Polícia Civil afasta diretor após apreensão de celulares em presídio

Operação Video Vocacionis apreendeu 23 celulares em celas de presídio da zona norte de SP. Apreensão aconteceu 1 dia antes de afastamento

atualizado

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Imagem colorida de presídio da polícia civil na zona oeste de SP. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de presídio da polícia civil na zona oeste de SP. Metrópoles - Foto: Reprodução/ Street View

São Paulo — A Secretaria da Segurança Pública (SSP) comunicou, nesta quarta-feira (5/2), o afastamento de Guilherme Solano, diretor do presídio da Polícia Civil, na zona norte de São Paulo. A medida foi tomada um dia depois da captura de 23 aparelhos celulares dentro de celas da unidade prisional. onde estão presos agentes acusados pelo delator do PCC Vinicius Gritzbach, morto em novembro de 2024.

Segundo a pasta, a conduta dos funcionários do presídio será investigada em três inquéritos policiais instaurados. Os investigados e o diretor prestam depoimentos nesta quarta.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP) estão detidos na unidade prisional alvo da operação agentes suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), acusados por Vinícius Gritzbach. Entre eles, Valmir Pinheiro, conhecido como Bolsonaro, e Valdenir Paulo de Almeida, apelidado de Xixo.

Além dos celulares foram encontrado R$ 21.672,15 em espécie, 11 smartwatches, 14 carregadores de celular; 26 fones de ouvido, pequena quantidade de droga, dólares, euros e um notebook


  • As apreensões fazem parte da Operação Video Vocacionis, nome que faz referência à expressão “vídeo chamada” em latim. Esse era o modo que os presos contatavam o interlocutor.
  • A investigação busca apreender celulares usados por dois policiais civis que estão recolhidos preventivamente na unidade prisional.
  • Também foi cumprido mandado de busca e apreensão contra um delegado investigado por participar do esquema.
  • A SAP, a Controladoria-Geral do Estado, Polícia Científica e Guarda Civil Metropolitana (GCM) também participaram da operação.

Xixo e Bolsonaro

Os policiais civis Valmir Pinheiro, conhecido como Bolsonaro, e Valdenir Paulo de Almeida, apelidado de Xixo, são suspeitos de ligação com o PCC. Eles são acusados de receber propina para arquivar investigações sobre tráfico de drogas.

Ambos estão presos preventivamente desde setembro passado. Nesta terça-feira (4/2), os investigadores foram alvo de busca e apreensão em uma Operação Video Vocacionis.

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Policiais civis Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo" (esq.), e Valmir Pinheiro, conhecido como "Bolsonaro", presos por envolvimento com o PCC
Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos
Vinicíus Gritzbach, delator do PCC
Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ
Policiais civis Valmir Pinheiro, conhecido como "Bolsonaro" (esq.), e Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo", presos por envolvimento com o PCC
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Policiais civis Valmir Pinheiro, conhecido como "Bolsonaro" (esq.), e Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo", presos por envolvimento com o PCC

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Policiais civis Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo" (esq.), e Valmir Pinheiro, conhecido como "Bolsonaro", presos por envolvimento com o PCC
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Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos
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Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos

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Vinicíus Gritzbach, delator do PCC
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Vinicíus Gritzbach, delator do PCC

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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ
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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ

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Segundo as investigações, os policiais usavam celulares dentro do presídio para se comunicar com comparsas por meio de videochamadas e pressioná-los a omitir informações em depoimento. O MPSP afirma que os celulares entraram na cadeia com ajuda de dois familiares dos suspeitos.


Relembre o caso

  • Os policiais foram indiciados por crimes contra a administração pública, usura, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Eles são acusados pelo MPSP de receber R$ 800 mil do narcotraficante João Carlos Camisa Nova Júnior para livrá-lo de uma investigação sobre envio de toneladas de cocaína para a Europa.
  • As investigações indicam que o pagamento de propina aos policiais era feito mensalmente por advogados do PCC entre 2020 e junho de 2021. A propina resultou no arquivamento de apurações e na interrupção de um inquérito policial realizado pelo Departamento de Narcóticos (Denarc).
  • O delator do PCC Vinícius Gritzbach, morto com 10 tiros de fuzil no Aeroporto de Guarulhos em 8 de novembro, teria informado a Bolsonaro e Xixo a localização de 15 casas cofre da facção, onde ficavam escondidos milhões de reais em espécie.
  • Os policiais teriam ido aos locais, sem mandado, e se apropriado dos valores, causando prejuízo de R$ 90 milhões para os criminosos. Bolsonaro e Xixo foram citados por um integrante do PCC identificado como Tacitus em mensagens enviadas ao próprio Gritzbach e a delegados.
  • “O Vinícius passou informações das ‘casas cofre’ para o Xixo e o Pinheiro, esses policiais invadiram as casas ‘cofre’ sem mandado judicial, roubando milhões de reais em espécie da ’empresa’”, afirma o faccionado.

Em 2015, Valdenir Paulo de Almeida, de 57 anos, o Xixo, trabalhava na 6ª Delegacia de Investigações Sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro, ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Na ocasião, ele participou de uma ação conjunta com a Polícia Civil de Sergipe, cumprindo mandados em São Paulo, contribuindo para desbaratar uma organização criminosa especializada em roubo de veículos, adulteração de sinal identificador e falsificação de documentos no Detran.

O reconhecimento público foi publicado no Diário Oficial, no qual o então delegado geral paulista determinou que o trabalho destacado fosse incluído nos registros de quatro policiais civis, entre eles Valdenir, “em razão da extraordinária dedicação havida no cumprimento do dever”.

Valmir Pinheiro, conhecido como “Bolsonaro” por sua semelhança física com o ex-presidente, era investigador da polícia e passou a ser investigado por suspeita de cobrar suborno para interromper apurações sobre o PCC e desviar drogas apreendidas com a quadrilha.

 

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