Polícia faz busca e apreensão em postos ligados a operador do PCC
Postos de combustíveis alvo da operação estão ligados a Mohamad Hussein Mourad, apontado como operador de lavagem de dinheiro do PCC
atualizado
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A Polícia Civil realiza, na manhã desta terça-feira (21/10), uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em seis postos de combustíveis ligados ao empresário Mohamad Hussein Mourad, suspeito de comandar a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). São cumpridos mandados em Santos e Praia Grande, no litoral paulista, e Araraquara, no interior de São Paulo.
De acordo com a polícia, Himad Abdallah Mourad administrava os postos. Ele é primo de Mohamad, que foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto deste ano e que investiga diversas fraudes em combustíveis, com desdobramentos em lavagem de capitais, fraudes tributárias e estelionato. As operações, segundo a investigação, superam a cifra de R$ 8,4 bilhões.
Himad controlava os postos diretamente, por meio da holding GGX Global Participações, ou com pessoas laranjas, de acordo com as investigações. Cinco desses estabelecimentos usavam a bandeira RodOil. O primo de Mohamad figura no quadro societário de mais de 100 postos de combustíveis, segundo a polícia.
Em pelo menos um dos postos vistoriados nesta terça, com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e da Secretaria da Fazenda, foi constatada adulteração no combustível, além de fraude volumétrica, com bombas que dispensam menos combustível do que o indicado no visor, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O Metrópoles entrou em contato com a RodOil e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Postos alvos de busca e apreensão
- Auto Posto Panamera LTDA – Avenida Presidente Kennedy, nº 10.136, bairro Maracanã, em Praia Grande
- Auto Posto Ímola de Araraquara LTDA – Avenida Maria Camargo de Oliveira, nº 3.571 , bairro Vila Velosa, em Araraquara
- Auto Posto Platinum – Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, nº 8.989, bairro Vila Mirim, em Praia Grande
- Auto Posto Quasar LTDA – Avenida Presidente Kennedy, n° 12.970, bairro Vila Caiçara, em Praia Grande
- Auto Posto Super Senna LTDA – Avenida Washington Luís, nº 434, bairro Gonzaga, em Santos
- Auto Posto Novo Milênio -Rua Conselheiro Rodrigues Alves, nº 385, bairro Macuco, em Santos
Mohamad Mourad
Apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro do ramo de combustíveis, Mohamad Mourad atua em “toda a cadeia produtiva do setor”. Com a compra da formuladora Copape e da distribuidora Aster, ele teve capilaridade da matéria-prima, com as usinas de etanol, passando por distribuidoras, transportadoras, fabricação, refino, armazenagem, redes de postos de combustíveis e conveniência.
Segundo a investigação, Mohamad envolveu toda a sua família no esquema criminoso de fraudes no setor de combustíveis. Além da sua companheira, irmãos e primos do empresário, outras 16 pessoas faziam parte do núcleo central do esquema. Junto com Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, Mourad seria o principal operador por trás do ecossistema fraudulento que envolveria toda a cadeia de combustíveis, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final até os elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos.
Para isso, eles teriam instrumentalizado a empresa formuladora Copape e a distribuidora Aster para desempenhar fraudes fiscais e contábeis, falsidades, e lavagem de dinheiro, montando um ecossistema de crimes vinculado não só ao PCC, como também a outros grupos criminosos.
Operação Carbono Oculto
- A megaoperação deflagrada em agosto, a maior contra o crime organizado no país, apontou um complexo esquema de fraude em postos de combustíveis e fintechs que tinha núcleos comandados pelo PCC.
- Mais de 350 pessoas e empresas são alvo da força-tarefa.
- De acordo com a investigação, a fraude começava na importação irregular de metanol, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.
- O produto, que era para ser entregue para empresas de química e biodiesel indicados nas notas fiscais, era desviado para postos de combustíveis.
- Segundo a Receita Federal, cerca de 1.000 postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
- Foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em oitos estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.



















