Policial admite que baleou inocente usado como escudo humano no metrô
Registros oficiais da Polícia Civil indicam que papiloscopista apertou gatilho de pistola ao menos 5 vezes após abordagem de bandidos em SP
atualizado
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Em depoimento à Polícia Civil, o papiloscopista de 28 anos que reagiu com tiros a um assalto, na estação São Bento do Metrô, na tarde de sábado (30/5), admitiu ter baleado um homem usado como escudo humano por um dos bandidos. A vítima (imagem em destaque) seguia internada até a publicação desta reportagem.
Ao todo, como consta em relatório, o policial civil de 3ª Classe apertou ao menos cinco vezes o gatilho de sua pistola, calibre ponto 40, com a qual reagiu ao roubo. Ele afirmou ainda “não saber informar” se os ladrões que o abordaram “efetuaram disparos”.
Os tiros resultaram em cinco inocentes feridos, além de um dos suspeitos que abordou o papiloscopista — minutos após ele adquirir um MacBook, notebook de alto valor, em uma loja na região da Rua 25 de março.
Fontes que acompanham o caso, investigado pelo 8º DP (Brás), afirmaram ao Metrópoles que um único disparo dado pelo policial acertou duas vítimas, feridas de raspão. Outros três, até o momento também atribuídos ao policial, feriram um bebê de 11 meses — que já teve alta hospitalar — a mãe da criança e o companheiro dela, de 35 anos, ferido no abdômen e submetido a uma cirurgia.
O único preso
Thiago Aparecido Campos, 39, que compôs o trio de criminosos que abordou o policial, foi ferido por um dos cinco tiros dados pelo papiloscopista, como afirmado em depoimento pelo próprio agente, atualmente lotado na cidade de Jaú, no interior paulista.
Até a publicação desta reportagem, o criminoso seguia internado, sob escolta de policiais militares. A defesa dele, que foi preso em flagrante por roubo, não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
Fontes policiais relataram que “aparentemente” nenhum dos criminosos atirou durante e após a abordagem ao policial, reforçando o relato do agente alvo dos bandidos.
Como afirmado pelo papiloscopista, ainda em depoimento, somente um dos ladrões supostamente portava um aparente revólver, não localizado até o momento. Os outros dois suspeitos de participar do assalto também não foram encontrados. O notebook teria sido levado, pois não consta entre os itens apreendidos e apresentados no 8º DP.
“Não reage, fica quietinho”
O policial civil relatou que usou o dia de folga para adquirir um MacBook em um shopping de comércio popular, por volta das 11h30 de sábado na região da Rua 25 de Março, ocasião na qual dezenas de milhares de pessoas circulavam pela região.
Armado com uma pistola de uso profissional, o papiloscopista, já portando o computador, foi até a estação São Bento do Metrô, no centro paulistano, com a intenção de ir embora.
Após descer o primeiro lance de escadas, ele teria sido abordado por Thiago e mais dois suspeitos, pouco antes de acessar à catraca de acesso à área de embarque.
Um dos criminosos, segue o depoimento, teria apontado uma arma na direção do rosto do policial. Ao mesmo tempo, um comparsa tentou pegar a bolsa com o notebook, que estava em frente ao corpo do agente, enquanto orientava “não reage, fica quietinho”.
“Lesionado no local”
O terceiro criminoso, ainda de acordo com o policial civil, deu cobertura à dupla que abordava o papiloscopista, o qual reagiu virando-se “levemente para trás pelo lado direito”, se encolhendo e sacando a arma, com a qual “efetuou disparos, por baixo de seu braço esquerdo, atingindo certamente um dos autores [Thiago], que permaneceu lesionado no local.”
Neste trecho do depoimento, o policial civil admite ter ferido uma das vítimas, que foi usada por um dos criminosos como escudo humano.
“Quando iniciou os disparos [o policial], o terceiro indivíduo envolvido nos fatos puxou o rapaz do casal […] escondendo-se atrás dele, que acabou sofrendo um dos disparos”.
Após os tiros, o policial acrescentou que todos os criminosos correram, não sabendo precisar também quantos tiros havia dado. “No local exato da abordagem, ficaram só os usuários do metrô que foram atingidos [pelos tiros]”, ressaltou o papiloscopista.
Thiago foi preso logo em seguida, por PMs, ainda na estação de metrô.
Após a arma do policial civil ser apreendida, constatou-se que, de 16 munições, 11 seguiam intactas.
O roubo é investigado pelo 8º DP e a conduta do papiloscopista já é alvo de um procedimento instaurado pela Corregedoria da Polícia Civil, a qual irá avaliar se houve excesso na reação do policial ao assalto.







