“Renúncia não representa confissão”, diz Julio Casares em comunicado
Em nota divulgada nesta quarta-feira (21/1), ex-mandatário do São Paulo chama de “boatos” as acusações de corrupção
atualizado
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Após ser afastado por meio de votação do conselho na última sexta-feira (16/1), Julio Casares utilizou as redes sociais nesta quarta-feira (21/1) para anunciar que renunciou ao cargo de presidente do São Paulo. No comunicado, Casares chama as acusações de corrupção de boatos, diz que sua decisão não é uma confissão e afirma que a decisão tem como objetivo preservar a sua saúde e sua família.
Em uma publicação sem legenda e sem a opção de comentários, Casares compartilhou um carrossel de imagens com seu comunicado na íntegra, dividido em 10 partes e com o título de “Carta à comunidade São Paulina”. Durante a publicação, o ex-mandatário afirma que, ao longo de seu mandato, atuou com “seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição”.
Ele ainda afirma que o clube passou a viver nos últimos meses um ambiente de instabilidade, marcado por ataques, narrativas distorcidas e pressões. Em determinado momento, Julio Casares questiona as denúncias de corrupção feitas.
“O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas”, apontou.
Confira o comunicado completo.
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Entenda o que motivou o afastamento de Julio Casares
Julio Casares é investigado por suspeitas relacionadas à exploração clandestina de um camarote no estádio MorumBIS, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a irregularidade teria acontecido em um camarote ligado à presidência do clube no estádio para o show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025. Os crimes suspeitos levantados pelo MPSP são corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Um áudio revelou o suposto esquema de comercialização irregular do camarote ligado à presidência do SPFC.
Segundo o material divulgado pelo Globo Esporte, o diretor-adjunto das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos (e ex-esposa de Julio Casares), Mara Casares, estariam envolvidos no esquema ilegal.
No áudio, o diretor das categorias de base diz que ele e outras pessoas se beneficiaram financeiramente com a prática.
O esquema consistiu no repasse do camarote por parte da diretoria do São Paulo Futebol Clube a Mara Casares para a realização de um evento durante o show da Shakira. Posteriormente, a mulher chamou uma intermediária para vender os ingressos, com alguns tickets custando até R$ 2,1 mil. Essa prática já é considerada ilegal.
Porém, o caso estourou quando a intermediária entrou na Justiça alegando que foi vítima de um calote por parte de Mara e outro dirigente do São Paulo no pagamento de um pacote de ingressos. Nesse momento, o áudio revelado na imprensa mostra os dois pressionando a intermediária a retirar a ação judicial, confessando que se tratava de um esquema clandestino.
Após a publicação do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento dos cargos.
Quem é o vice-presidente que assume o SPFC
Aos 80 anos, Massis Junior é empresário e membro do grupo político Vanguarda, que fez parte da coalizão que elegeu Casares para presidente, mas rompeu com o dirigente após os escândalos recentes envolvendo o clube.
Massis Júnior é conselheiro vitalício do São Paulo e faz parte do quadro de sócios desde 1964. Dono do Hotel Massis, em São Paulo, ele ocupa o cargo de vice-presidente do tricolor desde 2021. O dirigente esteve presente nas delegações dos títulos da Copa Intercontinental de 1991 e 1992 como diretor-adjunto administrativo.
