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São Paulo

"Prisão midiática", diz defesa de policiais presos por ligação com PCC

Defesa de Fabio Baena e Eduardo Monteiro teriam extorquido Vinícius Gritzbach para livrá-lo da investigação sobre morte de Cara Preta

17/12/2024 10:22, atualizado 17/12/2024 11:24
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Reprodução/Youtube
“Prisão midiática”, diz defesa de policiais presos por ligação com PCC

São Paulo — A defesa do delegado da Polícia Civil Fabio Baena e do investigador Eduardo Monteiro, presos na manhã desta terça-feira (17/12), afirma que eles são alvos de uma “operação midiática” e que a prisão deles representa uma “arbitrariedade flagrante”.

Baena e Monteiro foram alvos de mandados de prisão expedidos no âmbito de uma operação conjunta entre Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo, batizada de “Tacitus”. A investigação teve como ponto de partida a delação do corretor Vinícius Gritzbach, morto a tiros no Aeroporto de Guarulhos no último dia 8 de novembro.

As declarações de Gritzbach, que foram reiteradas em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, citam que Baena, Monteiro e outros policiais teriam cobrado propina para livrá-lo de investigação sobre a morte do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, pela qual se tornou réu.

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Joias, armas e dinheiro apreendidos durante Operação Tacitus, que prendeu policiais civis suspeitos de envolvimento com o PCC
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Joias, armas e dinheiro apreendidos durante Operação Tacitus, que prendeu policiais civis suspeitos de envolvimento com o PCC

Divulgação/MPSP
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Joias, armas e dinheiro apreendidos durante Operação Tacitus, que prendeu policiais civis suspeitos de envolvimento com o PCC

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Os advogados que representam os policiais civis afirmam que Gritzbach é um “mitômano”, que não apresentou qualquer prova das acusações.

“Inadmissível no Brasil se banalizar o direito à liberdade, decretando-se prisão midiática, sem contemporaneidade, e o mais grave, por fatos que já foram investigados e arquivados pela Justiça, por recomendação do próprio Ministério Público”, dizem os advogados do escritório Bialski.

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“A palavra pueril de um mitômano, sem qualquer elemento novo de prova, não poderia jamais motivar medida tão excepcional, afrontando o status dignitatis e libertatis dos nossos constituídos”, acrescentam.

Os advogados afirmam que tanto Fabio Baena quanto Eduardo Monteiro compareceram espontaneamente para serem ouvidos e jamais causaram qualquer embaraço às repetidas investigações.

Policiais alvos da operação

Além de Fabio Baena e Eduardo Monteiro, é alvo da operação o policial Rogério de Almeida Felício, o Rogerinho, que também foi delatado por Gritzbach e segue foragido.

Todos atuavam no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e foram afastados das funções por causa das denúncias. Gritzbach foi fuzilado oito dias depois de denunciar a conduta desses policiais à Corregedoria por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a denúncia de Gritzbach, os policiais receberam ao menos R$ 11 milhões de propina, em dinheiro vivo, para retirar o nome de investigados em inquéritos por homicídio e envolvimento com o tráfico de drogas.

O inquérito policial de homicídio, mencionado no depoimento, era o mesmo no qual Gritzbach era investigado pelo suposto envolvimento no assassinato de dois integrantes do PCC, facção que o havia jurado de morte e a qual ajudou na lavagem de dinheiro.