ajudar na eleição de correligionários porque a eleição para a Câmara dos Deputados usa o sistema proporcional, que distribui as vagas com base em um cálculo matemático.
Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PL obteve cerca de 6,4 milhões de votos, garantiu 19 cadeiras e se tornou a bancada com maior número de deputados por São Paulo. Sozinho, Pavanato recebeu aproximadamente 3 milhões de votos e conquistou 8 vagas, mais de 40% do total de cadeiras do partido no estado.
Erika Hilton obteve cerca de 1,5 milhão de votos e garantiu ao menos 4 das 6 cadeiras vencidas pela federação PSol/Rede. Ao todo, a federação teve cerca de 3 milhões de votos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEntenda como funcionam os “puxadores de votos”
A eleição para a Câmara dos Deputados é feita a partir do sistema proporcional, que usa um cálculo matemático para distribuir as vagas entre as legendas. Nesse sistema, o eleitor escolhe um candidato, mas seu voto também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação.
Um dos episódios da série Na Boca da Urna, do Metrópoles, explica com detalhes o funcionamento das eleições proporcionais. Veja a seguir:
“Vou dar um exemplo usando o PSDB, que tem a sigla 45. Quando eu coloco os dígitos 4 e 5, eu estou falando: ‘Eu voto no partido PSDB’. Quando eu coloco o restante dos números do candidato, quero dizer que, dentro do PSDB, prefiro que aquele candidato seja eleito. Mas estou votando no partido”, explicou o advogado eleitoralista Paulo Mello ao Metrópoles.
O sistema depende de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário.
Para calcular o quociente eleitoral, é preciso dividir o número total de votos válidos no estado pelo número de vagas em disputa. O estado de São Paulo registrou 23.674.188 votos válidos em 2026 e tem direito a 70 cadeiras na Câmara. Então, o quociente eleitoral é de 338.203.
Para ser eleito, além de o partido atingir esse quociente, o candidato precisa receber uma votação nominal mínima de, pelo menos, 10% do valor do quociente eleitoral. Nas eleições de 2026, esse número é de 33.820.

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Ver todasEm seguida, é calculado o quociente partidário, que define quantas cadeiras cada partido ou federação ganha de forma direta no Parlamento. É preciso dividir o total de votos válidos do partido pelo quociente eleitoral.
O cálculo ajuda a explicar o papel dos “puxadores de voto”, candidatos que costumam receber um número significativo de votos e ajudam a eleger outros que tenham sido menos votados. Com mais de 3 milhões de votos, Pavanato garantiu ao menos oito das 19 vagas do PL e garantiu a eleição de nomes que tiveram desempenho menor que os adversários (veja mais a seguir).
A escolha dos candidatos que vão ocupar as vagas do partido é feita pela ordem de votação nominal: os mais votados da legenda ou da federação ocupam as cadeiras conquistadas, desde que tenham atingido a cláusula individual correspondente a 10% do quociente eleitoral.
Depois da distribuição das vagas pelo quociente partidário, normalmente ainda restam cadeiras a serem preenchidas. Essas vagas são chamadas de sobras eleitorais e definidas com base em um cálculo novo.
Candidatos com boa votação não conseguiram vaga
Por causa do sistema proporcional e dos cálculos de quocientes, oito candidatos a deputado federal que estão entre os mais votados de São Paulo ficaram de fora da lista de eleitos.
Entre os mais prejudicados pelo sistema proporcional, está a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV —, que obteve 2.834.542 votos. Rui Falcão (49º mais votado), Paulo Teixeira (51º mais votado), Reis (66º mais votado) e Moises Selerges (67º mais votado), todos do PT, não estão entre os 70 eleitos.
Deputados mais votados que não estão entre os eleitos
- Rui Falcão (PT) – 106.471 votos
- Paulo Teixeira (PT) – 106.062
- Alex Manente (Cidadania) – 102.716 votos
- Orlando Morando (MDB) – 102.086 votos
- Reis (PT) – 90.224 votos
- Moises Selerges (PT) – 89.939 votos
- Vitor Lippi (PSD) – 88.462 votos
- Eleuses Paiva (PSD) – 88.195 votos
Deputados eleitos fora da lista de mais votados
- Sirlange Manga (União) – 87.820 votos
- Milton Leite Filho (União) – 71.631 votos
- Adriana Ventura (Novo) – 69.083 votos
- Eduardo Cury (PL) – 66.860 votos
- Wesley Cezar Lelinho (PL) – 66.673 votos
- Gil Diniz (PL) – 63.398 votos
- Edinho Araújo (PRD) – 54.443 votos
- Sônia Guajajara (PSol) – 54.207 votos
Por outro lado, o PL foi o mais beneficiado pelo cálculo. Com 6.431.217 e direito a 19 vagas, o partido conseguiu eleger Eduardo Cury, Wesley Cezar Lelinho e Gil Diniz, mesmo que eles tenham recebido menos votos que os adversários. Cury, por exemplo, obteve 66.860 votos, cerca de 40 mil a menos que o petista Rui Falcão, que recebeu 106.471 votos.



