Polícia aponta divergência de R$ 11 milhões no SPFC em ano de título
Segundo a Polícia Civil, duas declarações financeiras apontam diferentes valores referentes a gastos realizados em 2023 no clube
atualizado
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Em ofício enviado ao São Paulo Futebol Clube, o Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania (DPPC) deu 15 dias para o clube responder a uma série de questionamentos sobre operações financeiras suspeitas, realizadas desde 2021. A equipe de investigação apontou divergências nos balanços financeiros apresentados e cobrou explicações por saques em espécie nas contas do clube.
Na quarta-feira (21/1), o DPPC e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram uma operação contra um esquema de venda ilegal de camarotes do MorumBis e lavagem de dinheiro. As equipes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão contra o então presidente do SPFC, Julio Casares, que renunciou horas depois, a ex-mulher dele, Mara Casares, o diretor adjunto da base, Douglas Schwartzmann, e Rita Adriana Prado, supostamente envolvida no esquema.
Outros dirigentes também são alvo da investigação. O inquérito aponta a empresa Off Side, responsável pela logística de jogos de times da série A, como possível laranja do esquema.
No ofício enviado ao SPFC para exigir explicações, a polícia mencionou, por exemplo, uma divergência de valores identificada nas demonstrações financeiras de 2023, ano do título da Copa do Brasil. Em uma delas, o clube diz que as despesas anuais, considerando apenas o futebol profissional, foram de R$ 531,6 milhões. Em outra, as despesas, considerando profissional e base, constam como R$ 519,8 milhões.
“Verifica-se, portanto, uma diferença de R$ 11,7 milhões entre os saldos reportados nas duas páginas. Qual é a justificativa contábil para essa discrepância?”, questiona a Polícia Civil.
Os dois valores mencionados nas demonstrações financeiras do SPFC ultrapassam em R$ 100 milhões a previsão inicial de R$ 425,6 milhões para o ano. O aumento seria decorrente de investimentos na compra de jogadores, como Lucas Moura e o colombiano James Rodriguez, e do pagamento de premiações referentes à conquista da Copa do Brasil.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foram sacados pelo menos R$ 1,4 milhão em espécie das contas do clube. A polícia questionou ao SPFC se a quantia está incluída nos prêmios mencionados.
De acordo com as investigações, entre 2021 e 2025, foram realizados 35 saques de dinheiro. As operações somam mais de R$ 11 milhões.
Venda de camarotes
Julio Casares é investigado por suspeitas relacionadas à exploração clandestina de um camarote no estádio Morumbis, na zona oeste da capital paulista. Segundo o MPSP, a irregularidade teria acontecido em um camarote ligado à presidência do clube, para o show da cantora colombiana Shakira no estádio, em fevereiro de 2025. Os crimes suspeitos levantados pela promotoria são: corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Um áudio revelou o suposto esquema de comercialização irregular do camarote ligado à presidência do SPFC.
Segundo o material divulgado pelo Globo Esporte, o diretor adjunto das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos (e ex-esposa de Julio Casares), Mara Casares, estariam envolvidos no esquema ilegal.
No áudio, o diretor das categorias de base diz que ele e outras pessoas se beneficiaram financeiramente da prática.
O esquema consistia no repasse do camarote por parte da diretoria do São Paulo Futebol Clube a Mara Casares para a realização de evento durante o show de Shakira. Posteriormente, a mulher chamou uma intermediária para vender os ingressos, com alguns tickets custando até R$ 2,1 mil. Essa prática já é considerada ilegal.
Porém, o caso estourou quando a intermediária entrou na Justiça alegando que foi vítima de um calote por parte de Mara e outro dirigente do São Paulo no pagamento de um pacote de ingressos. Um áudio revelado pela imprensa mostra os dois pressionando a intermediária a retirar a ação judicial, além de confessar que se tratava de um esquema clandestino.
Após a publicação do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento dos cargos.
