“Greve branca”: Polícia Penal organiza mutirão de doação de sangue
Em meio a críticas à gestão Tarcísio, a Polícia Penal organiza ato de protesto amparado em lei que dá folga para quem doa sangue
atualizado
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A Polícia Penal de São Paulo está organizando uma “greve branca” para este final de semana (27 a 29/3). A categoria está convocando os servidores ativos e aposentados a doarem sangue – o que permite, por lei, a dispensa de um dia de trabalho.
A campanha surge em meio às manifestações da corporação. Eles reivindicam da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) um novo reajuste salarial e a aquisição, por meio de concurso público, de novos agentes. A categoria não foi incluída no aumento de 10% na remuneração proposto pelo governador às polícias paulistas.
Segundo o Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal), houve o aumento de apenas 3,43% na massa salarial da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). A entidade aponta também um déficit de 38% de servidores, em um contexto em que a população prisional do estado cresce continuadamente.
Doação de sangue funcionará como “greve branca”
Em manifestação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última terça-feira (24/3), os policiais penais se reuniram para discutir a possibilidade de uma greve. Sob ameaça de investigação e cobrança pelos órgãos competentes no caso de uma paralisação, a categoria optou por realizar a chamada “greve branca”.
A solução encontrada foi recorrer ao que está previsto no artigo 122 da Lei Estadual nº 10.261/1968: “O funcionário que comprovar sua contribuição para banco de sangue mantido por órgão estatal ou paraestatal, ou entidade com a qual o Estado mantenha convênio, fica dispensado de comparecer ao serviço no dia da doação”.
SAP tenta coibir manifestação
Ciente da estratégia, a direção do Complexo Penal de Lavínia, no interior do estado, emitiu uma comunicação interna aos servidores.
“Segundo informações, estão organizando uma doação de sangue em massa, com objetivo de fazer uma ‘greve branca’ neste sábado. Portanto o pedido é para os funcionários não aderirem a greve, pois quem aderir será investigado e cobrado pelos órgãos competentes”, diz o texto.
O chefe de plantão da unidade, não identificado, afirmou na mensagem que a categoria está “atravessando um momento delicado, onde será exigido de nós cautela e inteligência”.
“Cada um é dono de si e de sua consciência, portanto cuidem da saúde dos senhores, da vida funcional, sejam mais cooperativos com o companheiro de trabalho. Cuidem da segurança um do outro, para que possamos voltar para as nossas famílias bem, fisicamente e psicologicamente. E que Deus nos proteja e nos guarde nesse momento que vamos atravessar juntos, no mesmo barco meus irmãos”, finalizou o comunicado.
Sindicalista fala em “protesto pacífico”
O policial penal Fabio Jabá, presidente do Sinppenal, afirmou que a comunicação é uma tentativa de “apavorar a base”. “Se todos forem doar sangue, o sistema para”, destacou.
Jabá enfatizou, ainda, que os hemocentros frequentemente fazem campanhas para doação de sangue a fim de atrair doadores. “Nossa ideia não é só pra estes dias, É um mobilização permanente para incentivar todos a doarem”, adiantou. Segundo o representante da categoria, a manifestação é um protesto pacífico.
“Não se deixe intimidar por interpretações equivocadas. A doação de sangue é um ato altruísta, pacífico e legalmente amparado, sendo essencial para manter os bancos de sangue que operam constantemente em níveis críticos”, publicou nas redes sociais.
O Metrópoles procurou a SAP para comentar o caso, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
