Prefeitura revoga nomeação de ex-chefe da GCM acusado de agredir ex

No Diário Oficial desta sexta-feira (5/9), foi publicada nomeação de Eliazer Rodella para Superintendência de Ações Ambientais

atualizado

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Divulgação/PMSP
Eliazer Rodella
1 de 1 Eliazer Rodella - Foto: Divulgação/PMSP

Após repercussão negativa, a Prefeitura de São Paulo informou, na tarde desta sexta-feira (5/9), que vai revogar a nomeação do ex-chefe da Guarda Civil Municipal (GCM) Eliazer Rodella para a Superintendência de Ações Ambientais e Especializadas do órgão, publicada no Diário Oficial horas antes.

Em abril, Rodella foi afastado do cargo após o Metrópoles publicar reportagens sobre acusações feitas por duas ex-companheiras dele. Uma delas, a advogada Samara Rocha, teria sido espancada enquanto estava grávida do segundo filho do então casal, em 2008.

A outra, Iranair Gomes da Silva, que viveu com o ex-comandante antes de Samara, teria sido torturada pelo então companheiro com pedaços de madeira, em 1997.

Rodella ainda responde a processo administrativo disciplinar junto à Corregedoria, após as acusações de agressão.

A informação de que a nomeação para a superintendência seria revogada foi enviada ao Metrópoles às 15h07.

Espancada grávida

Em entrevista ao canal no YouTube Histórias de Divórcios, Samara Rocha disse, sem citar Rodella nominalmente, que seu ex-companheiro, um “comandante” de uma “instituição de segurança”, teria agredido ela na frente da filha.

“Quando eu estava [grávida] de oito meses do meu filho, ele me espancou. Minha enteada estava em casa, ela estava com 12 anos. A minha filha tinha um ano e quatro meses. Ele batia minha cabeça na porta, deixou meus braços roxos, me jogou na cama com muita força. Minha enteada começou a chorar, minha menina também. […] Ele dava soco em mim. Não soco na barriga, soco no braço. Meu braço ficou todo roxo”, disse Samara.

A advogada afirma que, na ocasião, não teve coragem de denunciar o então companheiro à polícia, porque “não tinha ninguém” e decidiu pensar nos filhos.

“As vizinhas chamaram a polícia, elas conseguiam ver minha casa. Elas sabiam que eu estava grávida. A polícia foi lá no portão, e ele ficou quietinho. São covardes, né? Ele ficou morrendo de medo. Eu tive que pensar em fração de segundos: ‘Se eu fizer a denúncia, como vou fazer?’. Eu não tinha ninguém. Então eu não falei”, relata a advogada.

Assista:

Tortura

Com Iranair Gomes da Silva, a mulher que vivia com Rodella antes de Samara, as agressões com cintos e pedaços de madeira teriam marcado o relacionamento.

Nair, como é conhecida, afirma que o episódio ocorreu em 1997, na casa em que moravam na zona leste da capital. Na ocasião, o GCM levou a filha do casal para a casa da irmã dele para que os dois ficassem sozinhos. Ele teria iniciado uma discussão e começado o espancamento.

“Ele aumentou o som no último volume para ninguém ouvir o barulho. Começou a me espancar. Bateu, bateu, bateu muito na minha cabeça. Os pedaços de pau que ele arranjava… Pegou o cinto, bateu muito nas minhas costas, na minha cabeça, nas minhas pernas. […] O que ele tinha ali que ele pudesse achar, ele batia em mim”, afirmou Nair ao Metrópoles.

“Ele pegou um pedaço de pau assim maiorzinho, começou a pregar uma ponta de prego para me bater. Quando eu vi aquilo eu falei: ‘Eu vou morrer’. Eu na hora que eu fingi que ia desmaiar. Meu olho começou a tremer. […] Aí ele trancou as portas, saiu, voltou com a caixa de remédio, mandou eu tomar aquele remédio. Nem sei que remédio é, até hoje não sei que remédio que era aquele. Eu tomei”, acrescenta a mulher.

Segundo Nair, no dia seguinte, Rodella teria agido como se nada tivesse acontecido e, quando foi buscar a filha na casa da irmã, teria contado rindo sobre o espancamento. A mulher afirma que tinha machucados por todo o corpo e que a única parte que não estava roxa era o rosto.

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