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São Paulo

Professor de judô é condenado após chamar atleta de "macaca" em competição

Talita Libório denunciou caso de racismo durante os Jogos Abertos do Interior em São Sebastião. "Dor inesperada e profunda", afirmou ela

12/10/2026 15:26
Reprodução/Redes Sociais
Imagem colorida mostra Talita Libório, alvo de injúria racial durante competição de judô. Metrópoles

São Paulo — O instrutor de judô Renan Augusto Furtado Rossi foi condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão por injúria racial contra uma atleta durante os Jogos Abertos do Interior em 2022. Na ocasião, o professor chamou Talita Libório (imagem destacada) de “macaca”, “negrinha” e afirmou que a profissional “só ganha roubado”. A pena foi convertida em serviços à comunidade.

A condenação acontece após a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reverter uma decisão anterior, que havia absolvido Rossi por considerar que a autoria do crime não foi comprovada.

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Talita, no entanto, entrou com um recurso questionando a decisão. “A vítima apresentou narrativa detalhada, coerente e segura em ambas as fases da persecução penal”, avaliou o desembargador Flavio Fenoglio, que examinou o recurso. Segundo ele, o relato da judoca foi confirmado por uma testemunha imparcial que presenciou a ofensa, o que é suficiente para determinar a condenação.

Além dos serviços à comunidade, Renan Rossi deverá pagar R$ 5 mil à vítima. Cabe recurso.

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Racismo contra atleta de judô

  • A judoca Talita Libório denunciou um caso de racismo durante os Jogos Abertos do Interior, que aconteceram em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, em 2022.
  • Na ocasião, ela representava a delegação de Mogi das Cruzes.
  • Após vencer uma luta, Talita foi xingada de “negrinha” e “macaca”, e ouviu que ela “só ganha roubando”. As ofensas, segundo ela e o relato de testemunhas, vieram do instrutor Renan Augusto Furtado Rossi, da delegação de Sorocaba.
  • De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), o caso causou forte abalo psicológico em Talita, que não participou da competição no dia seguinte, ficou um ano afastada do judô e precisou de acompanhamento psiquiátrico por dois anos.
  • Após o ocorrido, a Prefeitura de São Sebastião colocou faixas de combate ao racismo em espaços esportivos dos Jogos Abertos.

Nas redes sociais, Talita Libório celebrou a decisão. “Um dos dias mais difíceis da minha vida”, disse ela ao relembrar o episódio, classificado como “uma dor inesperada e profunda, que deixou marcas que o tempo não apaga”.

“A dor não me calou. A injustiça não me fez desistir. E o racismo não passou despercebido. Sigo de pé, sigo lutando e sigo acreditando que respeito, dignidade e justiça não são favores: são direitos”, escreveu.

A defesa de Renan Augusto Furtado Rossi alega que o professor é inocente e que o relato de outras testemunhas contradiz a acusação.