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São Paulo

Quem era Gustavo Munis de Santana, jovem morto com 27 tiros da PM em SP

Descrito por amigos como uma pessoa alegre, jovem de 20 anos foi alvejado durante ocorrência de tentativa de suicídio em Moema

12/10/2026 13:56
Reprodução/Redes Sociais
Imagem colorida mostra Gustavo Munis de Santana, jovem morto com 27 tiros da PM. Metrópoles

São Paulo — Morto por 27 tiros da Polícia Militar (PM) na zona sul de São Paulo, o jovem Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, era descrito por amigos e familiares como uma pessoa leal e alegre. Ele foi baleado após policiais confundirem um celular com uma arma durante uma ocorrência na madrugada de sábado (10/10).

“Desde quando a gente conheceu, eu sentia uma energia diferente em você, uma felicidade, uma luz. Você era único, meu irmão. Você não era muito de demonstrar seus sentimentos, mas eu sabia que você sempre foi muito grato e amava muito todos nós. Hoje, nesse domingo, me pego pensando o quão bom foi ter dividido parte da minha vida com você, e o orgulho que eu tenho de falar que eu pude conhecer sua pessoa, não por um e nem por dois, por cinco anos. E esses cinco anos foram os melhores da minha vida”, escreveu um amigo em uma carta publicada nas redes sociais.

Uma prima de Gustavo também afirmou que o jovem era atencioso com familiares, trabalhava em um hospital e estudava para prestar vestibular para o curso de engenharia mecânica.


Jovem morto pela PM com 27 tiros

  • Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto por policiais militares na madrugada de sábado (10/10).
  • Segundo a corporação, os agentes foram chamados para atender a uma ocorrência de tentativa de suicídio na Avenida Moreira Guimarães, em Moema, zona sul da capital paulista.
  • A denúncia era de que o jovem estava transtornado e ameaçava atirar contra si mesmo, embora não haja registro de que ele estivesse armado.
  • Os policiais encontraram Gustavo sobre uma passarela na Avenida Moreira Guimarães, onde, conforme o relato dos agentes, ele colocava a mão na cintura, em “postura ameaçadora”.
  • O jovem teria corrido pela passarela e seguido até a Alameda dos Guaramomis, onde se abrigou ao lado de um imóvel.
  • Outras três viaturas foram enviadas ao endereço. Oito policiais participaram da abordagem.
  • Os agentes afirmaram que Santana saiu da área escura onde estava e estendeu os braços na direção deles, segurando um objeto escuro. Era um celular. Os policiais abriram fogo.
  • Ao todo, quatro PMs efetuaram 45 disparos. Gustavo foi atingido por 27 tiros na cabeça, tórax, pernas e braços.
  • Familiares informaram que Gustavo fazia uso de antidepressivos desde o ano passado. O boletim de ocorrência registra ainda que ele morava com a mãe e as irmãs e era descrito como “toxicômano”, sem especificar quais substâncias usava.

Segundo publicação feita por familiares, o jovem foi velado na manhã desta segunda-feira (12/10). O sepultamento ocorreu no início da tarde.

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Policiais afastados

Ao menos quatro policias militares foram afastados de atividades operacionais, nesse domingo (11/10), por envolvimento na morte do jovem. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que as circunstâncias são investigadas pelas polícias Civil e Militar e que a conduta dos agentes é apurada por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).

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“A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor. As armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia. As imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ação também foram solicitadas para análise.”