Familiares comandavam esquema criminoso que envolve PCC e Faria Lima

Núcleo central de esquema criminoso envolvia companheira, irmãos e primos de Mohamad Mourad. PCC sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos

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1 de 1 mourad - Foto: Reprodução/Linkedin

Apontado como principal alvo da megaoperação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e da Receita Federal deflagrada nesta quinta-feira (28/8), o empresário Mohamad Hussein Mourad envolveu toda a sua família no esquema criminoso de fraudes no setor de combustíveis.

Além da sua companheira, irmãos e primos do empresário, outras 16 pessoas faziam parte do núcleo central do esquema. Junto com Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, Mourad seria o principal operador por trás do ecossistema fraudulento que envolveria toda a cadeia de combustíveis, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final até os elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos.

Para isso, eles teriam instrumentalizado a empresa formuladora Copape e a distribuidora Aster para desempenhar fraudes fiscais e contábeis, falsidades, e lavagem de dinheiro, montando um ecossistema de crimes vinculado não só ao Primeiro Comando Da Capital (PCC), como também a outros grupos criminosos.


Núcleo familiar

  • Companheira de Mohamad, Silvana Correa: titular da empresa usada para ocultação e blindagem de bens e vinculada.
  • Irmã de Mohamad, Amine Hussein Ali Mourad: titular da Khadige Conveniência Ltda., também conhecida como Empório Express Ltda, empresa de conveniência com 168 filiais. Amine também é sócia formal da empresa que Amine assumiu a posição da Copape após a sua cassação.
  • Irmão de Mohamad, Armando Hussein Ali Mourad: presidente de uma das principais distribuidoras de combustível do esquema, a Safra Distribuidora de Petróleo S.A, além de postos de combustíveis em Goiás, distribuidoras de combustível e uma empresa criada para contornar a suspensão da Copape.
  • Primo de Mohamad, Himad Abdallah Mourad: apontado como um dos principais expoentes do grupo. Criou a Insight Participações S/A, utilizada para blindagem patrimonial e lavagem de capitais. Além de integrar os quadros sociais de uma das transportadoras e ser diretor da empresa que era dona de 163 postos de gasolina. Ele usava os fundos de investimento imobiliários para objetivos do grupo.
  • Primo de Mohamad, Ali Mohamad Mourad: sócio da empresa de engenharia responsável pela construção do escritório de Mohamad em Catanduva.
  • Hussein Ali Mourad: sócio e administrador da empresa que assumiu a posição da Copape após sua cassação
    Irmão da esposa do primo de Mohamad, Tharek Majide Bannout: Sócio em diversas empresas do grupo e em postos de combustíveis em São Paulo
  • Armando Hussein Ali Mourad: presidente da empresa  Lubercol Servicos Administrativos Ltda.

Associados ao Clã Mourad:

  1. Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”): apontado como co-líder da organização criminosa, era responsável pela gestão da Copape e Áster.
  2. Jomar Maurício Fornielis das Chagas: Ex-gerente de posto de combustível de Mohamad, peticionário para assumir a diretoria da Usina Carolo e empresa de logística.
  3. Gustavo Nascimento de Oliveira: Administrador da Locar Locadora, um “laranja” no esquema. Ligado a postos de combustíveis (Auto Posto Texas Ltda) e transportadoras de produtos perigosos (Rota Fuel Transporte Ltda).
  4. Sérgio Luiz Freitas da Silva: Advogado, atual gestor da Blue Star Locação de Equipamentos S.A, e outorgado em diversas transferências de imóveis da Insight.
  5. Renato Steinle de Camargo: “Pessoa interposta” para a aquisição da Copape e Áster.
  6. Maria Eliza Landi: Advogada, administradora da Eagle Infraestrutura e Participações Ltda, cotista do Fundo Olímpia
  7. Lucas Tomé Assunção: Contador do grupo Mohamad, gerente contábil fiscal da GGX Global Participações, com a sede de sua empresa no mesmo endereço do grupo.
  8. Marcello Ognibene da Costa Batista: Contador com conexões com
  9. Lucas Tomé Assunção e outros contadores de grupos investigados
  10. Rogério Garcia Peres (Altinvest): Administrador de fundos de investimento, amplamente envolvido com o grupo Mohamad, sócio em postos de combustíveis.
  11. João Carlos Falbo Mansur (Reag): Gestor da Reag, responsável por fundos como Mabruk II e Hans 95, diretamente implicado na ocultação de valores sem origem
  12. Ramon Pessoa Dantas: Representante da Reag, atuou na aquisição da Usina Itajobi e de créditos da Usina Virgolino de Oliveira;
  13. Alexandre Motta de Souza e Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza: Membros da organização criminosa de Mohamad, titulares de postos de combustíveis envolvidos em fraudes em bombas e adulteração de combustível, com forte correlação com o grupo Mohamad.
  14. Fabiana de Oliveira Lima Pereira: “Laranja” do grupo Mohamad, possui vínculo empregatício com a Petroriente.
  15. Pedro Furtado Gouveia Neto: Representante da GGX, com vínculos aparentes na investigação.
  16. Luiz Ernesto Franco Monegat: Integrou os quadros societários da Ice Química Comercial, Importadora e Exportadora Ltda, e de diversas empresas de postos de combustíveis.

Quem é Mohamad Mourad

 

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Há indícios de que lojas de conveniência e padarias também parcipavam do esquema
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O empresário Mohamad Mourad é apontado como “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro do ramo de combustíveis.

Ele foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/8), que investiga diversas fraudes em combustíveis, com desdobramentos em lavagem de capitais, fraudes tributárias e estelionato. As operações, segundo a investigação, superam a cifra de R$ 8,4 bilhões.

Mourad é o principal operador da Copape e Aster, empresas que deram a ele acesso à capilaridade da matéria-prima, com as usinas de etanol, passando por distribuidoras, transportadoras, fabricação, refino, armazenagem, redes de postos de combustíveis e conveniência.

A Copape é uma distribuidora considerada uma das maiores empresas de postos de combustível “bandeira branca” do país. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) chegou a fechar a Copape por suspeita de envolvimento com o PCC  e depois por fraude na cadeia produtiva de combustíveis.

Há oito meses, Mohamad se identificou como “consultor” da Copape e publicou um vídeo no LinkedIn defendendo a empresa e dizendo que as investigações se tratavam de uma “guerra de concorrentes”. Segundo ele, quem estava por trás das denúncias contra ele era o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit.

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