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São Paulo

PMs acusados de matar entregador e plantar arma após crime viram réus

Gabriel Ferreira Messias da Silva, entregador, morreu durante perseguição policial. MPSP denunciou PMs por homicídio e fraude processual

23/07/2026 18:52, atualizado 23/07/2026 19:22
Reprodução
imagem colorida mostra policial com a mão na cintura de motoqueiro caído no chão - Metrópoles

Os quatro policiais militares acusados pela morte do entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, se tornaram réus na Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). O caso ocorreu em novembro de 2024.

O sargento Ivo Florentino dos Santos vai responder pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. Segundo o Ministério Público, ele foi o responsável por atirar contra Gabriel e, depois, teria participado da tentativa de alterar a cena do crime para justificar a ação policial.

Já o cabo Evanildo Costa de Farias Filho e os soldados Ailton Severo do Nascimento e Gilbert Gomes dos Santos vão responder por fraude processual. De acordo com a acusação, eles teriam participado da adulteração da cena do crime após a morte do entregador.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em 30 de junho, recebeu um aditamento no dia seguinte e foi aceita pela Justiça em 2 de julho, quando os quatro policiais passaram oficialmente à condição de réus.

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Agora, o processo está na fase em que as defesas apresentam suas manifestações. Depois disso, a Justiça deverá decidir os próximos passos do caso, incluindo a realização da audiência de instrução, etapa em que testemunhas e acusados são ouvidos.

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5 imagens
Imagem mostra policial chutando arma
Gabriel foi morto após tiro de PM na zona leste de SP
Gabriel pediu ajuda antes de morrer
Jovem andava de moto no momento da abordagem
Policiais isolaram rua depois da morte
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Policiais isolaram rua depois da morte

Redes sociais/Reprodução
Imagem mostra policial chutando arma
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Gabriel foi morto após tiro de PM na zona leste de SP
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Gabriel foi morto após tiro de PM na zona leste de SP

Arquivo Pessoal
Gabriel pediu ajuda antes de morrer
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Gabriel pediu ajuda antes de morrer

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Jovem andava de moto no momento da abordagem
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Jovem andava de moto no momento da abordagem

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Relembre o caso

  • O entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, morreu em novembro de 2024, durante uma perseguição policial na Vila Sílvia, na zona leste de São Paulo.
  • Os agentes afirmaram que Gabriel caiu da motocicleta ao fazer uma curva e, ao se levantar, sacou uma arma de fogo. Segundo esse relato, o sargento Ivo Florentino dos Santos efetuou um disparo de dentro da viatura.
  • O Ministério Público concluiu que a arma encontrada ao lado do corpo teria sido colocada na cena após o disparo para simular um confronto policial.
  • Com base nas provas reunidas durante o inquérito, o MPSP denunciou o sargento Ivo Florentino dos Santos por homicídio qualificado e fraude processual.
  • O cabo Evanildo Costa de Farias Filho e os soldados Ailton Severo do Nascimento e Gilbert Gomes dos Santos foram denunciados por fraude processual, por supostamente participarem da adulteração da cena do crime.
  • Em julho de 2026, a Justiça de São Paulo recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou os quatro policiais réus no processo.

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Mãe lamenta “injustiça”

Para a mãe de Gabriel, Fernanda Ferreira, o sentimento é de injustiça. “Os meses vão passando, a gente vê a injustiça, e nada acontece. O laudo da perícia comprova que ele [o sargento Ivo] colocou a arma no Gabriel, que o Gabriel não tinha nada. Eu não entendo por que a corregedoria não tá com um caso desses. Por que que não pediu a prisão desse homem?”.

“Meu filho mais velho sai para trabalhar e eu tenho medo de ele não voltar, de ele encontrar esse assassino. Porque, se esse policial não fosse perigoso, ele não tinha feito o que ele fez. Ele não se intimidou nem com as câmeras corporais”, diz a mãe.

As imagens também filmaram Gabriel, ainda vivo, implorando por ajuda após ser baleado. No vídeo, ele diz para um agente: “Eu sou trabalhador, senhor, pra que isso comigo, meu Deus? Me ajuda, senhor, por favor”.

A recepcionista faz um apelo: “Eu só queria que o governador olhasse o meu apelo de mãe e visse que o que eu tô pedindo não é injusto. Eu só quero justiça, eu só quero honrar a memória do meu filho, porque a todo tempo eles querem fazer meu filho de ladrão”.