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São Paulo

Polícia mira grupo que multiplicou empresas fakes e desviou R$ 80 milhões

Grupo é suspeito de fabricar rede de 100 empresas para dar diversos golpes na internet. Polícia Civil prendeu um e cumpriu 20 mandados

14/07/2026 10:19, atualizado 14/07/2026 10:20
Divulgação/Governo de SP
Operação da Polícia Civil de SP - Metrópoles

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (14/7) uma operação contra uma rede de mais de 100 empresas de fachadas suspeitas de desviar aproximadamente R$ 80 milhões. Policiais do 10º Distrito Policial (Penha) prenderam um suspeito e cumpriram mandados em mais de 20 endereços no estado de São Paulo.

A Operação Summit foi nomeada a partir do nome usado em diversas empresas de fachada, criadas em uma espécie de produção em série de CNPJs em nomes de laranjas, que eram desativados após bloqueios ou denúncias. Um levantamento feito pelos policiais do distrito da Penha conseguiu levantar as queixas relativas a cada uma dessas empresas usadas nos crimes.

No topo do esquema, segundo a Polícia Civil, está Fábio Czerkes Santana, que foi preso na operação. De acordo a apuração, ele teria um histórico de sonegação milionária e metamorfoseou-se, migrando da fraude tributária para o cibercrime, mas mantendo a mesma estrutura de contadores e laranjas. A reportagem não localizou a defesa de Santana. O espaço segue aberto.

A investigação identificou o município de Santa Bárbara d’Oeste como uma espécie de bunker administrativo da quadrilha. Lá, o grupo recrutava sistematicamente pessoas em situação de vulnerabilidade para figurarem como donos de empresas multimilionárias.

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Como funcionava o esquema

O grupo utilizava uma padronização nominal, criando centenas de empresas com o prefixo “Summit” ou nomes que remetiam ao mercado financeiro para gerar falsa credibilidade. Essas empresas eram abertas em lotes coordenados, todas com o capital social fictício de R$ 5 milhões.

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As vítimas eram atraídas por por meio do Instagram e do WhatsApp por supostos “professores” e “analistas” que prometiam lucros rápidos em plataformas de investimento. Para enganar os investidores, a quadrilha utilizava tecnologia de ponta: dashboards manipuláveis onde os saldos eram fictícios, criados por especialistas em TI que operavam em escritórios de luxo na Avenida Paulista.

Um dos casos, por exemplo, envolve um falso esquema de investimentos conduzido por um homem que se apresentava como professor e por uma mulher que atuava como sua assistente. Os suspeitos afirmavam representar a empresa Summitrise Financial Partners Ltda. e direcionaram a vítima para uma plataforma que simulava operações financeiras legítimas.

Durante dez dias em fevereiro de 2025, a vítima realizou cinco depósitos que somaram mais de R$ 250 mil. Durante esse período, os criminosos enviavam capturas de tela com saldos fictícios que chegavam a R$ 4,7 milhões, induzindo a vítima a acreditar que obtinha elevados lucros e incentivando novos aportes.

Para conquistar a confiança da vítima, permitiram apenas um saque inicial de pouco mais de R$ 30 mil, dando a impressão de que os investimentos eram reais. Quando tentou resgatar os valores, a vítima passou a receber exigências de novos pagamentos sob justificativas falsas, como custos de fechamento, liberação de valores superiores e diferença cambial para concluir operações em dólares. A fraude foi percebida apenas quando os pedidos de depósitos adicionais se tornaram sucessivos e inviabilizaram o saque do suposto saldo acumulado.

A polícia suspeita que o mesmo grupo também esteja envolvido no ataque hacker contra a financeira Sinqia, ocorrido em agosto de 2025, que comprometeu aproximadamente R$ 710 milhões.

De acordo com a apuração, Fábio Czerkes Santana chegou a abrir uma empresa em Varsóvia, na Polônia, para abrir uma conta bancária, que acabou sendo negada.