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Presos por morte de advogado revelam rota do crime em depoimento. Veja

Os presos pela morte do advogado Luiz Fernando Pacheco vagaram pelo centro de São Paulo procurando vítimas e formas de vender o que roubaram

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Imagem colorida de advogado reagindo a roubo com uma mulher do lado. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de advogado reagindo a roubo com uma mulher do lado. Metrópoles - Foto: Reprodução

Pouco mais de dois quilômetros e cerca de trinta minutos de caminhada separam o ponto de partida dos suspeitos de envolvimento na morte do advogado Luiz Fernando Pacheco, em Higienópolis, região central de São Paulo, do local do crime.

Depoimentos prestados à Polícia Civil, obtidos pelo Metrópoles, revelam a dinâmica e a rota do roubo seguido de morte ocorrido na madrugada da última quarta-feira (1º/10).

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O advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco
O advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco
Luiz Fernando Pacheco foi agredido e roubado antes de morrer
Luiz Fernando Pacheco foi agredido e roubado antes de morrer
Luiz Fernando Pacheco foi agredido e roubado antes de morrer
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Luiz Fernando Pacheco foi agredido e roubado antes de morrer

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Rota pelo centro de São Paulo

Em situação de rua, os suspeitos estavam em um estabelecimento que fornece alimentação a pessoas em situação de vulnerabilidade, às 20h da terça-feira (30/9), quando decidiram sair pelo centro da capital paulista procurando alvos para roubar.

Eles partiram da região do Terminal Bandeiras, próximo à Avenida 23 de Maio, rumo ao Vale do Anhangabaú, “onde não encontraram pessoas de interesse para roubar”, conforme o relatório policial.

Os suspeitos então seguiram até a Praça da República e, depois, até a Praça Roosevelt. Nos dois locais, também não encontraram potenciais vítimas.

Por fim, o grupo de quatro pessoas – dos quais três estão presos temporariamente e um não foi identificado pela polícia – se dirigiu a Higienópolis. Por volta da 1h da última quarta-feira, encontraram Pacheco embriagado e vulnerável, apoiado em um poste de sinalização, na Rua Itambé.

Dois deles, receosos com a proximidade de uma guarita de segurança, teriam desistido de participar da ação e saído do local. Como mostram imagens que registram o caso, somente um casal abordou o advogado, que resistiu ao assalto e foi derrubado no chão, batendo a cabeça. Após convulsionar, ele não resistiu, e morreu antes da chegada da Polícia Militar (PM).

Destino dos itens roubados

A rota deste crime, no entanto, não acaba em uma esquina do nobre Higienópolis. Após subtraírem da vítima um celular iPhone 8 e um relógio Rolex, um dos suspeitos planejou vender os objetos.

Primeiro, ele teria tentado vender o celular na região do Glicério, na Liberdade, a cerca de 1,5km do ponto de partida. Depois, o assaltante foi até uma loja da Rolex na Avenida Paulista, desta vez mais próxima do local do crime. Lá, ele descobriu que o relógio roubado é avaliado em R$ 94 mil.

Ao ser interrogado, o suspeito afirmou que não vendeu os objetos, porém não soube dizer onde estariam os pertences do advogado.

De acordo com o relatório policial, a localização do celular de Pacheco batia com o local em que os suspeitos foram encontrados, o mesmo estabelecimento de onde partiram para cometer o crime, próximo ao Terminal Bandeira.

Vídeo completo mostra agressão e roubo

Imagens mostram o momento em que Pacheco é abordado na esquina das ruas Itambé e Maranhão. É possível ver o assaltante pegar algo do bolso do advogado, que resiste em entregar. Depois, o suspeito dá um soco na vítima, que cai no chão. A cena é acompanhada de perto pela mulher que acompanha o assaltante. Veja:

Um carro passou pelo local e viu Pacheco caído no chão. O motorista desceu do veículo e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, em seguida, a Polícia Militar (PM) para socorrê-lo. “Demoraram 40 minutos para estar no local”, disse ao Metrópoles o advogado e amigo da vítima, Ivan Filler Calmanovici.

O motorista também prestou depoimento à polícia. Em interrogatório, ele afirmou que viu Pacheco convulsionando após cair e bater a cabeça no chão. Quando os policiais militares chegaram, o advogado já estava morto.

Trio é preso após morte de advogado

Os três suspeitos foram presos na noite de sexta (3/10), em cumprimento de mandados de prisão temporária expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Eles passaram por audiência de custódia no sábado (4/10) e permanecem detidos.

Em relatório, a autoridade policial afirmou estar “empenhada” em identificar e localizar um quarto suspeito, chamado apenas de Willian. Ele teria sido convidado a participar do roubo, mas não estava presente no momento do crime.

A investigação, conduzida pelo 4º Distrito Policial (DP), da Consolação, trata o ocorrido como um “crime de oportunidade”, visto que o advogado saía de um estabelecimento aparentando estar embriagado, quando foi abordado pelos criminosos. Os investigadores aguardam a divulgação dos resultados dos laudos médicos que indicarão a causa da morte.


Quem era Luiz Fernando Pacheco

  • O advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco começou a carreira em 1994, quando ingressou na banca de advocacia de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e em parte do segundo mandato.
  • Ele se formou em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1996.
  • Pacheco atuou no caso do Mensalão, defendendo o então deputado José Genoino (PT-SP).
  • Ele também foi sócio-fundador do Prerrogativas, grupo de juristas pró-PT.
  • Além da atuação profissional, Pacheco ocupou cargos relevantes na advocacia e na política de defesa dos direitos.
  • Presidente da Comissão de Prerrogativas da seccional paulista e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).
  • E também integrou o Conselho Nacional Antidrogas da Presidência da República.
  • Nos últimos anos, atuava em seu próprio escritório, Luiz Fernando Pacheco Advogados, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo.

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