
Arcebispo de Aparecida diz que "cenário político está muito carregado"
Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Mário Antônio da Silva disse que é preciso "furar bolhas", buscar o diálogo e agir com lucidez

Aparecida (SP) — O arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, afirmou nesta segunda-feira (12/10) que “o cenário político está muito carregado” e que ninguém tem o direito de usar a fé para ferir. O religioso também disse que é preciso “furar bolhas” e promover diálogo para manter saúde.
“O nosso cenário político está muito carregado, com muita disputa, muita acusação, muita indignação. Isso não nos ajuda no diálogo, no debate para a sociedade. Agora, é fantasia achar que isso não existe, infelizmente, no Brasil”, afirmou.

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Ver todasDom Mário também fez um chamado ao diálogo, orientando os fiéis a serem “pessoas lúcidas, sensatas”. “O chamado, hoje, furar bolhas. Só estamos no ambiente em que todas as ideias batem com a minha. Uma ideia que é diferente daquilo que eu penso já vejo como sendo de um inimigo e, muitas vezes, até como traidor. Isso é muito triste e muito desumano”.
Segundo o religioso, isso pode afetar a vida das pessoas de diversas formas. “Quando isso faz parte da política e da religião, isso é sinal de que a nossa saúde mental não está boa. Aí, nossa saúde religiosa, política, social vai ficar prejudicada”, afirmou.
O arcebispo de Aparecida disse que as pessoas devem se tratar como irmãs, porque “somos todos brasileiros e brasileiras”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Pensamos diferente? Sim, mas a diferença do nosso pensamento não deve nos distanciar e nos fazer inimigos. Podemos ter conflitos, mas isso não nos autoriza a entrar em confronto, guerra e, às vezes, em destruição da vida, do pensamento e da ideia de outras pessoas”, afirmou.
Notícias
Durante a campanha eleitoral, Nossa Senhora entrou no alvo da disputa política com notícias de que poderia deixar de ser considerada padroeira do Brasil, bem como sobre a maneira como se dá a devoção à santa.
Na entrevista desta segunda, ao responder ao repórter de um jornal sueco sobre como Nossa Senhora virou símbolo de disputa entre candidatos, o arcebispo de Aparecida disse que religião e política são realidades necessárias na vida e podem dialogar pelo bem comum e salvação das pessoas.
“Acredito também que toda essa polêmica que surgiu em torno da imagem e da devoção de Nossa Senhora se acelerou tendo em vista as redes sociais, notícias que circulam e algumas delas podem ter sido divulgadas sem muita análise da origem, da razão. Penso que isso gerou uma certa comoção e, às vezes, até uma convulsão desnecessária, tendo em vista a opinião e a religiosidade de ambas as partes, em um momento da política brasileira”, disse.
O arcebispo complementou sobre o papel da internet na vida das pessoas. “Qualquer coisa que vai nas redes sociais, no WhatsApp, foge do nosso controle. Para não chegar a essa doença mental, a gente tem que tomar as cápsulas da prudência, da paciência, do bom senso e, às vezes, até do bom humor diante de todas as situações. Que a gente possa zelar pelos símbolos e elementos religiosos católicos e não-católicos”, disse.
O debate despertado pelas polêmicas deveria ser visto como “uma oportunidade para que a gente reaviva o respeito entre as crenças, as religiões do nosso Brasil e do nosso mundo”.
“Não temos o direito de ferir ninguém com a sua fé ou com elementos de sua religião”, afirmou.
O arcebispo também falou que se existe risco de difamar, ofender e ferir, é melhor se retrair. “Para não deixar rastros e, depois, falar justificativas inexistentes.”















